Whisky

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domingo, 16 de setembro de 2018

Desvendando Nº 87: Laphroaig 10 Anos



A destilaria Laphroaig foi fundada em 1810 por Alexander e Donald Johnston, embora a produção oficial tenha levado cinco anos para começar. A vida ao lado da igualmente famosa Lagavulin nem sempre foi fácil. Houve disputas pelo acesso à água, mas, hoje, o sentimento que prevalece é de respeito mútuo. A Laphroaig é uma das poucas destilarias que mantiveram as maltagens em piso, que suprem um quinto das necessidades da casa. E o fato de existir esse tipo de maltagem torna a visita à destilaria ainda mais interessante.

A Laphroaig sempre apreciou a característica defumada e pungente do seu malte, mistura de cânhamo, sabão carbólico e fogueira. Dizem que seu caráter medicinal intenso é uma das razões pelas quais a bebida estava entre os poucos whiskies escoceses permitidos nos EUA durante o período de proibição. Seu whisky era aceito como spirit medicinal e podia ser obtido por meio de prescrição médica. Sendo o mais medicinal dos malts, remete a gaze hospitalar, faz lembrar antisséptico bucal, fenol. È a personalidade de Islay com a intensidade de algas marinhas e iodo.

Laphroaig significa “a bela depressão junto à baía larga” em gaélico. É feito colocando-se primeiramente de molho a cevada em água sem sais, turfosa de Islay e deixando-se que germine, o que envolve remexê-la manualmente no chão de maltagem por seis dias. A cevada germinada é, então, seca num fogo circulatório de turfa, e a fumaça dessa pungente turfa de Islay é que dá ao Laphroaig sua distintiva característica. Após a destilação, o whisky é maturado em tonéis de carvalho do Kentucky, empilhados nos galpões de maturação no litoral. Aqui ele é banhado pelo vento fresco e salgado do Atlântico, e, em noites de tempestade, sabe-se que o mar entra nos galpões, bem abaixo dos barris. Não é surpresa que o sabor turfoso único do Laphroaig carregue uma forte nota de iodo e acentuado e salgado ar do Atlântico.


Ele é denominado “o definitivo whisky de malte de Islay” porque é a essência do sabor de Islay, rico, defumado, turfoso e cheio de personalidade. O Laphroaig é decididamente um gosto adquirido, partilhado por Sua Alteza Real, o príncipe de Gales, que premiou o Laphroaig com seu Certificado Real em 1994 e encomenda sua própria edição, a ”Highgrove”.

A destilaria possui sua própria reserva de turfa em Islay, floor maltings na destilaria e alambiques relativamente pequenos. Seus depósitos de maturação ficam de frente para o mar. Em 1847 o fundador faleceu ao cair dentro de um barril de whisky. No final dos anos 1950 e início dos 1960, a destilaria pertenceu a uma mulher, a srta. Bessie Williamson. O ambiente romântico das instalações tornaram a destilaria popular para casamentos, e ela serve como salão comunitário do vilarejo. Pertence atualmente à Beam Global, sendo administrada por uma equipe dedicada que deve garantir a ela um futuro brilhante.

Apesar de tudo, muitos acham que o famoso ataque do Laphroaig diminuiu nos últimos anos, revelando um pouco mais da doçura do malte. Mas continua sendo um whisky de forte personalidade, encorpado e untuoso.

Todos os Laphroaig são envelhecidos exclusivamente em barris de carvalho americano, provenientes da Maker's Mark. O resultado é o mais marítimo dos maltes de Islay, medicinal, com toques de iodo, arenque, sala de máquinas e fumaça, mas suavizado pela doçura do carvalho. É esse caráter de baunilha que abranda as notas rústicas do espírito novo e adiciona uma doçura sutil ao espírito maduro.


O que pude perceber:
Características: dourado claro, médio corpo.
Aroma: de início turfa, depois um aroma salgado, marítimo, iodado, a seguir, frutas vermelhas, cristalizadas, algo como passas. A turfa vai cedendo aos poucos e outras nuances vão aparecendo. Baunilha, ameixas, nozes, malte tostado, algas, defumado e tabaco. Dá para perceber vários aromas, bastante complexo. A adição de um pouco de água ameniza um pouco a turfa, ela se esconde um pouco. Evidencia mais o adocicado, o malte e o amadeirado. A doçura é de baunilha e caramelo, o que contrasta bastante com o tom salgado que ele continua apresentando. A fumaça, apesar de amenizada, continua.
Paladar: suave, adocicado, baunilha, bala de caramelo. Em seguida, como contraponto, vem sal, iodo, algas, especiarias e fumaça. Finaliza de uma forma longa, salgada e com bastante fumaça. Com um pouco de água, nota-se algas, iodo, uvas, fumaça e finaliza com uma mistura de malte e nozes.

