Whisky

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sábado, 3 de novembro de 2018

Desvendando Nº 92: Jim Beam Choice



Disponível em mais de 130 países em todo o mundo, Jim Beam não é apenas o Bourbon mais vendido do mundo, é o whiskey americano mais vendido na Europa oriental, o número um de todos os tipos na Alemanha e a bebida alcoólica destilada número um na Austrália, segundo maior mercado mundial de Bourbon. Atualmente a empresa possui três destilarias localizadas nas cidades de Clermont, Boston e Frankfort, todas no estado do Kentucky.

Este Bourbon em particular, apresenta profunda cor de mel, é maduro, foi filtrado em carvão antes de ser engarrafado, o que lhe acrescenta complexidade, profundidade, suavidade e um delicioso sabor esfumaçado. Mais um ano de envelhecimento permitiu que o bourbon assumisse um gosto mais doce, mais cremoso e é ótimo para fazer parte de qualquer cocktail.


O que pude perceber:
Características: âmbar escuro, médio corpo.
Aroma: caramelo doce e baunilha. Mentolado, com um frutado de laranjas. Um pouco floral e amadeirado sutil. A adição de um pouco de água parece deixar o aroma com ainda mais caramelo. Além do amadeirado e da baunilha, agora aparecem biscoitos de maisena. Com uma pedra de gelo, predominam o mentolado, o herbal e a baunilha. O doce do caramelo persiste. Fica um whiskey com uma sensação de refrescância.
Paladar: frutado, baunilha, caramelo, confirma o mentolado sentido no aroma e aparece uma certa picância, bem leve e sutil. O amadeirado está bem presente. Não é tão doce no paladar quanto se faz parecer no aroma. Com um pouco de água, madeira e baunilha é que dão o tom, finalizando com o caramelo. Nada de picância desta vez, a não ser no retro-gosto. Fica um pouco aguado com a adição da água uma vez que não é um whiskey muito encorpado, embora tenha passado esta impressão ao analisar as lágrimas escorrerem durante a observação de suas características. A adição de uma pedra de gelo fez com que o whiskey perdesse um pouco de suas qualidades, amargando um pouco. A picância voltou, mas de forma desequilibrada. O gelo não ajudou, não agradou.

Whiskey que foi concebido e produzido com o mesmo sistema de produção do Jack Daniel's Nº 7, ou seja, com a filtragem a carvão, como os Tenessee Whiskeys.


O nome Choice é originário do que seria o whiskey preferido do Master Distiller da Jim Beam. Mandado escolher o seu preferido dentre os whiskeys do portfólio da marca, ele teria escolhido esta expressão. Daí o nome Choice, escolha em português.

É amadurecido por 5 anos em barris de carvalho americano novos e sua comparação com o Jack Daniel's Nº 7 é inevitável, uma vez que ambos são fabricados utilizando-se o mesmo processo. O Choice é um pouco mais escuro, talvez pelo tempo maior de barrica. São 5 anos, contra 4, em média, do JD. Ambos são parecidos no aroma, com uma leve vantagem para o JD, que é melhor estruturado e as notas se casam melhor. Já no sabor, há um toque de picância que destaca o JB. Colocando água ou gelo, acho que desestrutura tudo.


No final das contas, acho que o velho Jack ganha pelo know how, mas, o JB não deixa de ser interessante, tanto para experimentar um whiskey que utiliza também um processo que ficou famoso, como para fazer, justamente, esta comparação, de quem leva a melhor.




Jim Beam Choice

Tennessee Whiskey Teor Alc: 40%

O Jim Beam Choice é filtrado no estilo dos whiskeys do Tennessee após a maturação e tem uma personalidade macia e sedosa, além de mais notas carameladas que qualquer outra expressão Jim Beam.

sábado, 20 de outubro de 2018

Desvendando Nº 91: Bowmore 12 Anos (old)



No post anterior analisamos o Bowmore 12 anos na versão vendida atualmente. Hoje, iremos analisar a versão mais antiga, produzida na década de 1990. E não é só a garrafa que muda.

