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domingo, 19 de agosto de 2018

Desvendando Nº 83: Caol Ila 12 Anos



Caol Ila (leia-se Cull Ee-la) é o termo em gaélico para o “estreito de Islay”, o estreito que separa as ilhas de Islay e Jura. A destilaria situa-se numa pequena enseada perto de port Askaig.

Fundada por Hector Henderson em 1846, na ilha de Islay, foi ampliada em 1879 e modernizada entre 1972 e 1974. Até 1972, um pequeno navio a vapor transportava cevada, tonéis vazios e carvão até o cais de Caol Ila, retornando a Glasgow com tonéis cheios de whisky. Hoje em dia, tudo é transportado por rodovia e balsa até a área continental.

Quando Henderson faliu, a destilaria foi assumida por Norman Buchanan, de Glasgow, dono da destilaria Isle of Jura. Em 1863 a destilaria foi comprada pela Bulloch Lade & Co. Após a Primeira Guerra Mundial, a Bulloch Lade decretou falência voluntária e, após várias mudanças de posse, a Caol Ila foi adquirida por The Distillers Company, atual Diageo, em 1927.


Assim como a Ardbeg ficava atrás da Laphroaig quando ambas pertenciam à Allied Domecq, o mesmo aconteceu com a Caol Ila e a Lagavulin na Diageo. Durante anos, a maior destilaria de Islay recebia pouca atenção. Felizmente, isso mudou, com os proprietários da Caol Ila promovendo a destilaria como uma produtora de single malt de alta qualidade.

A destilaria extrai sua água de processamento do Loch nam Ban e a cevada maltada é fornecida sob encomenda pela Port Ellen Maltings, com vários níveis de ação da turfa. O whisky Caol Ila é usado principalmente para os blends da Johnnie Walker e Bell's.


O que pude perceber:
Características: encorpado, palha claro.
Aroma: turfado clássico. Passada a camada de fumaça vem baunilha, frutas cristalizadas e malte. Um frutado de maçãs e peras também aparece, além de frutas vermelhas. Há também um certo mentolado e algumas notas herbais, de gramíneas. Doce e suave. A adição de um pouco de água mascara um pouco os aromas esfumaçados e faz sobressair ainda mais o frutado, agora com uma nota cítrica. Fica mais suave, com malte e madeira bem perceptíveis. Notas de abacaxi, pera e baunilha. Bem adocicado, com frutas vermelhas secas.
Paladar: baunilha, frutas brancas e suculentas, um pouco de condimentos, dando uma pegada picante e finalizando com a fumaça, dando aquela característica tradicional dos maltes de Islay. Doce e suave, sem nenhuma presença de álcool. Com a adição de um pouco de água fica bem sedoso, evidenciando cereais, biscoitos e notas mais adocicadas. Depois, novamente aparece uma certa picância e finaliza novamente com a fumaça, de forma longa e seca.


Whisky fácil de beber apesar da fumaça característica de Islay. Me encantou bastante, mesmo não sendo um whisky com minhas características preferidas. Bastante agradável, embora não seja um whisky simples. É muito bem feito e equilibrado. Para mim, funcionou melhor com a adição de um pouquinho de água.

Por anos ficou à sombra da destilaria Lagavulin mas, por ironia, foi a própria Lagavulin que acabou por promover o whisky Caol Ila como single malt. Quando a demanda por Lagavulin superou a oferta, o Caol Ila surgiu como um substituto. A partir de então, foi dada mais atenção à sua produção e distribuição. Ainda é um pouco difícil de ser encontrado por aqui, mas vale cada centavo.




Caol Ila 12 Anos

Single Malt: Islay Teor Alc 43%

Para equilibrar o aroma de alcatrão e turfa há a doçura do malte e alguns aromas cítricos. Com textura oleosa, além de sabores defumados e de melaço.

domingo, 15 de novembro de 2015

Desvendando Nº 31 - Bell's Extra Special

“Vários whiskies bons misturados entre si agradam aos palatos de um número maior de pessoas do que um whisky puro”, disse Arthur Bell.


Assim como vários outros blends escoceses, o Bell's inicia sua história numa pequena loja da cidade de Perth. A loja foi aberta em 1825 e comercializava chá e whisky.

