Whisky

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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Jack Daniel's aposta em versões saborizadas

Marca norte-americana quer conquistar espaço no incipiente segmento de whiskey com canela


Quando a Brown-Forman apresentou, há quatro anos, a primeira versão saborizada permanente de Jack Daniel's em seu portfólio, a Tennessee Honey, o lançamento contou com uma forte campanha nacional de TV estrelada pelo "King Bee". Já o lançamento da versão de canela Tennessee Fire está mais comedida. As garrafas estão disponíveis apenas em três estados – Oregon, Tennessee e Pennsylvania –, não há comerciais chamativos e o anunciante ainda está avaliando se a veiculação será nacional.

E por que o cuidado? “Estamos respeitando a marca Jack Daniel’s”, diz Casey Nelson, gerente sênior do portfolio de sabores da empresa. “Quanto mais você inovar em torno de uma certa ideia, há certos riscos associados”, complementa.



O executivo está preocupado com a canibalização, já que potencialmente Fire poderia roubar vendas significativas da versão regular de Jack e da Jack Honey ao invés de atrair novos consumidores.


De acordo com Nelson, Honey registrou baixos índices de canibalização, uma vez que atraiu mais mulheres, afro-americanos e hispânicos. “No entanto, há certamente mais riscos quando você adiciona um segundo sabor”, aponta. As vendas nos três estados permitirão um estudo mais aprofundado dessa tendência sem o salgado investimento de um lançamento nacional.


A meta da companhia é conquistar uma participação da categoria de whiskeys de canela, que está surgindo como uma tendência de bebidas para consumo em shot. O segmento é liderado pela Fireball, da Sazerac, de Louisiana.


A marca se apoia em ações nas redes sociais, usa o slogan "Tastes Like Heaven. Burns Like Hell" e imagens que remetem ao diabo. As vendas de Fireball passaram de 450 mil caixas, em 2011, para quase 1,9 milhão de caixas no ano passado, o que inclui um salto de 1 milhão de caixas apenas em 2013, segundo a Shanken News Daily.


Mark D. Swartzberg, analista da Stifel, informou recentemente que Fireball controla aproximadamente 80% do mercado de whiskey saborizado com canela. No mercado geral, Fireball está na quarta posição nas vendas em lojas (não inclui bares) com 4% de participação e vendas de US$ 67 milhões. Jack Daniel's é a marca número um com 12% de participação e US$ 201 milhões em vendas.

Os bebedores da geração millennial estão puxando o crescimento de Fireball e tornando a marca uma tendência, aponta Emily Pennington, editora da Wine & Spirits Daily. "Mas é chocante para mim como várias pessoas de outras gerações estão tomando shots de Fireball”.

Jack Daniel's Tennessee Fire, segundo a editora, é definitivamente espelhado em Fireball. Questionada sobre as chances de Jack no segmento, ela lembrou que a empresa não foi a primeira marca a ter uma versão com sabor de mel, mas que acabou dominando o segmento. "Eu certamente acho que ele tem uma chance de dar uma mordida na Fireball”.



Tennessee Fire também tem apostado nas redes sociais e em ações nos pontos de venda. Durante o lançamento no início do mês, a marca estimulou os fãs a espalhar a novidade com a hashtag #JackFire. Os materiais de ponto de venda apresentam o slogan “Tonight. Two Words. Jack Fire". As agências envolvidas no trabalho são a Arnold Worldwide, de Boston, na parte cirativa; a FCB, de Chicago, na ativação, e a Code and Theory, de New York, nas mídias digitais.


Fonte: meioemensagem.com.br

domingo, 7 de setembro de 2014

Jack Daniel’s Tennessee Honey, o whiskey com mel chega ao Brasil

Produto foi lançado há quatro anos nos Estados Unidos, onde já teve mais de 1 milhão de caixas vendidas


Assim como aconteceu com o universo das vodcas saborizadas, uma das marcas mais famosas de whiskey mundial decidiu lançar no Brasil sua versão mais suave e adocicada. Depois de quatro anos de seu lançamento nos Estados Unidos e já com mais de 1 milhão de caixas vendidas chega por aqui o Jack Honey, uma mistura do tradicional Old Nº 7 com leve toque de mel.

Para começar é bom lembrar a todos apreciadores de Jack de plantão que esta bebida não é Tennessee Whiskey nem Whiskey, é um Honey Liqueur Blended with Jack Daniel’s Tennessee Whiskey como aparece no rótulo da garrafa. Traduzindo:  é uma bebida composta pois não pode ser enquadrada na lei que regula a produção de whiskey norte-americano.