O que pude perceber:
Características: âmbar, médio corpo.
Aroma: frutado, frutas vermelhas secas, ameixa, um leve adocicado, algo salgado, fumaça de turfa sutil, cereais, gramíneas, malte, um certo mentolado e uma baunilha bem sutil. Chocolate branco, algumas notas condimentadas, um tempero discreto, uvas passas, amadeirado característico do xerez e nada, absolutamente nada de álcool. A adição de um pouco de água faz com que dê uma equalizada no aroma. Predominam agora os aromas mais adocicados como baunilha, caramelo e cereais. Os condimentos desaparecem e a fumaça fica mais sutil. A característica marcante é a de um whisky adocicado.
Paladar: confirma no paladar o sentido no aroma, com notas frutadas, frutas cítricas, ameixa, malte. Doce e salgado se misturam. Caramelo, amadeirado, condimentado na medida certa e finaliza com a fumaça de turfa característica, com um pouco de especiarias, dando um toque picante suave. Mais uma vez, nada de álcool. Com um pouco de água, baunilha, cereais, surge um certo amadeirado e finaliza com turfa e especiarias. Bem menos notas que anteriormente, quando experimentado puro. A finalização, no entanto, torna-se longa, seu sabor permanece por um bom tempo em boca.

Whisky que, se continuar fazendo o exercício de ir por mais tempo só sentindo os aromas, muita coisa vai aparecendo. No paladar, não há uma explosão de sabores como há ao sentir o aroma, mas é uma bebida bem estruturada, bem balanceada. Talvez por isso as notas no paladar se mostrem bem discretas, uma não se sobressai sobre a outra, a não ser o adocicado e o salgado que se destacam, além da finalização com a turfa.


Whisky simplesmente formidável e que mudou de vez minha visão sobre whiskies turfados. Tanto que comprei mais duas garrafas deste exemplar que me surpreendeu bastante. Excelente whisky para pessoas que, assim como eu, gosta de uma fumaça no whisky mas não de forma exagerada como podemos perceber nos whiskies conhecidamente turfados.

Para quem quer adentrar no mundo da turfa, recomendo plenamente este whisky. Para quem já é acostumado, irá perceber como este whisky é bem estruturado e redondo. Agradável e fácil de beber, tem de se tomar um certo cuidado para não exagerar na dose.

Comparando a versão atual com a antiga dá para dizer que esta versão mais antiga leva uma pequena vantagem. Pode ser que venha do processo de destilação ou dos próprios barris utilizados, o que é mais provável, mas ambos são muito bons. A Bowmore se orgulha de ser uma das destilarias mais antigas da Escócia e por manter o padrão de destilação desde os tempos mais antigos, sempre primando pela qualidade de seus whiskies, de forma que, por esta razão, acredito ser mesmo a qualidade dos barris a responsável pela diferença de sabores entre as duas versões analisadas.

Nunca fui de comprar várias garrafas de um mesmo whisky, dando preferência para a aquisição de garrafas novas e diferentes. Abri uma exceção para a família Bowmore. Vale a pena.




Bowmore 12 Anos

Single Malt: Islay Teor Alc 40%

Aromático e suave, com uma mistura de frutas cítricas e algo defumado no nariz, que se prolonga até a língua, juntamente com um pouco de chocolate preto.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

A Bíblia do Whisky 2019, os Vencedores




É chegado o momento novamente: Whisky Bible 2019 de Jim Murray está chegando com os melhores whiskies do mundo.

Depois de alguns anos de escolhas controversas, com whisky escocês ficando fora dos três primeiros, whisky japonês e canadense fazendo história em todo o mundo, a edição deste ano volta a um terreno mais seguro com o mais tradicional conjunto de resultados desde 2014.

O vencedor do prêmio de Jim Murray para o World Whisky of the Year de 2019 é:

WILLIAM LARUE WELLER 128.2 PROOF - BUFFALO TRACE ANTIQUE COLLECTION 2017



Um velho favorito e um dos três whiskeys mais importantes de Jim em todos os anos, menos um desde 2012.

