Whisky

Whisky

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Whiskey não envelhecido ganha espaço na coquetelaria

Conhecido como white whiskey ou white dog, número de fãs do destilado rústico tem aumentado nos últimos tempos



Ele é chamado de whiskey, mas não tem a cor âmbar e o gosto amadeirado e untuoso dos irmãos mais velhos. Claro, pungente e rústico, tem conquistado espaço nos bares americanos. "Os consumidores estão interessados em cada etapa do processo e diversificando mais na hora de beber. O white whiskey é uma forma de expressar isso", diz Jane Conner, embaixadora mundial da destilaria Maker's Mark, sediada no Kentucky (EUA). "Lá, a bebida faz sucesso pelo sabor terroso e doce que pode ter."

A moda começou nos Estados Unidos. “Veio como resgate da coquetelaria clássica, na década de 20, anos da Lei Seca”, conta Kennedy Nascimento, bartender do restaurante paulistano Epice, raro estabelecimento brasileiro a usar a bebida. Na época, reinava o moonshine, destilado clandestino de cereais. Muitos coquetéis clássicos surgiram para mascarar o gosto dessa bebida.

As grandes destilarias não demoraram para se adequar à demanda criada pela Lei Seca. E deixaram de envelhecer parte da produção de whiskey. Significava menor custo e trabalho e quase o mesmo retorno financeiro. Alguns rótulos, como o Jim Beam Jacob's Ghost, passam um ano em barris de carvalho só para atenuar o gosto da bebida e poderem ser chamados de whiskeys.

Mas chega a ser consenso: se você busca algo mais palatável, fique com os envelhecidos.
Por que, então, o sucesso da versão clarinha? Esta entregaria a qualidade dos cereais e a habilidade do produtor. Com até 62,5% de teor alcoólico, o white whiskey tem sido usado no lugar de tequila ou rum. É forte como um cão bravo.


Fonte: gq.globo.com

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Whisky Japonês

Da terra dos eletrônicos, computadores e carros de alta qualidade, surgem novas oportunidades para o whisky


A história do whisky no Japão adquiriu o brilho de uma lenda de folclore. A chegada de spirits ocidentais no final do século XIX na forma de uma caixa de Old Parr trazida em 1872 pela missão de comércio de Iwakura; a subsequente criação da imitação de spirits estrangeiros em laboratórios japoneses; a fundação da Kotobukiya pelo jovem Shinjiro Tori em 1899; o envio de um jovem estudante de química, Masataka Taketsuro, para Glasgow para estudar química em 1918; a sedução de Taketsuro pela Escócia, seu trabalho como aprendiz na Hazelburn e na Longmorn; sua contratação por Tori-san, que na época selecionava pessoal para a primeira destilaria do Japão dedicada ao whisky em Yamazaki, em 1923; como eles trabalharam juntos e, então, se separaram: Tori fundando a Suntory, Taketsuro fundando a Nikka, que permanecem como os dois pilares da fabricação de whisky no Japão.

Há um pressuposto de que, pelo fato de os japoneses terem aderido ao modelo escocês de fabricação de whisky, o whisky deles é uma cópia. Nada poderia estar mais longe da verdade. Desde o início o objetivo foi o de criar um estilo japonês, que é precisamente o que aconteceu. Também se acredita amplamente que esses são whiskies tecnológicos, feitos em laboratório, desconectados da terra. Mais uma vez, uma crença totalmente equivocada.


O whisky japonês inscreve-se essencialmente na tradição do whisky escocês. As técnicas de produção são praticamente as mesmas e as destilarias japonesas importam maltes da Escócia para as misturas dos seus blends. Mas progressivamente os whiskies japoneses obtiveram a sua própria personalidade, graças à qualidade e à pureza das águas, à presença da turfa no solo de Hokkaido, à alta tecnologia utilizada e à competência humana de alto nível. Este whisky distingue-se pelo sabor limpo e maltado. Na boca é suave e tem um defumado sutil e um certo corpo. Os japoneses saboreiam o whisky juntando-lhe muita água.