O rótulo com licor de mel tem 35% de graduação alcoólica e conta com notas de castanha tostada, chocolate e caramelo. Indicada para ser consumida gelada ou em drinks, seu objetivo é atingir um público que não gosta do sabor forte do destilado e para ocasiões mais informais, como festas, baladas ou até um clima de praia.

Esta nova mistura Jack & Honey vem seguindo uma tendência mundial de incluir outros ingredientes na produção do whiskey (produzido nos Estados Unidos) e até mesmo do whisky (produzido na Escócia e outros países). A ideia é aumentar o consumo e buscar o público feminino e mais jovem.

Dê um zoom na imagem e você irá se surpreender
“A percepção mais adocicada e a graduação alcoólica mais baixa tornam a bebida com mel mais apropriada para novas ocasiões de consumo, como em um coquetel, gelada ou em um shot, como se faz com tequila”, afirma Gustavo Zerbini, diretor de marketing e vendas da Brown-Forman, dona da marca Jack Daniel’s.

Para marcar o lançamento, a Brown-Forman preparou uma série de atividades para seus consumidores conhecerem melhor esta novidade. A campanha chamada “A Little Bit of Honey. A whole lot of Jack” vai contar com ações em pontos de venda, campanha digital e em cinemas.



Por enquanto, a venda acontece somente no estado de São Paulo, com o preço sugerido de R$ 105,90, mesmo preço do Old Nº 7. Vale a pena ter em casa para agradar os paladares femininos.




Fontes: manualdohomemmoderno.com.br, pautasdeguarda.com.br, boadiversao.com.br

sábado, 6 de setembro de 2014

Desvendando Nº 11: Dewar's 12 Anos

Dewar's é um whisky encorpado e suave. O envelhecimento por 12 anos em barris de carvalho garante a finalização redonda e balanceada desta bebida.


Hoje não terá história para contar, tudo que havia para falar sobre Dewar’s já foi dito em Aberfeldy e Dewar’s White Label, de modo que vamos direto para as impressões sobre o Dewar’s 12 Anos, um blended bem interessante

O que pude perceber:
Aroma: floral, esfumaçado, percebe-se bem o malte e caramelo. Dá para sentir também notas de maçã, baunilha e carvalho. Com água, revela um aroma mais doce e agora um pouco frutado. Com uma pedra de gelo fica mais perfumado.
Paladar: no início sente-se um pouco, mas muito pouco, de álcool. O álcool logo some e dá lugar a um gosto bem floral e seco. É quente, picante. A boca formiga um pouco mas não é ardido. Possui um retro gosto de médio para longo. Adicionando um pouco de água fica mais suave e predomina um sabor de açúcar queimado com frutas. Com gelo, ficou mais fresco e mais suave. Continuam as notas de mel e de carvalho.

A cor lembra mel. Com o gelo, revelou a mesma cor de ouro do Cardhu. Possui uma textura de médio para encorpado. Enquanto degustava, ficava observando as gotas escorrerem pela lateral do copo. Estas gotas que escorrem são chamadas de pernas do whisky. Se escorrem devagar, indicam um whisky encorpado, caso contrário, se escorrem rápido, indicam um whisky não encorpado. É um whisky complexo, bom de ser apreciado e descobrir suas nuances.


Uma curiosidade deste whisky, e que contribui para sua compexidade, é que ele é maturado duas vezes. Este processo é chamado de Double Aged. Como funciona: após ser composto por whiskies de malte e de grãos envelhecidos por no mínimo 12 anos, a mistura é colocada em barris de carvalho para maturar por mais seis meses, de modo a realizar um casamento perfeito dos sabores. Talvez até mesmo por isso as notas de carvalho sejam bem acentuadas, sobressaindo um pouco. Realmente é um blended bem interessante, muito bom. Recomendo.

Quando fiz as degustações dos Hankey Bannister (Original e Regency) havia falado que a versão mais jovem, Original, sobrepujava a mais velha, Regency. No caso dos Dewar’s isto não acontece. A versão 12 anos dá uma surra no seu irmão mais novo, o White Label. Para não deixar a tradição de lado, vamos ao preço: no Duty Free paguei incríveis U$ 18,95 pela garrafa, ou seja, cerca de R$ 43,50. Nunca no mercado brasileiro encontraremos este preço. Por aqui está na faixa de R$ 105,00. Até a próxima.