Whisky bastante equilibrado para seus 10 anos de maturação. Poderia ter uma graduação alcoólica mais elevada. 43% já ajudaria bastante porque com 40% o álcool não é notado. Mais gentil que o irmão Quarter Cask. Excelente whisky.




Laphroaig 10 Anos

Single Malt: Islay Teor Alc 40%

O 10 anos é muito popular. Sob a fumaça densa de turfas e do spray salgado de água do mar está um malte jovem e refrescante, com um coração doce.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Wolfburn lança sua quarta edição permanente: Langskip



A Destilaria Wolfburn acaba de lançar a sua quarta expressão permanente de single malt denominada "Langskip". Seguindo o sucesso global das expressões Northland, Aurora e Morven, o Langskip é engarrafado com uma porcentagem de álcool muito maior (58%), chegando o mais próximo possível de um engarrafamento cask strength.

A edição foi criada a partir de whisky amadurecido em barris preenchidos em 2013 e 2014. É o lançamento mais envelhecido até hoje. Os barris são todos barris de bourbon de primeiro uso, que fazem um whisky espetacularmente bom. O resultado é um single malt verdadeiramente especial, repleto de sabor.


A expressão mais forte de Wolfburn leva o nome da palavra nórdica para longship, os navios vikings que outrora dominaram a costa de Caithness. Liso, suave, decidido e forte, o legado desses navios circunda a destilaria de Wolfburn. Além de assentamentos e locais de enterro, a cidade natal de Wolfburn, Thurso, foi batizada pelos Vikings em homenagem ao deus Thor.



Fonte: whiskyintelligence.com

sábado, 8 de setembro de 2018

Desvendando Nº 86: Aberlour 10 Anos



Aberlour significa “boca do riacho gorgolejante” em gaélico escocês e situa-se em um local antigo e bonito.

Embora a Aberlour não seja muito conhecida em sua terra natal, tornou-se extremamente popular na França e afirma ser uma das dez destilarias que mais vendem malte no mundo. Como parte da antiga Campbell Distillers, a Aberlour pertence ao grupo francês Pernod Ricard desde 1975. Seu malte é usado em diversos blends, em especial no Clan Campbell. Porém, mais da metade da produção da destilaria é engarrafada como single malt.


A destilaria fica a pouca distância do rio Spey. Sua fundação data de quando James Gordon e Peter Weir construíram uma destilaria na rua principal de Aberlour, em 1826. As instalações resistiram 50 anos até serem devastadas por um incêndio. Uma nova destilaria Aberlour foi construída em 1879, alguns quilômetros rio acima, por James Fleming, que já possuía a Dailuaine. A de hoje é do final do período vitoriano, projetada por Charles Doig depois de o prédio ter sofrido outro incêndio, em 1898.

James Fleming tinha como lema “Let the Deed Show”, algo como “que a proeza apareça” e este lema estampa todas as garrafas de Aberlour.


A sua água, excepcionalmente suave, é extraída de fontes no Lour Glen, tendo fluído através de turfa. O malte é fornecido sob encomenda e é levemente turfoso.

Os whiskies de malte de Aberlour se beneficiaram do uso maior de tonéis de xerez oloroso em anos recentes, o que, combinado com tonéis de bourbon, aumenta a complexidade do whisky.


O que pude perceber:
Características: cor cobre, médio corpo.
Aroma: baunilha, malte, caramelo, doce, suave, sedoso. Um pouco de álcool evidente, mas nada que o prejudique. Amadeirado suave e frutado. Um pouco de especiarias e frutas secas sutis. Condimento leve. Depois de um certo tempo percebe-se algumas notas herbais, de gramíneas. Com um pouco de água, malte, cereais, frutado, terra molhada. O álcool some, fica bem suave e agradável no nariz. Um pouco de gramíneas, desta vez, gramíneas secas.
Paladar: baunilha, caramelo, frutas secas, amadeirado, uma certa picância juntamente com uma doçura e o malte. Finaliza de uma forma média e seca. A adição de um pouco de água faz lembrar ameixas secas, malte, cereais crocantes, frutas cristalizadas. As especiarias agora desaparecem um pouco, ficando mais sutis, mas ainda são percebidas na finalização. O whisky fica melhor equilibrado.

Whisky muito bem trabalhado na junção de dois barris, ex bourbon e ex-xerez que, embora não fale exatamente a proporção, dá para perceber uma maior influência dos barris ex-bourbon.