SEGUNDO MELHOR WHISKY DO MUNDO: GLEN GRANT 18 YEARS OLD

Uma terceira aparição nos três primeiros lugares para o Glen Grant: o segundo no Whisky Bible 2017, o terceiro em 2018 e agora o segundo na edição de 2019. Nada mal para um whisky que não havia sido lançado oficialmente quando recebeu seu primeiro prêmio. É uma bebida delicada e complexa.

TERCEIRO MELHOR WHISKY DO MUNDO: THOMAS H HANDY SAZERAC 127.2 PROOF - BUFFALO TRACE ANTIQUE COLLECTION 2017



Outra entrada da Buffalo Trace, o Thomas H Handy tem sido a escolha na coleção anual e apareceu na lista de topo de Jim algumas vezes.

JIM MURRAY SINGLE CASK DO ANO: BLANTON'S GOLD EDITION SINGLE BARREL BOURBON



Um vencedor potencialmente contencioso: um bourbon que não está regularmente disponível nos EUA. Blanton's Gold é quase todo enviado para o exterior, e muitos acabam voltando para os amantes americanos de whiskey. É, como o nome do prêmio sugere, um bourbon com cada garrafa produzida a partir de um único barril, sem qualquer mistura com os outros. Infelizmente, isso significa que é improvável que se experimente o mesmo que o Jim. No entanto, se for uma garrafa do barril #40 despejado em 3 de junho de 2017 e amadurecido no armazém H, rack 79, então se estará com sorte, é o vencedor.

A LISTA COMPLETA DOS VENCEDORES

Melhor whisky do mundo
William Larue Weller 128.2 Proof

Segundo melhor whisky do mundo
Glen Grant 18 anos

Terceiro melhor whisky do mundo
Thomas Handy Sazerac Rye 127.2 Proof

Single Barrel
Blanton's Gold Edition

SCOTCH

Whisky escocês do ano
Glen Grant 18 anos

Single Malt do ano
Glen Grant 18 anos

Single Malt do ano (Single Cask)
The Last Drop Glenrothes Cask 1969 16207

Blended do ano
Ballantine's 17 anos

Single Grain do ano
Berry Bros & Rudd Cambus 26 anos

Blended Malt do ano
Collectivum XXVIII

SINGLE MALT SCOTCH

Sem Declaração de Idade
Laphroaig Lore

10 anos
Laphroaig 10 anos

10 Anos e abaixo
Berry Bros e Rudd Ardmore 9 anos

11-15 Anos
Lagavulin 12 anos Special Releases 2017

11-15 anos (Single Cask)
Cadenhead's Rum Cask Mortlach 14 anos

16-21 anos
Glen Grant 18 anos

16-21 anos (Single Cask)
Bowmore 19 anos Feis Ile Collection

22-27 anos
Talisker 25 anos Bot.2017

22-27 anos (Single Cask)
Scotch Malt Whisky Society Glen Grant Cask 9.128 24 anos