O surgimento da indústria japonesa foi consequência do interesse em single malts e da pureza de sabor do whisky japonês. A arte japonesa da destilaria está voltada para a qualidade da produção. As minúcias da produção de whisky, a água, a cevada, os tipos de levedo, o mashing, a fermentação, a destilação e a maturação em diferentes carvalhos, foram investigadas a fundo pelos japoneses. Isso permite às empresas produzir ampla gama de sabores de single malt em uma só destilaria, o que afasta o single malt japonês do modelo escocês. A maior parte dos single malts japoneses produzidos hoje é de blends de malts da mesma destilaria, mas com diferentes sabores.


O whisky japonês não é necessariamente mais leve, mas possui uma clareza de aroma que o destaca. A ausência de uma nota ao fundo de cereal também o diferencia do Scotch, como também o uso do carvalho japonês intensamente aromático. Se o single malt escocês é um riacho correndo pela montanha, com todos os sabores disputando uma posição, o malte japonês é uma lagoa límpida onde tudo é revelado.

Partindo do princípio de que as terras mais apropriadas para destilados ficam em países mais frios do norte, o Japão está no lugar certo. Sua ilha mais setentrional, Hokkaido, é muitas vezes comparada com a Escócia. As paisagens de Hokkaido são muito semelhantes às das Terras Altas escocesas, com reservas de turfa, montanhas e riachos de água fria e pura que correm por rochas de granito. Mas as primeiras tentativas de fabricação de whisky frustraram os japoneses. Não importava que ervas e especiarias usassem, não conseguiam produzir os aromas e sabores autênticos.

O homem que desvendou o segredo do autêntico whisky escocês foi Masataka Taketsuro, o filho de 25 anos de uma família produtora de saquê. Ele frequentou a Universidade de Glasgow e trabalhou por um curto período na destilaria Hazelburn, em Campbeltown, e na Longmorn, em Speyside. 

Masataka Taketsuro
Masataka Taketsuro ajudou a Suntory a estabelecer sua primeira destilaria de whisky e, depois, seguiu adiante para criar sua própria destilaria: a Nikka, em Yoichi.

Tudo começa em 1907, quando Shinjiro Tori, jovem empresário de Osaka, começou a produzir um tipo de vinho. Consta que ele armazenou álcool utilizado na produção dentro de um barril de vinho – e esqueceu. Alguns anos depois, para descobrir o que era aquele líquido, ele provou e acabou percebendo os efeitos do envelhecimento na bebida.

Depois desse episódio, Tori propôs que sua empresa (agora chamada Kotobukiya) fabricasse whisky. A diretoria foi contra, alegando ser impossível fabricar whisky de verdade fora da Escócia ou Irlanda e que a construção de uma destilaria seria muito cara.

Mesmo assim, Tori pesquisou um local no Japão que reunisse as melhores condições ambientais para a fabricação do whisky. Em 1923, foi construída a destilaria Yamazaki nos arredores de Kyoto, cuja água pura foi considerada determinante para o êxito do projeto. Para completar, Tori contratou Masataka Taketsuru, especialista em whisky que estudara na Escócia.

Shinjiro Tori
 Após ser contratado por Tori, Taketsuru cuidou de toda a produção. No país, não havia uma fabrica que fabricasse o alambique. Então ele mesmo construiu. Mas, embora Tori tenha dado carta branca à Taketsuru na produção, não via resultado imediato e, gentilmente, pediu para dar uma certa acelerada, pois gastava-se muito e os produtos não ficavam prontos. Na verdade Taketsuru estava maturando a bebida.

Finalmente, em 1929, foi lançado o primeiro Whisky Japonês, o Yamazaki Shirofuda (ou White Label), um blend do malte da cidade de Yamazaki e destilado de grãos de Osaka. Porém, para os nipônicos acostumados à bebida fermentada de arroz, o novo destilado não agradava. Tori questiona se Taketsuru não havia levado muito à risca o processo de preparo na Escócia. Lembrou que ele estava no Japão e de nada adiantaria se não vendesse.


No mesmo ano, Tori resolve comprar uma fabrica de cervejas de Yokohama e ordenou Taketsuru a assumir a fábrica. Devido à distância e ter de começar a aprender uma nova bebida, não se sentiu à vontade para obedecer.