Arthur Bell se tornou sócio da empresa em 1850 e passou a se interessar pelos whiskies misturados, que cresciam em popularidade. Por isso, começou a comprar estoques de bons whiskies para seus clientes e também para o blend da empresa, que ganhava mercado. O crescimento do sistema ferroviário da Escócia significava maior capacidade de escoamento da produção aos novos mercados que se abriam na Inglaterra, o que o levou a nomear logo um representante em Londres, em 1863.


Arthur morreu em 1900 e deixou a empresa para os filhos. Quatro anos depois o nome Arthur Bell & Sons já estampava o rótulo da bebida, que mostrava uma pedra sendo arremessada por um jogador de curling (esporte tradicional escocês jogado em uma pista de gelo, que lembra o boliche e é bastante popular nos Estados Unidos, no Canadá e em países nórdicos).

Em 1933, a Bell's adquiriu as destilarias Blair Athol e Dufftown e, três anos depois, a Inchgower. Em 1985, a companhia perdeu sua independência e foi comprada pela Guinness e, em seguida, pela United Distillers.


Hoje em dia a empresa pertence à Diageo, que tomou uma série de medidas para consolidar a posição da Bell's. As instalações destinadas aos visitantes da destilaria Blair Athol (a fonte do single malt da essência do blend) foram melhoradas e o blend em si passa por transformações e evoluções contínuas, Depois de 14 anos sendo vendido como um 8 anos, o Bell's não apresenta indicação de idade desde 2008. Porém, mantendo o espírito do próprio Arthur Bell, grande ênfase é depositada na qualidade dos blenders, e a empresa afirma que os consumidores experientes preferem a nova versão.

Os decanters famosos da Bell's são lançamentos com edições limitadas. Foram produzidos pela primeira vez na década de 1930 e um decanter decorado com imagens festivas e alegres é lançado a cada Natal desde 1988.


O que pude perceber:
Cor: ouro claro. Médio corpo.
Aroma: cereais, lembrando pão, malte, caramelo, baunilha, álcool não muito pronunciado e grãos. É bem seco. Com um pouco de água, os aromas foram suavizados, pronunciaram-se os de cereais e deu para perceber algo frutado, cítrico. Com uma pedra de gelo, desta vez senti um cheiro azedo, assim como o cheiro de grãos bem pronunciado. Um pouco de frutado. A baunilha sumiu.
Paladar: primeiro nota-se um sabor azedo, adstringente, depois, o álcool, que não é muito sentido no aroma, vem queimando tudo, deixando uma ardência na boca. Por fim, o sabor dos grãos toma conta. Com água, o azedo do início enfraqueceu, começou mais leve, passou para o gosto de cereais e então, o álcool voltou a preencher a boca, descendo queimando. Com gelo, o whisky ficou meio licoroso e seus sabores se enfraqueceram. Ficou cremoso, permanecendo ainda o azedo, porém a queimação do álcool diminuiu bastante. A finalização ficou bem curta.

Depois que você o prova, consegue sentir os cheiros de ervas e temperos, algo picante. Na segunda prova, já esperando o que vinha pela frente, deu para perceber outros sabores, mas o álcool sempre toma conta, assim como o sabor picante e de ervas. Dos blends que experimentei até agora, na minha opinião, este foi o pior.

Quem acompanha meu blog sabe que não tenho preconceito com a bebida e experimento todos, sem distinção. Mas este eu confesso que não gostei. Um sabor azedo, algo como produto de limpeza toma conta de tudo, mesmo com água e gelo. Cabe ressaltar, porém, que não é o mesmo Bell's vendido aqui no Brasil. Este é o Bell's Extra Special, engarrafado na Escócia e com 43% ABV. O que é vendido no Brasil é engarrafado aqui e com 40% ABV. Talvez esta diferença de 3% no teor alcoólico tenha feito com que o whisky ficasse “ardido”. Acho que em misturas, ele ficará bom.




Bell's Extra Special

Blend Teor Alc 43%


Assim como o Blair Athol, o Dufftown e o Inchgower são componentes importantes deste whisky, juntamente com o Glenkinchie e o Caol Ila. Um blend moderadamente encorpado, com aroma de nozes e leve sabor de especiarias.