28-34 anos
Convalmore 32 anos

28-34 anos (Single Cask)
Gleann Mor Port Ellen 33 anos

35-40 Anos
Benromach 39 anos 1977 Vintage

35-40 anos (Single Cask)
Glenfarclas The Family Casks 1979

41 anos e mais
Coleção Tomatin Warehouse 6 1972

41 Anos e mais (Single Cask)
The Last Drop Glenrothes 1969 Cask 16207

BLENDED SCOTCH

Sem Declaração de Idade (Standard)
Ballantine's Finest

5-12 anos
Johnnie Walker Black Label 12 anos

13 a 18 anos
Ballantine's 17 anos

19 - 25 anos
Royal Salute 21 anos

26 - 50 anos
Royal Salute 32 anos Union of the Crown

WHISKY IRLANDÊS

Whiskey Irlandês do ano
Redbreast 12 anos Cask Strength

Irish Pot Still do ano
Redbreast 12 anos Cask Strength

Single Malt Irlandês do ano
Bushmills 12 anos Distillery Reserve

Blended Irlandês do ano
Bushmills Black Bush

Irish Single Cask do ano
The Irishman 17 anos

WHISKEY AMERICANO

Bourbon do ano
William Larue Weller 128.2 Proof

Centeio do ano
Thomas H. Handy Sazerac 127.2 Proof

US Micro Whiskey do ano
Garrison Brothers Balmorhea

US Micro Whiskey do ano (vice-campeão)
Balcones Peated Texas Single Malt

BOURBON

Sem Declaração de idade (Single Barrel)
Blanton's Single Barrel Gold Edition

Sem Declaração de Idade
William Larue Weller 128.2 Proof

Até 10 anos
Eagle Rare 10 anos

11 a 15 anos
Pappy Van Winkle Family Reserve 15 anos

16 - 20 anos
Abraham Bowman Sweet XVI Bourbon

11 anos e mais
Orphan Barrel Rethoric 24 anos

CENTEIO

Sem Declaração de Idade
Thomas H. Handy Sazerac 127.2 Proof

Até 10 anos
Knob Creek Cask Strength

11 Anos e mais
Sazerac (Edição 2017) 18 anos

WHISKY CANADENSE

Whisky canadense do ano
Canadian Club Chronicles: Edição no. 1 Windsor Water 41 anos

WHISKY JAPONÊS

Whisky Japonês do ano
Hakushu Paul Rusch

WHISKY EUROPEU

Whisky Europeu do ano (Multiple)
Nestville Master Blender Whisky 8 anos (Eslováquia)

Whisky Europeu do Ano (Single)
The Norfolk Farmers Single Grain Whisky (Inglaterra)

WHISKIES MUNDIAIS

Whisky Asiático do ano
Amrut Greedy Angels 8 anos (Índia)

Whisky do Hemisfério Sul do ano
Belgrove Peated Rye (Austrália)


Fonte: blog.thewhiskyexchange.com

domingo, 7 de outubro de 2018

Desvendando Nº 90: Bowmore 12 Anos (new)




Com seus clássicos prédios caiados, a destilaria Bowmore se estende pelas margens do Loch Indaal e suas chaminés em forma de pagode se elevam acima da rua principal da cidade.

Embora sua fachada seja inconfundivelmente de Islay, com um armazém litorâneo onde se lê “Bowmore” em letras garrafais, seus maltes tem uma refinada personalidade própria.

É a mais antiga destilaria de Islay, fundada em 1779 pelo fazendeiro David Simpsom, e uma das primeiras a oferecer seu whisky single malt.


A metade da cevada ainda é maltada manualmente pelo sistema tradicional de maltagem no solo e seca em um forno alimentado com turfa, esta, porém, é primeiramente triturada para gerar mais fumaça. O Bowmore é apenas meio turfoso, com cerca de metade dos fenóis de seus vizinhos em torno da costa em Lagavulin, Laphroaig e Ardbeg, e, como tal, não é tipicamente de Islay.

O whisky é maturado em barris de carvalho espanhóis e americanos, alguns estocados nos famosos armazéns subterrâneos, abaixo do nível do mar, e cerca de um terço deles é preparado com xerez oloroso.


O que pude perceber:
Características: âmbar, médio corpo.
Aroma: turfa, picante, seco, uma certa salinidade, não aquela salinidade de água do mar e sim do ar salgado de praia, ar marítimo, algo de especiarias, frutas secas. Também apresenta um amadeirado esfumaçado juntamente com um pequeno toque de baunilha. A turfa não é muito acentuada, é leve. Além disso, apresenta ainda um leve toque herbal. A adição de um pouco de água esconde a picância e qualquer evidência que poderia ter de álcool. Permanece a turfa, aparece um cheiro de terra, que provavelmente possa ser da própria turfa, um amadeirado e malte.
Paladar: especiarias, madeira, malte, herbal, uma fumaça de fundo e baunilha. A salinidade não é muito sentida no paladar. Assim como no aroma, no paladar não aparece também nenhuma evidência de álcool. Finaliza de uma forma média com uma certa picância e uma fumaça de fundo. Com um pouco de água, turfa, passas, caramelo, finalizando ainda com especiarias e fumaça.

