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sábado, 10 de fevereiro de 2018

Desvendando Nº 62: Bell's Original


Depois de lançada, a marca Bell's continuou a ser pouco conhecida por mais de 50 anos, e só acertou o paso nos anos 70. Isso se deveu em grande parte à formação religiosa de Arthur Bell e à sua modéstia inata.

Ele se recusava a permitir que o nome da família aparecesse na garrafa, explicando que preferia que “as qualidades de meus produtos falem por si mesmas”. Seus filhos, Arthur Kinmond (AK) e Robert, eram bem menos idealistas e despretensiosos e, logo depois da morte do pai em 1900, trataram de recuperar o tempo perdido.

A proibição do uso do nome Bell foi abandonada em 1904, e rapidamente foi estabelecido um próspero negócio de exportação para a Austrália e a Nova Zelândia. Foram escolhidos representantes na India, no Ceilão, na Itália e na França. AK realizou uma extensa viagem à América do Norte, especialmente no Canadá, e a marca tornou-se a mais popular da África do Sul.

O slogan “Afore Ye Go” (“Antes que você se vá”), que serviu tão bem à empresa, é mais ou menos dessa época, embora só tenha sido registrado como marca em 1925. Depois de um período de suspensão, houve um retorno bem-vindo à embalagem renovada da marca, lançada em 2006.


A Bell's adquiriu as destilarias de Blair Athol e Dufftown em 1933 e, três anos depois, acrescentou a elas a Inchgower. A ligação familiar foi rompida em 1942, com a morte dos dois irmãos Bell, e William Farquharson assumiu como diretor, posto que teve até falecer em 1973.

O que pude perceber:
Características: dourado, pouco corpo.
Aroma: esfumaçado semelhante ao White Horse. Gramíneas, baunilha, caramelo, uma canela e um pouco de cereais. Tem o álcool, que agride um pouco as narinas, mas não é algo que invalide a bebida. Dá para notar também que é um whisky seco. Acrescentando um pouco de água os grãos se destacam. Aparece um tom amadeirado com baunilha, notas crocantes de cereais, um pouco herbal, com notas de grama ressecada. Especiarias ainda se fazem presentes com um toque de canela. O esfumaçado continua também. A adição de uma pedra de gelo deixa o whisky mais fresco e evidencia o esfumaçado, depois vem o amadeirado, cereais e baunilha. A sensação de refrescância predomina, com um mentolado bem nítido. Todo o resquício de álcool que antes era perceptível some por completo.
Paladar: esfumaçado, baunilha, mentolado, um pouco picante e termina com um amargor na boca, com aquele gosto característico de whiskies de grãos. Com um pouco de água confirma o que foi sentido no aroma, porém acentuando mais os cereais e agora a finalização vem com uma certa picância. Com uma pedra de gelo tem um início um tanto quanto amargo, depois vem cereal, amadeirado e herbal. Finaliza com o sabor dos whiskies de grãos e uma pitada de esfumaçado.

Mais uma degustação de whisky feita a pedidos. Engraçado que me preparei todo para sentir o aroma de álcool como primeira nota deste whisky. Não é. Foi uma grata surpresa.


Já havia feito um review do Bell's na sua versão Extra Special, também engarrafado na Escócia e com um ABV de 43%. Não havia gostado. Experimentei a versão do Bell's engarrafada aqui no Brasil e também não havia gostado. Então, as expectativas não eram muito altas para este whisky. Acho que até foi bom experimentá-lo esperando pouco, porque desta forma, o que vem de bom é como um bônus. E foi exatamente o que aconteceu no aroma. Me surpreendeu, com características semelhantes ao White Horse e me surpreendeu também no paladar onde não possui as características acetonadas percebidas quando da degustação do Extra Special e nem o álcool tão agressivo quanto no Bell's Original engarrafado no Brasil.

Voltar a ser engarrafado na Escócia fez muito bem para este whisky. Continua sendo o whisky escocês mais barato encontrado no Brasil, apesar de ter ficado mais caro. Na mesma prateleira encontrei as duas versões lado a lado, ambas com o mesmo preço. A diferença é que a engarrafada no Brasil possui capacidade para um litro enquanto esta nova versão possui capacidade de 700ml. São 30% menos whisky. Não sei se chega a ser 30% melhor, mas com certeza é melhor. A parte ruim é que continua pecando na finalização, deixando um retro-gosto bastante amargo.

Meu veredicto é que achei o aroma bem melhor que o paladar e nesta mesma categoria e com um pouquinho mais de dinheiro poderemos levar para casa outras opções.