Na minha opinião, faltou um pouquinho para este whisky ser perfeito, para ser melhor equilibrado e eliminar o pouco de álcool que ainda é perceptível. Talvez mais dois anos de envelhecimento em barris? Um melhor jogo entre as proporções dos tipos de barris? Quem sabe o review do Aberlour 12 anos possa nos dizer.




Aberlour 10 Anos

Single Malt: Speyside Teor Alc 40%

Maturado principalmente em barris que antes continham bourbon, este whisky tem a doçura do caramelo proveniente da madeira, além de um leve sabor de nozes e especiarias.

domingo, 2 de setembro de 2018

Desvendando Nr 85: Elijah Craig 12 Anos



A destilaria Heaven Hill nasceu em 1934, depois da Lei Seca e durante a depressão nos EUA. Um grupo de produtores de whiskey de Boston conseguiu apoio financeiro com os irmãos Shapira, e a destilaria Old Heaven Hill Springs foi construída. A família Shapira simplesmente financiaria o projeto, mas vários anos depois se tornou o único proprietário do empreendimento.

Após a Segunda Guerra Mundial, a empresa passou a criar diferentes edições do whiskey, e o negócio prosperou. Em 1986, assim como outras destilarias, a Heaven Hill passou a se interessar por bourbons de pequeno lote. O primeiro lançamento foi o Elijah Craig 12 Anos, em homenagem ao ministro da igreja Batista e agricultor que já destilava no fim do século XVIII.


O pastor batista Elijah Craig (1743-1808) ficou conhecido como o pai do bourbon. Tem a fama de ser o criador do método de usar barris queimados para guardar e maturar bebidas. De acordo com o folclore do whiskey, ele incentivava a prática de usar barris crestados na maturação. Uma descoberta casual depois de um incêndio, o que levou a um estilo característico que contribuiu para definir o bourbon.

Não existe nenhuma prova de que foi o primeiro a fazer bourbon, mas a associação entre um religioso e o whiskey foi vista como ferramenta útil na resistência aos militantes adversários do álcool. Essa edição que o homenageia é produzida com não mais que 100 barris e pode ser considerada o primeiro bourbon de pequeno lote.


O que pude perceber:
Características: cor âmbar escuro, encorpado.
Aroma: madeira, baunilha e caramelo dá para sentir de longe, sem precisar aproximar o copo do nariz. Bala de leite, adocicado, possui um certo frutado, algo como abacaxi, manteiga, pasta de amendoim. Sensação de algo bem oleoso. No fundo dá para sentir gramíneas, chocolate branco e algumas notas condimentadas trazendo uma pimenta. Com um pouco de água realçam os aromas de madeira, baunilha e caramelo, com chocolate branco presente. Fica um whiskey mais aveludado, equilibrado, redondo. Notas frutadas, mel e agora um toque sutil de cereais.
Paladar: madeira, baunilha, chocolate, mel, depois vai esquentando a boca com especiarias, apimentado, mais um pouco de baunilha e finaliza com um toque herbal. A finalização é longa, demora bastante tempo na boca. Dá para sentir um frutado de maçãs, abacaxi, pera, o adocicado do caramelo e da baunilha, sem ser enjoativo. Depois, picância. Fica um retro-gosto parecido com rapadura, paçoquita. Lembram da pasta de amendoim? Com a adição de um pouco de água, mel, madeira, caramelo, frutas, abacaxi, maçã, rapadura e depois vem a picância que desta vez foi um pouco mais pronunciada, bem forte mesmo, deixando a boca com uma sensação de dormência. Nas especiarias tem algo de gengibre, canela, noz-moscada, o que acaba dando, de certa forma, um equilíbrio em contraste com o adocicado da bebida. A finalização é longa e seca.


Eu o achei um belo bourbon, apesar de deixar a boca bastante dormente na sua finalização. A picância logo passa, mas a sensação é de que a boca fora anestesiada, da mesma forma quando vamos ao dentista. Esta, apesar de um tanto quanto absurda, é uma boa comparação.

Excelente opção para fugir dos bourbons tradicionalmente vendidos, carregados no milho e enjoativamente doces. Este exemplar possui uma proporção considerável de centeio, o que também explica a sua picância.

Os 12 anos de envelhecimento também contribuem sobremaneira para o caráter deste whiskey. Dificilmente encontraremos bourbons maturados por muito tempo, uma vez que o clima dos Estados Unidos faz com que a bebida atinja a maturação mais cedo. Este tempo a mais nos barris fez com que esta bebida atingisse outro patamar na degustação. Nem mesmo o álcool, que neste caso é de 47% ABV, é perceptível.

O tempo fez também acentuar as características do centeio, contribuindo para formar o corpo e o caráter do destilado.