Slainte!!!


Dewar’s 12 Anos

Blend Teor Alc 40%

Adocicado e floral. Um blend completo e rico, com mel, caramelo e notas de alcaçuz no final longo.













Posts relacionados: Aberfeldy
                                Dewar's White Label

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Beckham sela acordo para promover whisky escocês

Craque britânico irá emprestar sua imagem para dar visibilidade a nova marca

O ex-jogador inglês, David Beckham, irá emprestar sua imagem global na ativação de uma nova marca de whisky escocês fabricado pela Diageo. Beckham assinou contrato para ser o embaixador da marca durante a fase de lançamento mundial do Haig Individual Clube Grain Scotch Whisky.

A empresa, em comunicado distribuído à imprensa, salientou que o astro inglês terá "um papel fundamental no desenvolvimento da marca, sua estratégia e posicionamento".

David Beckham está prestes a fechar um acordo de parceria para iniciar a construção, em Miami, de um estádio para sua franquia na Major League Soccer  (a liga americana de futebol). O hoje jogador aposentado irá capitanear a promoção do programa de consumo responsável deenvolvido pelo Haig Club.

A associação do ex-jogador da seleção inglesa com a Haig incrementa o já numeroso portfólio de marcas ostentado pelo astro inglês: a fabricante de carros esportivos Jaguar, o grupo de mídia Sky, o fabricante de relógios suíços  Breitling, a grife de luxo italiana Georgio Armani, a fornecedora de material esportivo alemã  Adidas, a fabricante de eletro-eletrônicos sul-coreana ,Samsung, a indústria de bebidas americana Pepsiso, o Burger King, H & M, e Sainsbury.

O ex-capitão do English Team também é contratado pela Federação Chinesa de Futebol para promover o futebol daquele país asiático pelo mundo afora.


- A Haig tem uma história rica e tenho orgulho de estar trabalhando no coração de uma marca que construiu um patrimônio incrível, com mais de 400 anos de tradição. Estou ansioso para colaborar com a Haig Club, valorizando a sua tradição de reinventar o uísque para os próximos anos - declarou o ex-jogador.

David Gates, chefe global da Diageo, optou por destacar a tradição e o conhecimento da marca na arte de fabricar destilados de qualidade.
- O whisky está experimentando um renascimento mundial. Acreditamos que este será o ano do whisky - resumiu, salientando, a tradição da empresa que controla.
- A Diageo tem um histórico comprovado. Aplicamos nosso conhecimento através da Casa de Haig e criamos um whisky sofisticado como o Haig Club - concluiu o executivo da Diageo.


Fonte: lancenet.com.br

sábado, 30 de agosto de 2014

Turfa

No post sobre maltagem havia dito que o assunto turfa, no processo de secagem do malte, seria visto com muito mais cuidado em outro momento. A turfa merece um capítulo à parte, pois é responsável por alguns dos sabores mais intensos do whisky.

Quando se usa a turfa para a secagem do malte ele é normalmente retirado do piso de maltagem e transferido para um forno, onde é espalhado sobre uma superfície perfurada de metal ou cerâmica, por cima de uma fogueira de turfa. A turfa é usada porque impregna a cevada com sua fumaça de aroma e sabor característicos. O melhor momento é o primeiro estágio da secagem do malte verde porque a fumaça só adere aos grãos enquanto o malte ainda está úmido e pegajoso.

Dentre os aromas e sabores mais característicos e assertivos do whisky escocês  está o de turfa.  De modo geral, os whiskies escoceses se tornaram muito menos turfosos nas últimas décadas do século XX, à medida que fontes alternativas de combustível foram desenvolvidas. Porém, algumas destilarias retornaram à tradição.
O retorno da turfa é um reflexo do interesse dos aficionados.  Os aromas e sabores desse composto orgânico, terrosos, fuliginosos, defumados, com notas de alcatrão, em geral bastante secos, podem ser tão viciantes para os amantes de malte quanto desafiadores para os iniciantes ou os bebedores ocasionais. Perceber a turfa no whisky é sentir o perfume e o gosto do solo da Escócia.

Após a Pequena Era Glacial, que teve início por volta de 1300, restaram poucas árvores nas Terras Altas da Escócia. Porém, havia pântanos de turfas. A turfa era o combustível das Terras Altas e continua a ser empregada em algumas regiões para uso doméstico e na secagem do malte e funcionamento de alambiques. As Lowlands são a parte menos turfosa da Escócia, embora sejam notáveis suas turfeiras elevadas. As Highlands tem charnecas turfosas e turfeiras de coberta, enquanto as ilhas revelam os terrenos mais turfosos, especialmente Orkney e Islay. Alguns pântanos de turfas podem ter 10 mil anos e chegam a mais de 9 metros de profundidade. Extensões amplas da região de Islay são cobertas por pântanos de turfas.