Whisky muito bem feito e fácil de beber. Para quem já está acostumado a beber whisky turfado, neste a turfa é bem leve. Para quem quer iniciar nos whiskies turfados, este é o indicado. É um daqueles whiskies para se manter sempre por perto. Não é muito complexo mas acompanha bem em qualquer momento.

A Bowmore possui várias edições de seus whiskies e recentemente (época quando este review foi feito) houve uma inundação de produtos da Bowmore no mercado brasileiro, proveniente de outros países, algumas edições mais antigas. Esta é a versão mais recente, mas vale a pena experimentar estes mais velhos. São, como disse, muito bem feitos e irá agradar a vários paladares de acordo com a versão escolhida. Qual das versões se sai melhor, o 12 novo ou o 12 velho? Veremos no próximo review.




Bowmore 12 Anos

Single Malt: Islay Teor Alc 40%

Aromático e suave, com uma mistura de frutas cítricas e algo defumado no nariz, que se prolonga até a língua, juntamente com um pouco de chocolate preto.

sábado, 29 de setembro de 2018

Desvendando Nº 89: Wild Turkey Rare Breed



O bourbon Wild Turkey Rare Breed foi lançado no início da década de 1990 e desde então foram produzidos mais de 10 lotes. Rare Breed é uma mistura de bourbons de 6, 8 e 12 anos, e embora esta mistura de idades não esteja detalhada no rótulo, foi confirmado pelo Embaixador da marca Matt Gandolfo.

A destilaria Wild Turkey usa um único mashbill para todos os seus bourbons. A graduação alcoólica de entrada nos barris da Wild Turkey é relativamente baixa, entre 107 a 115 proof, resultando em uma baixa força de engarrafamento em comparação aos produtos da concorrência.

Rare Breed continua sendo um dos bourbons com a força do barril mais antigos do mercado. Curiosamente, não recebe tanta atenção quanto merece. Isto é possivelmente devido a sua força estar na extremidade inferior do espectro para um bourbon com a força do barril, muito próximo de outras marcas Wild Turkey que podem canibalizar sua própria base de consumidores.


O carro-chefe da empresa é o Wild Turkey 101, considerado com um teor alcoólico alto em relação à sua concorrência e bastante combativo no quesito preço. Tem cerca de 6 a 8 anos de idade e apenas 11 proof mais baixo do que este lote de Rare Breed. Como resultado, não é espantoso saber que o 101 é quase sempre o escolhido quando ambas as opções estão disponíveis.

O Master Distiller Jimmy Russell prefere bourbons entre 6 e 12 anos de idade, uma vez que a bebida já teve tempo suficiente para desenvolver o caráter, mas antes que se torne excessivamente amadeirado. Sendo assim, o Rare Breed oferece um meio de experimentar o bourbon Wild Turkey na sua verdadeira forma. Cada lote, porém, terá características distintas, embora seja de se esperar um início arrojado e picante com um acabamento relativamente complexo e macio.


O que pude perceber:
Características: âmbar escuro, encorpado.
Aroma: amadeirado bem evidente de barris chamuscados, baunilha, caramelo, doce, frutado, algo como laranja. Um pouco floral e cítrico, refrescante eu diria. Chocolate ao leite e um pouco de passas. Um whiskey bem estruturado no aroma. Também nada de álcool evidente, apesar do elevado teor alcoólico. Com a adição de um pouco de água surgiram notas mentoladas, de capim limão, notas herbais e um frutado diferente, desta vez aparecendo uma maçã além da laranja. Chocolate ao leite e baunilha. O aroma ficou bem equilibrado e complexo.
Paladar: chocolate ao leite, baunilha, doce, amadeirado e vai finalizando com um pouco de especiarias, de forma quente. Amanteigado, bastante cremoso. Apesar das especiarias, não deixa dormência na boca e nem há evidência de álcool. Confirmou a boa estrutura demonstrada no aroma. Na segunda vez que experimentei, senti um pouco mais das especiarias, ficando um pouco mais picante. Com um pouco de água ficou uma bebida macia, sedosa, com as notas doces dando o tom e finalizando sempre de forma condimentada, com uma certa picância. Eu diria até mais do que quando experimentado puro.


