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quinta-feira, 23 de junho de 2016

Desvendando Nº 41: Seagram's 7 Crown


Um dos whiskeys blended americanos mais conhecidos e com mais personalidade, o Seagram's 7 Crown, também chamado de Seagram Seven, sobreviveu à quebra do império das destilarias Seagram. Pertenceu à Angostura, que criou fama graças ao bitter Angostura, com base no Caribe. Passou ainda pelas mãos da Four Roses, Pernod Ricard e Coca-Cola. A Seagram está localizada em Lawrenceburg e é a maior fábrica de bebidas dos EUA em capacidade de produção.

Seagram Seven é normalmente consumido em combinação com uma bebida não alcoólica, como ginger ale, cola ou refrigerante lima-limão, em um highball. O Seagram Seven em combinação com o refrigerante 7 Up é conhecido como um "7 e 7". Também é frequentemente utilizado como ingrediente em Manhattans.


Hoje, a Seagram pertence à Diageo, que introduziu algumas mudanças no whisky. Esta mudança deixou os consumidores e até mesmo alguns especialistas na área, um tanto quanto confusos. O blended virou Grain Whisky, ou whisky de grãos. Um whisky de grãos não qualificado.

A produção e rotulagem de whiskey americano são regidos pelo Título 27 do Código de Regulamentos Federais dos EUA. Whiskey não qualificado, ou seja, sem uma identificação do tipo de grão, tais como "bourbon", "centeio" ou "milho", deve ser destilado a menos do que 95 por cento em volume de álcool (190 proof) a partir de um mosto fermentado de grãos de modo que o destilado possui o sabor, aroma e características geralmente atribuídas a whiskey, e deve ser armazenado em barris de carvalho (carvalho novo carbonizado não é necessário), e engarrafado em pelo menos 40 por cento de álcool por volume (80 proof).

A empresa não divulga se esta é mais uma edição ao seu portfólio, se o blended fora descontinuado ou se a expressão é somente para exportação. Se houver qualquer nova informação, será atualizada aqui.


O que pude perceber:
Aspecto: cor palha, média viscosidade.
Aroma: logo de cara o aroma lembra bourbon, evidência de que o milho é o protagonista entre os grãos. É adocicado, lembrando mel. Tentei encontrar alguma coisa dos outros grãos mas não encontrei. Por outro lado, o álcool também não é muito evidente. Embora lembre o bourbon, o aroma é fraco. Com um pouco de água, ao contrário do que se esperava, evidenciou o álcool. A presença do milho continua mas o mel some. O restante dos aromas também são atenuados. Com uma pedra de gelo, os aromas sumiram quase que totalmente, se contraíram demais, ficando quase que imperceptíveis.
Paladar: bem diferente do esperado. No início ele é azedo, adstringente. Depois, começa a adormecer a boca e ficar quente. Finaliza um tanto quanto amargo. A semelhança com o bourbon terminou no paladar. Não encontrei a doçura sentida no aroma, que lembrava mel. O milho é pouco sentido, mas o que mais chama a atenção é a sensação desagradável de algo azedo, além da dormência na boca. Apesar disso, nada de álcool evidente. A água adicionada em pequena quantidade trouxe à tona um pouco de cereais. E só. O azedo desagradável continua mas a ardência na boca diminui. A finalização, desta vez, lembrou vagamente o bourbon. A adição de gelo, da mesma forma que no aroma, escondeu os sabores, com exceção do famigerado azedo, que teima em aparecer.

É um whisky que na verdade me surpreendeu bastante. Só que não de uma forma muito boa. A proposta inicial do blended 7 Crown era a de misturas. Talvez tentaram fazer algo mais neutro para a mesma finalidade. Também ficou bem diferente dos whiskies de grãos escoceses. Não há muito sabor nem aroma, não há algo que se sobressaia, a não ser, neste caso em particular, o milho que ficou a maior parte do tempo em evidência.

A principal função do whisky de grão é servir de base para misturas e, junto com o whisky de malte, formar os blends. Desta forma, ele atenua bastante os sabores mais fortes dos maltes. Neste quesito, cumpre bem a função. Já para ser bebido puro, não acho que funciona, salvo algumas exceções como o Haig Club e o Cameron Brig, ambos excelentes. Não experimentei desta forma, mas serve muito bem também como base para drinks. Para não perder a garrafa, ela foi para meu projeto pessoal.