Água corre sobre a turfa a caminho da fábrica de malte, onde pode transferir alguns de seus aromas típicos durante o processo de infusão dos grãos. Uma influência muito mais importante se dá quando a turfa é utilizada como combustível no forno onde o cereal é seco. Aqui as técnicas variam, e tanto a duração como a intensidade do processo influenciam o resultado final. É importante considerar que a fumaça será absorvida pelos grãos enquanto sua superfície estiver úmida. Isso significa que o calor do forno dever ser brando o suficiente para obter o nível exigido de exposição à turfa antes que os grãos percam sua umidade.


Muitos dos componentes que conferem sabor ao whisky não são encontrados na turfa propriamente dita, mas são produzidos dessa queima. Entre estes componentes estão os fenóis. Fenóis são as substâncias que dão sabores defumados ou medicinais ao malte e ao whisky. Os níveis de exposição à turfa são indicados pelo percentual de fenol mensurado em partes por milhão (ppm). Um malte levemente turfado tem de 2 a 10 ppm, enquanto um estilo fortemente turfado pode alcançar de 50 a 60 ppm.  Whiskies com sabor forte de turfas, como o Lagavulin e o Laphroaig, têm cerca de 35 ppm de fenóis. O Ardbeg tem aproximadamente 50 ppm. Com uma concentração de 167 ppm, o Octomore, lançamento de edição limitada da Bruichladdich, é o whisky que possui o mais forte sabor de turfas.


Mas, afinal, o que é turfa? A turfa é vegetação decomposta ao longo de milhares de anos pela água e parcialmente carbonizada por alterações químicas, normalmente encontrada em áreas alagadiças. Após milhões de anos, se submetida a condições de calor e pressão, a turfa acabaria por se tornar carvão. Para que a turfa se desenvolva, o clima deve ser frio e úmido e o solo precisa ser pouco oxigenado, com drenagem ruim. Ao se decompor, a vegetação se encharca e afunda, formando camadas. Turfeiras e áreas pantanosas cobrem de 5% a 8% da massa terrestre do mundo, 90% delas ficam nos climas temperados e frios do hemisfério norte. Na Escócia, as turfeiras abrangem mais de 1 milhão de hectares, ou 12% da superfície total.


As turfeiras de coberta, que receberam esse nome por sua tendência a se espalhar sobre amplas áreas, são a fonte mais importante de turfa para a indústria do whisky, e para o fornecimento de turfa na Escócia em geral.

Tudo que é preciso para “ganhar” a turfa, como se diz, é uma pá, para retirar a superfície; uma ferramenta chamada fal, como uma garra para cortar a turfa; e um forcado para erguer a turfa até a margem, para secar. Hoje, grande parte da extração é feita por máquinas. As máquinas são puxadas por tratores e cortam a turfa na profundidade exigida com uma serra circular ou uma motosserra. O corte manual da turfa é o método tradicional de extração.

Antes que se possa manipular a turfa, ela precisa secar naturalmente. A turfa retirada com máquina requer cerca de um mês, enquanto a turfa cortada manualmente precisa de duas semanas a mais.


As espécies vegetais presentes na turfa contribuem para determinar a influência que ela terá sobre o whisky. A vegetação varia de um lugar para o outro, mas normalmente inclui musgos, ciperáceas, urze e junco. Embora o musgo e a urze sejam os dois componentes mais comuns, entre as outras plantas que contribuem para seu caráter estão a Molina Caerulea, um tipo de capim alto e ereto com flores roxas, o Alecrim-do-Norte, com folhas e coroas muito aromáticas, a Uva-Ursina, um pequeno arbusto com folhas sempre verdes e o Pinheiro Escocês.

Mas, nenhuma outra região produtora de whisky é mais associada à turfa do que Islay, que possui abundantes reservas de onde tirar a sua. Em Islay (e em outros lugares das Terras Altas), a água corre através das turfas e tem cor de chá. Embora os whiskies de algumas destilarias da ilha quase não mostrem qualquer vestígio de turfa, outros se tornaram lendas internacionais pelo caráter turfoso.