Whiskey com 56,4% de teor alcoólico, nesta versão, com a força do barril (equivalente aos cask strength dos single malts) em que em nenhum momento se percebe a sua presença. Digo nesta versão pois o teor alcoólico, por ser força do barril, pode variar de acordo com o lote. Envelhecido entre 8 e 12 anos segundo o fabricante. O teor alcoólico alto e o fato de não ser percebido desta maneira foi o que me impressionou neste whiskey.

Concebido para bater de frente com o Jack Daniel's Single Barrel. Na minha opinião bate e derruba. Todavia, bate de frente também com whiskeys de sua própria marca. Como é o caso do 101. Como já foi dito, no quesito custo x benefício, quando estão os dois lado a lado, o 101 entrega tanto quanto o Rare Breed por muito menos.




Wild Turkey Rare Breed

Bourbon (Teor Alc. Variável)

Lançado em 1991, esse rótulo inclui whiskeys envelhecidos de 6 a 12 anos. O aroma e o sabor são impressionantemente suaves para um whiskey de tão alto teor alcoólico. Olfato complexo, inicialmente incisivo, com nozes, laranjas, temperos e notas florais. Mel, laranja, baunilha, tabaco, menta e melado criam um palato igualmente complexo. Final longo, com nozes e centeio apimentado.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Desvendando Nº 88: Wild Turkey 101



Wild Turkey é uma marca de Bourbon destilado e engarrafado pela divisão Austin Nichols do Grupo Campari. A destilaria está localizada perto de Lawrenceburg, Kentucky. Oferece passeios e faz parte do American Whiskey trail e do Kentucky Bourbon Trail.

Os irmãos Ripy construíram uma destilaria em Tyrone, Kentucky perto de Lawrenceburg em 1869, consolidaram-na em 1905 e retomaram a destilação após a Lei Seca. A destilaria foi comprada em 1952 pelos irmãos Gould. Por sua vez foi comprada pela Pernod Ricard em 1980. Em 8 de abril de 2009, o Grupo Campari anunciou a aquisição da marca e da destilaria da Pernod Ricard.


A marca Wild Turkey foi criada em 1940, quando o presidente da Austin Nichol, Thomas McCarthy, escolheu alguns dos bourbons puros, com 101 proof, dos armazéns da empresa para levar em uma caçada ao peru selvagem (wild turkey). No ano seguinte, seus amigos lhe pediram "um pouco daquele whiskey peru selvagem", e uma marca nasceu.

O rótulo de Wild Turkey carrega uma ilustração vividamente impressa de seu homônimo. Nos EUA, cinco variedades de bourbon geralmente estão disponíveis: 81 proof, 101 proof, Kentucky Spirit, Russell Reserve, e Rare Breed.

O Wild Turkey usa uma porcentagem menor de milho que os outros bourbons do kentucky, com maiores quantidades de centeio e malte para chegar a um whiskey mais encorpado e, em geral, de maior sabor. A receita do mosto e a linhagem de levedura são as mesmas para toda a série Wild Turkey.


A destilação é realizada a um teor relativamente baixo (56 a 57,5%) porque Jimmy Russel compara fazer um grande whiskey a preparar uma boa sopa: se cozinhar por mais tempo a uma temperatura mais baixa, retém melhor os sabores.

Uma influência adicional ao caráter do destilado maturado resulta da colocação do white dog (o new make, destilado claro) em barris fortemente crestados. A crestação pesada contribui significativamente para o sabor assinatura do Wild Turkey.

Hoje o Wild Turkey é destilado sob os olhos atentos do lendário mestre destilador Jimmy Russell e de seu filho Eddie (o primeiro é a quarta geração dos Russell a trabalhar na destilaria e tem 25 anos de experiência).