Em 1933 sem consultar ninguém, Tori vende a fábrica de cerveja por preço muito alto ao da compra, o que irrita Taketsuru por não ser consultado. A partir daí, ele começa a desconfiar das atitudes de Tori. Discutiram também sobre a área de produção dos whiskies. Taketsuru preferia produzir em Hokkaido norte do Japão, mas Tori era contra, devido ao alto custo da logística e querer que o público viesse visitar a fábrica. Além disso, possuíam uma divergência de estilos: enquanto Taketsuro preferia um estilo mais pesado, como o de um escocês turfado, Tori continuou com um estilo mais leve de whisky.

No ano seguinte, março de 1934, Taketsuru, que treinou o filho mais velho de Tori, depois de cumprir o acordo de permanência de no mínimo 10 anos, partiu do Kotobukiyá rumo à Hokkaido e fundou a Destilaria Yoichi em menção ao nome da cidade. Mais tarde mudaria o nome da empresa para Nikka que sustenta até os dias de hoje.


Durante a eterna briga dos dois, timidamente, surgiam outras destilarias como o Hombu em Kagoshima (sul do Japão), Karuizawa em Niigata, e Takara, em Fukushima.

Em 1963, Keizo Saji, filho de Tori, assumiu a presidência da Kotobukiyá e trocou o nome para Suntory, que é a soma de Sun = Sol e Tori, o sobrenome do fundador. Sun Tori = Suntory.



Em 1973, surgiram a Gotemba, criada pela Kirin/Seagram, e a Hakushu, maior destilaria de malte do mundo nos anos 80. A expansão das destilarias japonesas foi tão grande, que para garantir os suprimentos de Scotch para misturar nos blends nipônicos, a Nikka comprou a Ben Nevis na Escócia e a Takara absorveu a Tomatin, então maior destilaria de single malt da Escócia. A Suntory não ficou atrás, comprou Bowmore, Auchentoshan e Glen Garioch, na Escócia, e recentemente a Jim Beam, nos EUA.
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Curiosidade: diferentemente das destilarias na Escócia, as japonesas não trocam whiskies para a confecção de seus blends. Cada uma produz uma gama de whiskies com esse fim. A maior parte da produção vai para o mercado interno, e apenas cerca de 3% são exportados para os países do pacífico.

Tive a oportunidade de participar de uma degustação de whiskies japoneses em Campinas-SP em julho passado. Tenho de admitir que eles não devem em nada a seus inspiradores, os escoceses. Ótima qualidade, bem feito, bem acabado. E as garrafas parecem uma obra de arte. Quem ainda não experimentou, experimente. O único inconveniente ainda é o preço. O Japão possui uma política severa quanto à produção de bebidas alcoólicas, os impostos são altíssimos. Some-se a isto o fato de o Japão estar “do outro lado do mundo”, os custos com transporte também são elevados. Chegando ao Brasil, adivinhem: mais impostos e o lucro do importador. Tirando fora estes detalhes, o whisky japonês está num patamar elevado. Vale a pena.




Fontes: o atlas mundial do whisky; whisky; o livro do whisky; whisky de a a y; hashitag.com.br; cladowhisky.com.br; adegadesake.com.br

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Régua acelera processo de envelhecimento do whisky em apenas 24 horas

Um dia com o produto é equivalente a três anos de envelhecimento no método tradicional; projeto foi lançado em site de financiamento coletivo e já bateu meta inicial


Depois de um ano de desenvolvimento, centenas de amostras testadas e três fornos destruídos, o designer Tony Peniche lançou o Whiskey Element, um produto que promete acelerar o processo de envelhecimento do whisky.

A proposta do produto é para o usuário personalizar o sabor do whisky favorito, ao obter os efeitos de três anos de envelhecimento em apenas 24 horas. O projeto chamado Whiskey Elements foi lançado no site de financiamento coletivo Kickstarter e já ultrapassou a meta inicial de US$ 18 mil. Até às 13h de terça-feira, 14, mais de 2,8 mil pessoas já tinham apoiado o projeto com um total de mais de US$ 100 mil. A campanha segue até o dia 31 de outubro.

A ideia de criar o produto surgiu após uma visita a uma loja de bebidas e o questionamento da diferença entre os tipos de whisky. Como basicamente a qualidade da bebida está relacionada ao tempo de maturação e tipo de barril de carvalho utilizado, Peniche resolveu estudar uma forma de acelerar esse processo.