Apesar de ser encontrada fora da Escócia, a turfa é raramente empregada na produção de whisky em outras partes do mundo. A Irlanda, rica em turfeiras, abandonou o uso da turfa na época em que a produção de whiskey mudou-se do campo para as cidades, pois era um combustível ineficiente. No Japão, utiliza-se às vezes malte turfado nos whiskies, contudo a maior parte é importada de fábricas de malte da Escócia, que usaram turfa escocesa.


A exposição do malte à turfa acrescenta uma gama de compostos fenólicos para além das notas turfosas e defumadas, incluindo alcatrão, brasa, fogueira, sabão carbólico e um caráter marinho. A turfa da costa apresenta aromas salgados de beira-mar em consonância com o ambiente marinho que a formou.


A turfa antigamente era bastante usada, mas como o carvão acabou se tornando mais disponível com o crescimento do transporte ferroviário, a indústria seguiu a tendência e passou a criar whiskies menos defumados. Em algumas ilhas, como Islay e Skye, a transição para o carvão não aconteceu tão rapidamente, e o uso da turfa prosseguiu. Para a maioria dos destilados produzidos nas ilhas, essa ainda é a norma, ou seja, a secagem da cevada é realizada em fornos típicos ou em pátios de secagem maiores.

Para o meu paladar, prefiro os whiskies que são levemente turfados. Acho que a turfa entrega um sabor marcante, distintivo. Mas deve ter uma medida certa, caso contrário, torna-se muito forte e acaba sendo a protagonista da bebida, camuflando outros aromas e sabores. Tive a oportunidade de degustar um destes exemplares altamente turfados, o Ardbeg 10 anos. 


Não é para iniciantes. Mesmo quem já está acostumado com whiskies turfados sofre um baque quando experimenta este ícone de Islay. No olfato, a primeira impressão é a de cheirar um cinzeiro cheio de bituca de cigarro. No paladar, a impressão é a de lamber este cinzeiro. É possível, após algum tempo, perceber a complexidade do whisky e desvendar outros aromas e sabores por trás do defumado. No entanto, este é que predomina. Como a turfa mereceu um capítulo à parte, este whisky também merece. Iremos falar sobre ele mais adiante. Até a próxima.

Post relacionado: Maltagem


Fontes: o livro do whisky, whisky de a a y, whisky, wikipedia


sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Desvendando Nº 10: Dewar’s White Label


John Dewar nasceu perto de Aberfeldy, em Perthshire, em 1806. Ao sair da escola, trabalhou como aprendiz de carpinteiro em Weem, e cinco anos depois retornou a Aberfeldy para trabalhar com seu irmão James em sua marcenaria. Dois anos depois, foi a Perth para trabalhar com seu tio James Macdonald em seu negócio de bebidas. Após a morte de MacDonald, em 1837, John se tornou um dos sócios e ali permaneceu até 1846, quando decidiu montar seu próprio negócio de vinhos e destilados em Perth.

A empresa cresceu e em 1860 contratou seu primeiro caixeiro-viajante. Em 1871, aos 15 anos, o filho mais velho de John (que tinha o mesmo nome) se juntou à empresa, para, oito anos mais tarde, se tornar sócio. John pai não estava bem nessa época e morreu em 1880, aos 74 anos. O filho assumiu o controle da companhia e pediu ao irmão mais novo, Thomas (Tommy), que à época trabalhava numa destilaria de Leith, que se juntasse a ele. Tommy se tornou sócio em 1885.


Os irmãos estavam prestes a transformar a pequena loja do pai em uma empresa pública. Tommy foi para Londres, para abrir escritórios; passou a viajar pelo mundo e documentou suas viagens de negócios no livro A Ramble Round the Globe (sem edição em português). A empresa foi agraciada pela rainha Vitória com o título real e o tem mantido desde então.

Ao ser comprada pela Bacardi, em 1988, a Dewar’s foi revigorada. A marca foi renovada e investimentos consideráveis foram feitos em todo o negócio. Produtos novos foram desenvolvidos, visando o crescimento do White Label, um dos blends escoceses que mais vendem nos EUA. O primeiro foi uma expressão de 12 anos, Special Reserve, seguida do engarrafamento 18 anos Fouder’s Reserve e de um ultra-premium conhecido como Signature.