O que pude perceber:
Características: âmbar escuro, encorpado.
Aroma: apesar de 50,5% ABV, o álcool não é perceptível, desde que o copo não seja agitado. O que predomina é madeira, caramelo, mentolado, baunilha sutil, adocicado. Não há o aroma de milho característico dos bourbons de menor qualidade, o que, a meu ver, só isso já eleva o nível deste whiskey. Maçã, rapadura, bala toffee. Um pouco de condimentos no fundo, um certo toque de especiarias. A adição de um pouco de água o deixou um pouco mais doce, evidenciando a baunilha e o caramelo. O mentolado permanece presente, assim como o frutado. Balas toffee e um certo chamuscado agora são bem evidentes.
Paladar: madeira, caramelo, baunilha, especiarias e menta. Então uma picância vai tomando conta e deixando uma ardência na boca. Nota-se também o amargo do centeio em detrimento do sabor do milho. A finalização é longa, seca e quente, deixando uma sensação frutada. A adição de um pouco de água deixa o whiskey mais macio ao paladar, baunilha e chocolate bem presentes, fica menos agressivo no que tange a picância, mas finaliza da mesma forma, seca quente e com notas de especiarias. A dormência na boca diminui, embora realce a presença do centeio.

Whiskey sem aroma nem gosto de milho e que com seus 50,5% ABV não se mostrou nem um pouco agressivo no quesito álcool. Quanto aos condimentos, é bastante apimentado. Possui uma proporção maior de centeio em sua composição, o que deixa o bourbon menos doce e com estas notas de especiarias. Segundo informações no próprio rótulo, é envelhecido entre 6 a 8 anos em barris de carvalho americano altamente tostados, o que lhe confere a sua cor mais escura e as notas amadeiradas e tostadas.

Apesar do teor alcoólico elevado, é fácil de beber e o álcool não se mostra perceptível. Para mim, precisa somente driblar um pouquinho a sua picância, que achei um pouco elevada, principalmente na finalização. Mas nada que umas gotas de água não resolvam.




Wild Turkey 101 Proof

Bourbon: Teor Alc 50,5%

Jimmy Russel insiste que 50,5% (101 proof) é o teor ideal para engarrafar o Wild Turkey. Essa expressão tem aroma macio, porém suntuoso para um whiskey com teor alcoólico tão alto. Isso se deve em parte aos seus oito anos de maturação. Caramelo, baunilha, frutas macias e um toque picante no olfato. Encorpado, robusto na boca, com baunilha, fruta fresca e tempero, além de açúcar mascavo e mel. Notas de carvalho se desenvolvem no longo final, que ainda é suave.

domingo, 16 de setembro de 2018

Desvendando Nº 87: Laphroaig 10 Anos



A destilaria Laphroaig foi fundada em 1810 por Alexander e Donald Johnston, embora a produção oficial tenha levado cinco anos para começar. A vida ao lado da igualmente famosa Lagavulin nem sempre foi fácil. Houve disputas pelo acesso à água, mas, hoje, o sentimento que prevalece é de respeito mútuo. A Laphroaig é uma das poucas destilarias que mantiveram as maltagens em piso, que suprem um quinto das necessidades da casa. E o fato de existir esse tipo de maltagem torna a visita à destilaria ainda mais interessante.

A Laphroaig sempre apreciou a característica defumada e pungente do seu malte, mistura de cânhamo, sabão carbólico e fogueira. Dizem que seu caráter medicinal intenso é uma das razões pelas quais a bebida estava entre os poucos whiskies escoceses permitidos nos EUA durante o período de proibição. Seu whisky era aceito como spirit medicinal e podia ser obtido por meio de prescrição médica. Sendo o mais medicinal dos malts, remete a gaze hospitalar, faz lembrar antisséptico bucal, fenol. È a personalidade de Islay com a intensidade de algas marinhas e iodo.