A solução envolve um pedaço de madeira com alguns cortes estrategicamente feitos para promover o melhor contato da madeira com a bebida. Para comprovar os efeitos do produto na bebida, a empresa realizou testes com whiskies populares e whiskies caros que mostraram a eficácia do Whiskey Element. Um par do produto pode ser comprado a partir de US$ 10 durante a campanha no Kickstarter.




Fonte: pme.estadao.com.br

domingo, 26 de outubro de 2014

Catedral do Whisky

Existe um lugar neste país onde você poderá orar para o seu Deus Etílico e esse lugar é a Catedral do Whisky.
A Catedral do Whisky é atualmente a maior coleção de whiskies, não só do Brasil, mas da América Latina, e é de propriedade do empresário José Roberto Briguenti. Fica localizada no interior de São Paulo, na cidade de Itatiba, cerca de 70 quilômetros da capital.


Briguenti afirma não beber whisky. Provavelmente esse seja o grande segredo de conseguir colecionar mais de 10.000 garrafas de whisky dentro da sua catedral especialmente para o destilado construída no seu sítio de campo.
Curioso é que o próprio Zé, como é chamado, diz que no início a coleção dele era mesmo de cachaça, mas como o whisky teria mais variedades e volume de garrafas, ele logo resolveu mudar de bebida.


São tantas raridades na sua coleção que fica difícil escolher as preferidas. Desde garrafas do período da Lei Seca Americana, que eram entregues como falsas receitas médicas, passando por latas de óleo e tinta onde eram colocados os whiskies para despistar.
Itens de luxo como uma coleção de 80 garrafas de cerâmica Royal Doulton com mais de 100 anos das marcas Watson’s e Dewar's estão bem guardados lá. Também se encontra a coleção de 32 garrafas da Old Crown Kentucky Bourbon, onde cada garrafa tem o formato de uma peça do jogo de xadrez.
E não são só garrafas que ele possui na Catedral. Sabonetes, mamadeiras, perfumes e sprays de whiskies estão no meio do caminho.


Para quem estiver de passagem por Itatiba, programe o seu passeio na Catedral do Whisky.


Vamos rezar.

Contato: catedral@catedraldowhisky.com.br


Fonte: mixologynews.com.br

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Expedição Whisky

Whisky com mais de 100 anos descoberto na Antártida

Imagine chegar num bar, apontar para uma garrafa de 100 anos de idade e pedir uma dose. Qual seria o valor dessa raridade?

O explorador Ernest Shackleton foi o responsável por “esquecer” as garrafas de um lendário whisky escocês, o Mackinlay, que hoje pertence ao grupo Whyte&Mackay. As garrafas foram descobertas dentro de uma caixa em uma antiga cabana usada pelos primeiros desbravadores da região polar. Acreditam que essas garrafas datem do ano de 1907 e que provavelmente o whisky foi destilado nos anos de 1896/1897.
As garrafas foram para a fábrica da empresa escocesa para minuciosa análise sensorial. O master blender Richard Paterson da Whyte&Mackay foi o responsável pela degustação das garrafas após seu descongelamento.


Sir Ernest Henry Shackleton foi um explorador polar que liderou três expedições britânicas à Antártida e uma das principais figuras do período conhecido como Idade Heroica da Exploração da Antártida.
A sua primeira experiência nas regiões polares foi como terceiro-oficial na Expedição Discovery, durante a qual foi enviado para casa mais cedo devido a problemas com escorbuto. Determinado a dar a volta a este insucesso pessoal, regressou à Antártida em 1907 à frente da Expedição Nimrod. Em Janeiro de 1909, ele e mais três companheiros efetuaram uma marcha para sul que estabeleceria uma nova marca Farthest South, a 180 km do Polo Sul. A sua viagem de regresso foi uma corrida contra o tempo devido à falta de alimentos – a ração diária passou a metade em quase todo o caminho. A certo ponto, Shackleton deu o seu único biscoito diário a Frank Wild, que escreveu no seu diário: "Todo o dinheiro que nunca foi cunhado, não teria sido suficiente para comprar aquele biscoito, e a recordação daquele sacrifício nunca mais me deixará". Mesmo com dificuldades, chegaram a tempo de apanhar o navio. Por esta conquista, Shackleton recebeu o título de cavaleiro pelo rei Eduardo VII quando regressou a casa.