Seagram's 7 Crown

Grain Whisky teor Alc 40%


Tem olfato delicado com um toque adocicado. É limpo e bem estruturado no palato.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Whisky de grão

Whisky de grão normalmente refere-se a qualquer whisky feito, pelo menos em parte, a partir de grãos que não seja a cevada maltada, tais como whiskies feitos usando milho, trigo, centeio ou a própria cevada, não maltada. Podem também conter, e a maioria leva na mistura de grãos, algum malte de cevada. Whisky feito de 100% de cevada maltada é normalmente chamado whisky de malte em vez de whisky de grão, embora seja a cevada um grão. 


Raramente temos a oportunidade de experimentar single grain whiskies puros porque quase toda a produção é destinada ao blending e poucos engarrafamentos são disponibilizados.

Enquanto o malt whisky deve ser destilado em um alambique, o whisky de grão é normalmente destilado em uma coluna contínua, de forma que resulta em uma maior percentagem de álcool por volume (ABV), mas com um espírito menos saboroso. Devido a esta prática, whisky de grão raramente é engarrafado por si só, na Escócia, onde é utilizado principalmente para a mistura com whisky de malte para a criação de blended whiskies, que representam mais de 90% de todas as vendas de whisky escocês. A leveza comparativa do whisky de grão, mais claro, de sabor mais neutro, faz com que seja usado para suavizar as características muitas vezes duras dos single malts. 

Whiskies de grãos, ocasionalmente sem-idade, são liberados como whisky single grain se feito em uma única destilaria ou blended grain whisky se combinar espíritos de várias destilarias. É importante salientar que single grain não se refere ao uso de um único tipo de grão para fazer o whisky e sim refere-se a ser feito em uma única destilaria.


Porém, fora da Escócia, o uso de alambiques contínuos de coluna e o uso de um mosto que não seja o de cevada, não são tão intimamente associados com a produção de whisky leve, com pouco sabor, devido à destilação a um nível muito elevado de ABV. Por exemplo, a maioria dos whiskeys americanos e whiskys canadenses são à base de grãos, ou seja, quase todos eles são produzidos usando alambiques de coluna. 

Os alambiques de coluna foram inventados por volta de 1820, a maioria deles seguindo os projetos originais de Aeneas Coffey, um inspetor da alfândega irlandesa. Eles são altos e compostos de duas colunas, um retificador e um analisador. Portanto, destilam mais rapidamente e de forma contínua, além de serem relativamente baratos de se operar. Produzem bebidas mais puras que os single malts e que podem ser até mais fortes, até 94% de teor alcoólico. A pureza deste destilado e a tendência a ser mais moderado no sabor e no aroma do que o malte o torna ideal para as misturas que originam os blends.


A produção na escócia funciona da seguinte forma: a cevada é maltada e misturada em água quente dentro de um mashtun com os cereais não maltados, cozidos sob pressão para amaciar o amido e torná-lo solúvel. O resultado é um líquido açucarado, fermentado com levedura para produzir a wash. No alambique contínuo, a wash atravessa duas colunas com pratos de metal. A wash aquecida é bombeada para o topo da primeira coluna ( o analisador), em que encontra o vapor que sobe por ali. Como o álcool entra em ebulição a uma temperatura mais baixa que a água, pode ser extraído em forma de vapor. Então, o álcool é bombeado para a base da segunda coluna (o retificador). A temperatura da coluna é mais alta na base e mais fria no topo. Quanto mais o vapor subir, maior será o conteúdo de álcool. O alambiqueiro pode retirar o whisky de grão formado com o teor desejado de um dos pratos em que o vapor condensa. Álcool praticamente puro é coletado no topo da coluna e a água é descartada na base.


Assim como o whisky de malte, o whisky de grão tem que ser maturado por no mínimo três anos na Escócia para que possa ser legalmente chamado de whisky.

Curiosidade: pode haver whisky de grão feito de 100% de cevada maltada? A resposta é sim, desde que seja destilado em alambiques de coluna, caso contrário, será um single malt.