Laphroaig significa “a bela depressão junto à baía larga” em gaélico. É feito colocando-se primeiramente de molho a cevada em água sem sais, turfosa de Islay e deixando-se que germine, o que envolve remexê-la manualmente no chão de maltagem por seis dias. A cevada germinada é, então, seca num fogo circulatório de turfa, e a fumaça dessa pungente turfa de Islay é que dá ao Laphroaig sua distintiva característica. Após a destilação, o whisky é maturado em tonéis de carvalho do Kentucky, empilhados nos galpões de maturação no litoral. Aqui ele é banhado pelo vento fresco e salgado do Atlântico, e, em noites de tempestade, sabe-se que o mar entra nos galpões, bem abaixo dos barris. Não é surpresa que o sabor turfoso único do Laphroaig carregue uma forte nota de iodo e acentuado e salgado ar do Atlântico.


Ele é denominado “o definitivo whisky de malte de Islay” porque é a essência do sabor de Islay, rico, defumado, turfoso e cheio de personalidade. O Laphroaig é decididamente um gosto adquirido, partilhado por Sua Alteza Real, o príncipe de Gales, que premiou o Laphroaig com seu Certificado Real em 1994 e encomenda sua própria edição, a ”Highgrove”.

A destilaria possui sua própria reserva de turfa em Islay, floor maltings na destilaria e alambiques relativamente pequenos. Seus depósitos de maturação ficam de frente para o mar. Em 1847 o fundador faleceu ao cair dentro de um barril de whisky. No final dos anos 1950 e início dos 1960, a destilaria pertenceu a uma mulher, a srta. Bessie Williamson. O ambiente romântico das instalações tornaram a destilaria popular para casamentos, e ela serve como salão comunitário do vilarejo. Pertence atualmente à Beam Global, sendo administrada por uma equipe dedicada que deve garantir a ela um futuro brilhante.

Apesar de tudo, muitos acham que o famoso ataque do Laphroaig diminuiu nos últimos anos, revelando um pouco mais da doçura do malte. Mas continua sendo um whisky de forte personalidade, encorpado e untuoso.

Todos os Laphroaig são envelhecidos exclusivamente em barris de carvalho americano, provenientes da Maker's Mark. O resultado é o mais marítimo dos maltes de Islay, medicinal, com toques de iodo, arenque, sala de máquinas e fumaça, mas suavizado pela doçura do carvalho. É esse caráter de baunilha que abranda as notas rústicas do espírito novo e adiciona uma doçura sutil ao espírito maduro.


O que pude perceber:
Características: dourado claro, médio corpo.
Aroma: de início turfa, depois um aroma salgado, marítimo, iodado, a seguir, frutas vermelhas, cristalizadas, algo como passas. A turfa vai cedendo aos poucos e outras nuances vão aparecendo. Baunilha, ameixas, nozes, malte tostado, algas, defumado e tabaco. Dá para perceber vários aromas, bastante complexo. A adição de um pouco de água ameniza um pouco a turfa, ela se esconde um pouco. Evidencia mais o adocicado, o malte e o amadeirado. A doçura é de baunilha e caramelo, o que contrasta bastante com o tom salgado que ele continua apresentando. A fumaça, apesar de amenizada, continua.
Paladar: suave, adocicado, baunilha, bala de caramelo. Em seguida, como contraponto, vem sal, iodo, algas, especiarias e fumaça. Finaliza de uma forma longa, salgada e com bastante fumaça. Com um pouco de água, nota-se algas, iodo, uvas, fumaça e finaliza com uma mistura de malte e nozes.

Whisky bastante equilibrado para seus 10 anos de maturação. Poderia ter uma graduação alcoólica mais elevada. 43% já ajudaria bastante porque com 40% o álcool não é notado. Mais gentil que o irmão Quarter Cask. Excelente whisky.




Laphroaig 10 Anos

Single Malt: Islay Teor Alc 40%

O 10 anos é muito popular. Sob a fumaça densa de turfas e do spray salgado de água do mar está um malte jovem e refrescante, com um coração doce.