O Dewar’s White Label foi criado pelo primeiro misturador da companhia, A. J. Cameron, em 1906. Há cerca de 40 tipos diferentes de whiskies de malte e grão em sua composição, e o puro malte Aberfeldy é o principal ingrediente. Outros single malts do grupo – Aultmore, Craigellachie, Royal Brackla e, em uma proporção menor, MacDuff – também são usados. Embora não esteja disponível em todas as partes do Reino Unido, sua presença é dominante nos EUA. Além disso, é importante em alguns mercados europeus e está em desenvolvimento na Ásia.

A Bacardi expandiu a distribuição global do Dewar’s e fez com que o perfil da marca crescesse ao intensificar os anúncios e o marketing. Os padrões da produção permaneceram altos, e alguns afirmam que houve uma melhora na qualidade do blend. Isso fez com que atingisse a quinta posição entre os blends mais vendidos no mundo.



O que pude perceber:
Aroma: malte, levemente defumado. Um pouco de mel e baunilha. Com um pouco de água fica um pouco mais adocicado, puxando para açúcar mascavo ao mesmo tempo que intensifica o aroma de malte. Apresentou mais um aroma de fundo, de especiarias, que eu não soube identificar quais. Após o whisky descansar um pouco no copo, dá para sentir bem mais o defumado. Este acréscimo de água liberou bem mais o esfumaçado do whisky. Acrescentando uma pedra de gelo ficou mais cítrico.
Paladar: leve dormência na boca. Final seco e um pouco prolongado. Não é amargo, pelo contrário, confirma na boca um pouco da doçura do mel sentido no aroma. A adição de um pouco de água deixou o whisky um pouco cítrico, mas também dá para sentir o sabor levemente esfumaçado. Continua o formigamento na boca e o retrogosto continua um pouco longo. Com gelo ficou mais fresco e mais suave. O ardor da boca diminui e sente-se o sabor de pera madura.

É um whisky levemente encorpado, não muito forte, mas agride um pouco com o álcool no início. É um daqueles que se deve achar o ponto certo para beber. Achando este ponto, torna-se uma bebida bastante saborosa e agradável, principalmente para aqueles que, como eu, apreciam um whisky um pouco defumado (na próxima matéria iremos falar um pouco sobre a turfa). É um whisky honesto, entrega o que se espera de um bom blend standard e tem um bom custo-benefício, podendo ser encontrado na faixa dos R$ 65,00. Encontrei o meu no Pão de Açúcar a R$ 39,99.


Dewar’s White Label

Blend Teor Alc 40%


Doce e urze no nariz. Levemente encorpado, fresco, com características de malte, algumas especiarias. Um final limpo e um pouco seco.









Saúde.

Post relacionado: Aberfeldy


Fontes: dewars.com, whisky de a a y, o livro do whisky

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Fã de uísque paga mais de R$ 11 mil por caixão em forma de garrafa

Depois de ver oito colegas do Exército serem mortos durante a Guerra do Iraque, o ex-soldado britânico Anto Wickham, 48, começou a planejar seu próprio funeral e, para tornar o clima mais "alegre", encomendou um caixão no formato de uma garrafa do uísque Jack Daniels. 
Wickham, que mora em Belfast, na Irlanda do Norte, pagou 3.000 libras (cerca de R$ 11.425) a uma empresa funerária para construir a réplica da garrafa, com 3 metros de comprimento.
"Em um período de 28 dias no Iraque, em fevereiro de 2007, fui atacado 74 vezes e houve dias em que sofria três ou quatro ataques em um dia", disse Wickham, que serviu no Regimento Real Irlandês por 22 anos.
"Perdi oito colegas. Chegou um momento em que pensei que deveria planejar meu funeral porque algo podia dar errado. Eu não queria um enterro normal, tinha que ser uma celebração da vida, já que estive em muitos funerais de colegas que foram ocasiões muito tristes", explicou o ex-soldado. "Eu queria algo completamente diferente e decidi por esse caixão, pensando no meu drinque favorito, Jack Daniel's."

Assistindo a um programa de televisão, o ex-soldado conheceu a a empresa Crazy Coffins (Caixões Loucos) e decidiu encomendar sua "garrafa". Na última semana, ele voou do Afeganistão, onde trabalha atualmente em uma empresa de segurança privada, para a Irlanda, para ver como ficou sua encomenda.
"Meus amigos veem o lado engraçado, mas minha mãe e meus avós não gostaram muito", disse Wickham. "Também vou procurar a Guinness (fabricante irlandesa de cervejas) para ver se eles podem transportar meu caixão no dia do velório em uma de suas vans de entrega", planeja.
E você? Está preparado para ser enterrado na garrafa de seu whisky favorito?


Fonte: uol.com.br