A desvantagem de ser uma
grande marca é que os aficionados podem deixar de notar a linha
inteira. Ainda assim, existe tanta criatividade nas duas destilarias
de Beam em Clermont e Boston quanto em qualquer outra fábrica.
Nesta versão, os
fabricantes optaram por uma bebida com 45% ABV e turbinada pela
adição do próprio espírito absorvido pela madeira. Seria a bebida
do próprio diabo?
O que pude perceber:
Características: cor
âmbar, encorpado.
Aroma: doce, caramelo,
baunilha, madeira. Uma nota de chamuscado é bem proeminente. Bala
toffee. Mel. Açúcar mascavo, puxando mais para rapadura. Pão de
centeio. Nenhuma evidência de álcool apesar de seus 45% ABV. Com a
adição de um pouco de água, evidencia o amadeirado e a baunilha.
Fica um pouco mais suave. Surge um aroma terroso e esta adição de
água dá uma arredondada no whiskey.
Paladar: baunilha,
madeira, mel, toffee, uma certa picância, deixa um ardidinho na
boca. A finalização é de açúcar mascavo. No paladar, o álcool
não é evidente, assim como não foi no aroma. Melaço. Um pouco de
centeio. A água adicionada ao whiskey deixa transparecer um certo
frutado. A finalização continua quente, com açúcar mascavo.
Whiskey interessante e
intrigante. Lançado em 2011, é composto por 77% de milho, 13% de
centeio e 10% de cevada maltada, ainda assim não entrega muita
evidência do milho. Também não é muito doce. E a curiosidade fica
em cima de seu processo de fabricação, onde é extraída até a
última gota de whiskey entranhada nos veios da madeira dos barris,
onde permaneceram escondidas por cerca de 6 anos.
Este whiskey “a mais”
foi batizado de Devil's Cut, ou a “parte do demônio”, em
contrapartida ao Angel's Share, “parte dos anjos”. Enquanto o
Angel's Share é o álcool que evapora durante o processo de
envelhecimento, o Devil's Cut é o álcool que se esconde nas
ranhuras da madeira.
O processo de extração
do whiskey entranhado na madeira, chamado de “suar o barril”,
consiste em encher os barris de água desmineralizada e ir girando
por meios mecânicos. O whiskey irá se misturar à água. Depois,
esta mesma água será usada para realizar o corte do destilado, ou
seja, reduzir seu ABV para 45%. Este processo acaba por deixar a
bebida com um sabor mais amadeirado e mais abaunilhado também, por
conter líquido de extremo contato com a madeira. Segundo a Jim Beam,
consegue-se extrair até 2 litros de whiskey dos veios da madeira.
Para quem está querendo
fugir dos bourbons extremamente doces e convencionais, este é uma
excelente pedida para experimentar. O whiskey em si entrega bastante
sabor. Apesar também do marketing em cima do processo de extração
do líquido entranhado na madeira, há que se reconhecer que existe
sim um sabor e aromas diferenciados nesta bebida, o que é mais um
apelo para ser conhecido.
Jim Beam Devil's Cut
Bourbon Teor Alc 45%
Aroma de madeira com
espessa camada de caramelo, nozes tostadas, frutas cítricas maduras
e uma adstringência suave. No paladar, carvalho e caramelo batalham
entre si ganhando um toque de canela. A noz do nariz aparece
juntamente com algumas frutas escuras e couro. No fundo, baunilha.