As suas qualidades de liderança chamaram a atenção no início do século XXI. O seu caráter é resumido na última frase do livro Shackleton's Boat Journey de F A Worsley: "As suas características mais marcantes são o seu cuidado e atenção para com o bem-estar de todos os seus homens."
Nesta aventura, várias caixas contendo whisky foram deixadas para trás. Em 2010, foram recuperadas e enviadas para a destilaria White&Mackay, para serem analisadas e recriadas pelo mestre destilador Richard Paterson. A fórmula antiga para estas bebidas foi colocada à venda, sendo uma parte do valor arrecadado destinada a beneficiar o New Zealand Antarctic Heritage Trust, o qual descobriu as bebidas perdidas.
A recriação do whisky foi documentada pelo canal National Geographic e segue abaixo:



Fontes:mixologynews.com.br, wikipedia, youtube.com

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Whisky single malt é amadurecido durante 21 anos em barricas de carvalho americano. Cada garrafa custará cerca de R$ 1 mil

Voltado para paladares - e bolsos - exclusivos, o whisky single malt Glenfiddich 21 [anos] terá 100 garrafas de sua limitada edição de luxo disponível no Brasil.


Vencedor da medalha de ouro no Scotch Whisky Masters Awards 2012, o whisky em questão é amadurecido por 21 anos em barricas de carvalho norte-americano, e em seguida decantado e maturado em barris de rum do Caribe.
"É sem dúvida uma joia para os mais prestigiados paladares", diz Brian Kinsman, mestre destilador da marca escocesa.
Entre as características do destilado estão notas de baunilha, caramelo, couro, gengibre, especiarias e banana. Um livro que conta a história por trás do rótulo acompanha a caixa e o whisky. O kit estará disponível em lojas selecionadas em novembro, por cerca de R$ 1 mil.


Fonte: deles.ig.com.br

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Desvendando Nº 13: Highland Park 12 Anos

No Highland Park as ilhas revelam um dos melhores maltes do país


Destilaria de malte mais setentrional da Escócia, a Highland Park foi fundada em 1798 por Magnus Eunson: um homem que conseguia conciliar as atividades de pregador, durante o dia, e contrabandista, à noite.

O nome da destilaria não se refere à região produtora de whisky denominada Highlands, uma vez que a ilha de Orkney não faz parte desta região, mas sim do fato de ela utilizar água de duas nascentes que brotavam em High Park (“campos altos”). A fazenda de Magnus Eunson era localizada na “estrada do whisky” que seguia de Kirkwall a Holm. Embora tenha sido detido em 1813, Eunson nunca foi processado. Por outro lado, o oficial que o prendeu, John Robertson, prontamente comprou a propriedade de High Park, junto com a destilaria, e começou a destilar legalmente.

A destilaria foi ampliada e, em meados do século XIX, estava fornecendo matéria-prima para muitas das melhores casas de whisky, como Chivas, Gilbey, Haig, Ballantine e Dewar, bem como vendendo uma pequena parte de sua produção como single malt. Em 1895, James Grant, da Glenlivet, comprou a Highland Park e aumentou o número de alambiques para quatro. Tornou-se parte da carteira da Highland Distiller’s (atual Edrington Group) em 1936. Os proprietários investiram 18 milhões de libras na marca e tem planos ambiciosos de fazer a destilaria uma das dez maiores do mundo.


Em sua primeira encarnação, o Highland Park era produzido de forma peculiar, própria de Orkney. A cevada bere (a linhagem arcaica utilizada pelos primeiros destiladores) foi usada aqui por muito mais tempo do que em outras partes da Escócia. A destilaria também tinha uma “casa de urze”. Nela, buquês de flores secas de urze eram lançados dentro do forno, onde se pensava que a fumaça perfumada daria ao malte um toque aromático adicional. Esses dois fatores deram ao malte de Orkney um estilo e um sabor típicos.

Dos velhos métodos que resistem até hoje, estão os terreiros de maltagem da destilaria, que fornecem 20% do malte. A turfa de Orkney pode ter um grande impacto. Feita quase toda de urze decomposta, parece ser a chave do aroma extremamente evocativo do whisky. Toda a parte turfada do Highland Park é maltada e seca na própria destilaria (a proporção de fenóis é de 20 p.p.m.), o restante é trazido das fábricas de malte da Highland Distiller em Tamdhu.