Bell's Original

Blend Teor Alc 40%


Assim como o Blair Athol, o Dufftown e o Inchgower são componentes importantes deste whisky, juntamente com o Glenkinchie e o Caol Ila. Um blend moderadamente encorpado, com aroma de nozes e leve sabor de especiarias.

domingo, 15 de novembro de 2015

Desvendando Nº 31 - Bell's Extra Special

“Vários whiskies bons misturados entre si agradam aos palatos de um número maior de pessoas do que um whisky puro”, disse Arthur Bell.


Assim como vários outros blends escoceses, o Bell's inicia sua história numa pequena loja da cidade de Perth. A loja foi aberta em 1825 e comercializava chá e whisky.

Arthur Bell se tornou sócio da empresa em 1850 e passou a se interessar pelos whiskies misturados, que cresciam em popularidade. Por isso, começou a comprar estoques de bons whiskies para seus clientes e também para o blend da empresa, que ganhava mercado. O crescimento do sistema ferroviário da Escócia significava maior capacidade de escoamento da produção aos novos mercados que se abriam na Inglaterra, o que o levou a nomear logo um representante em Londres, em 1863.


Arthur morreu em 1900 e deixou a empresa para os filhos. Quatro anos depois o nome Arthur Bell & Sons já estampava o rótulo da bebida, que mostrava uma pedra sendo arremessada por um jogador de curling (esporte tradicional escocês jogado em uma pista de gelo, que lembra o boliche e é bastante popular nos Estados Unidos, no Canadá e em países nórdicos).

Em 1933, a Bell's adquiriu as destilarias Blair Athol e Dufftown e, três anos depois, a Inchgower. Em 1985, a companhia perdeu sua independência e foi comprada pela Guinness e, em seguida, pela United Distillers.


Hoje em dia a empresa pertence à Diageo, que tomou uma série de medidas para consolidar a posição da Bell's. As instalações destinadas aos visitantes da destilaria Blair Athol (a fonte do single malt da essência do blend) foram melhoradas e o blend em si passa por transformações e evoluções contínuas, Depois de 14 anos sendo vendido como um 8 anos, o Bell's não apresenta indicação de idade desde 2008. Porém, mantendo o espírito do próprio Arthur Bell, grande ênfase é depositada na qualidade dos blenders, e a empresa afirma que os consumidores experientes preferem a nova versão.

Os decanters famosos da Bell's são lançamentos com edições limitadas. Foram produzidos pela primeira vez na década de 1930 e um decanter decorado com imagens festivas e alegres é lançado a cada Natal desde 1988.


O que pude perceber:
Cor: ouro claro. Médio corpo.
Aroma: cereais, lembrando pão, malte, caramelo, baunilha, álcool não muito pronunciado e grãos. É bem seco. Com um pouco de água, os aromas foram suavizados, pronunciaram-se os de cereais e deu para perceber algo frutado, cítrico. Com uma pedra de gelo, desta vez senti um cheiro azedo, assim como o cheiro de grãos bem pronunciado. Um pouco de frutado. A baunilha sumiu.
Paladar: primeiro nota-se um sabor azedo, adstringente, depois, o álcool, que não é muito sentido no aroma, vem queimando tudo, deixando uma ardência na boca. Por fim, o sabor dos grãos toma conta. Com água, o azedo do início enfraqueceu, começou mais leve, passou para o gosto de cereais e então, o álcool voltou a preencher a boca, descendo queimando. Com gelo, o whisky ficou meio licoroso e seus sabores se enfraqueceram. Ficou cremoso, permanecendo ainda o azedo, porém a queimação do álcool diminuiu bastante. A finalização ficou bem curta.

Depois que você o prova, consegue sentir os cheiros de ervas e temperos, algo picante. Na segunda prova, já esperando o que vinha pela frente, deu para perceber outros sabores, mas o álcool sempre toma conta, assim como o sabor picante e de ervas. Dos blends que experimentei até agora, na minha opinião, este foi o pior.

Quem acompanha meu blog sabe que não tenho preconceito com a bebida e experimento todos, sem distinção. Mas este eu confesso que não gostei. Um sabor azedo, algo como produto de limpeza toma conta de tudo, mesmo com água e gelo. Cabe ressaltar, porém, que não é o mesmo Bell's vendido aqui no Brasil. Este é o Bell's Extra Special, engarrafado na Escócia e com 43% ABV. O que é vendido no Brasil é engarrafado aqui e com 40% ABV. Talvez esta diferença de 3% no teor alcoólico tenha feito com que o whisky ficasse “ardido”. Acho que em misturas, ele ficará bom.




Bell's Extra Special

Blend Teor Alc 43%


Assim como o Blair Athol, o Dufftown e o Inchgower são componentes importantes deste whisky, juntamente com o Glenkinchie e o Caol Ila. Um blend moderadamente encorpado, com aroma de nozes e leve sabor de especiarias.