Para a sua confecção, é usada levedura seca em um sistema de fermentação longa. A destilação é lenta. O resultado é um spirit novo que mescla teor defumado fragrante e um realce cítrico. É doce desde o início, e esta dança entre defumado, doçura, laranja e frutas ricas continua ao longo de todas as suas expressões. Às vezes a turfa domina, em outras a doçura sobressai, ao passo que o envelhecimento reúne estavelmente ambos os elementos em um volume compacto, denso, com mel. O equilíbrio é a chave.

Sua madeira está sob a observância do mestre da madeira George Espie, e desde 2004 não foram utilizados quaisquer tonéis de Bourbon nem feita qualquer coloração com caramelo. Esse é um whisky de tonéis de ex-xerez feitos com carvalho seco e amadurecido europeu e americano. Essa política de madeira dá coerência ao caráter, uma vez que esse é o maior desafio quando se tem sete expressões variando de 12 a 50 anos, sem acabamento.


Antiga e moderna ao mesmo tempo (é controlada por computador), a Highland Park produz um whisky que consegue combinar o melhor de todas as outras regiões da Escócia e fundi-las em um todo coerente. Em resumo, tem turfa, tem mel, tem laranja, uma doçura de calda de caramelo e uma profundidade rica de uvas-passas. Acima de tudo, é bem equilibrado.

Curiosidade: Highland Park é um dos maltes que compõem o blended The Famous Grouse.


O que pude perceber:
Aroma: turfoso, esfumaçado, forte, com um pouco de especiarias e também lembra um pouco de couro. É um aroma que fica no ar, bem cheiroso. Com gelo as características são mantidas, mas de uma forma abrandada, não aconselho. Com água, o aroma é liberado em sua plenitude. Eu diria que acrescentar algumas gotas faz toda a diferença. Dá para sentir um cheiro de fumaça, de defumado, mas bem suave. Dá para sentir também um aroma floral, diferente. Seriam as tais Urzes? Infelizmente não conheço uma para dizer. Para se ter uma ideia, demorei mais tempo cheirando este whisky do que bebendo. O aroma é viciante.
Paladar: bem encorpado, confirma a fumaça e as especiarias. Tem também a doçura do mel e um pouco de frutado. No início, há um leve formigamento na boca, depois seca. O final é bastante longo, seco e esfumaçado. Com gelo fica um pouco mais fresco. Sobressai um pouco mais o frutado. O acréscimo de água suaviza o sabor. Em minha opinião o gelo, e também a água (apesar da água abrir bem mais os aromas) dá uma camuflada no sabor, de modo que eu preferi apreciá-lo puro.

É um whisky maturado em barris de sherry da Espanha, possui a coloração natural, sem adição de caramelo. Em sua caixa, há uma explicação sucinta sobre a história do whisky e de como apreciá-lo, assim como as notas de degustação oficiais, ou seja, o que a destilaria espera que seja sentido ao degustar o whisky. E se prestarmos bem atenção, dá para sentir muita coisa do que está descrito ali. Realmente é um whisky que reúne várias características em uma só garrafa.

Comecei a gostar de whisky pelos blends e já mencionei o caminho que os apreciadores percorrem. Atualmente estou aqui, no single malt turfado, mas o turfado com equilíbrio, não muito forte. O Highland Park supre com louvor esta etapa. Uma pena que ele não seja encontrado aqui no Brasil, a não ser em lojas Duty Free nos aeroportos. Comprei o meu numa destas lojas a U$ 41,00, cerca de R$ 98,00. Não tenho ideia de quanto custaria se começasse a ser importado por alguém. O que posso dizer é que na Escócia ele é respeitado tanto quanto um Macallan, se não mais, uma vez que os escoceses tem uma preferência por whiskies turfados. E já sabem quanto custa um Macallan por aqui, não é? De qualquer forma, dos whiskies que já experimentei, tornou-se o meu favorito. Até agora.


HIGHLAND PARK 12 ANOS

Single Malt: Ilhas Teor Alc 40%

Este whisky vem sendo elogiado por sua qualidade. Há sabores macios de mel de urze, algumas notas temperadas mais ricas e um toque defumado de turfa que envolve toda a boca e torna o final bem seco.













Fontes: whisky, o livro do whisky, o atlas mundial do whisky, wikipedia