Resumindo, um ótimo bourbon para ser apreciado aos poucos, talvez até acrescentando um pouco de água, para deixá-lo mais redondo, apesar da água ter acentuado sua picância. Ótima pedida também para acompanhar um charuto.




Elijah Craig 12 Anos

Bourbon Teor Alc: 47%

Um bourbon clássico, com aromas doces e maduros de caramelo, baunilha, tons picantes e mel, além de um pouco de menta. Rico, encorpado e arredondado no suave paladar, com caramelo, malte, milho, centeio e uma ponta de fumaça. Carvalho doce, anis e baunilha dominam o final.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Whisky mais caro do mundo lidera venda da Bonhams em Edimburgo



Uma garrafa do extremamente raro The Macallan Valerio Adami 1926 60 anos será oferecido no Bonhams Whiskey Sale em Edimburgo em 3 de outubro. Estima-se arrecadar em torno de £ 700.000-900.000.

O whisky foi engarrafado em 1986. Macallan contratou dois artistas pop mundialmente famosos, Valerio Adami e Peter Blake, para criar rótulos para uma edição limitada de 24 garrafas, 12 da marca Adami e 12 da marca Blake. A garrafa é elegantemente apresentada em um gabinete especialmente encomendado para ela.

Outra garrafa do The Macallan Valerio Adami 1926 foi vendida na Bonhams Hong Kong em maio deste ano por um recorde mundial de £ 814.081 (HK $ 8.636.250). Este é o maior valor já pago por uma garrafa de whisky escocês em leilão público. Na mesma venda, a Bonhams também vendeu uma garrafa do The Macallan Peter Blake 1926 com 60 anos por £ 751.703 (HK $ 7.962.500).

Embora 12 garrafas de Macallan Valerio Adami 1926 tenham sido produzidas, não se sabe quantas ainda existem. Uma delas teria sido destruída em um terremoto no Japão em 2011, e acredita-se que pelo menos uma delas tenha sido aberta e consumida.

O Macallan 1926 60 anos tem sido descrito como o Santo Graal do whisky. Sua excepcional raridade e qualidade o colocam em uma linha própria, e os mais sérios colecionadores de whisky do mundo aguardarão pacientemente por muitos anos até que uma garrafa chegue ao mercado. Todo o apelo do whisky escocês, o mito, a tradição e o romance, encontram sua expressão máxima nesta garrafa.

Valerio Adami, nascido em 1935, é um artista italiano famoso por pintar negrito, formas planas delineadas em grossas linhas pretas, em um estilo que lembra a arte em quadrinhos. Ele está entre os mais aclamados artistas pop do século XX.



Fonte: whiskyintelligence.com

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Aberfeldy lança Madeira Casks, exclusivo para viajantes



A destilaria Aberfeldy anunciou o lançamento de dois single malts com finalização em barris de Madeira, disponíveis exclusivamente no varejo global de viagens.

Habilmente trabalhados artesanalmente pela Malt Master Stephanie Macleod, a destilaria lançou uma edição de 16 anos e uma edição 21 anos, finalizada nos melhores tonéis da Madeira. Passando 12 meses nos ex-cascos de vinho antes do engarrafamento, o período de maturação extra nesta combinação de barris cria o equilíbrio perfeito entre a riqueza de mel e as notas doces do vinho Madeira.

Aberfeldy possui o single malt com crescimento mais rápido entre os 15 principais nos últimos 5 anos e é agora o nono single malt mais vendido na Ásia. Passou do 20º maior single malt em 2012 para o 12º maior em 2017. Em um mundo onde o estoque envelhecido é cada vez mais raro e muitas declarações de idade estão desaparecendo dos rótulos, a Aberfeldy continua comprometida em exibir com orgulho as declarações de idade como um sinal de habilidade e qualidade.


Dois tipos de barris da Madeira foram fornecidos para finalizar as expressões de 16 e 21 anos: ex-Malvasia Malmsey, o mais famoso e também o mais rico e doce e o ex-Bual, de cor escura, com textura de média riqueza. Estes barris cheios de sabor conferem notas clássicas de caramelo, pêssegos, casca de laranja e açúcar queimado. O amadurecimento da Aberfeldy nesta combinação de barris de vinho da Madeira eleva o malte em maturação, aumentando o nível de complexidade e adicionando a riqueza típica de mel do estilo da destilaria.

Aberfeldy é uma bebida tanto acessível quanto complexa, tem notas ricas e doces semelhantes às que o vinho Madeira proporciona. Ao usar barris da Madeira, desenvolve-se ainda mais as camadas de sabor presentes, ricos em mel, resultando em um whisky com mais tempero.


Aberfeldy Madeira Cask 16 Anos Notas de prova:
Notas suaves de mel são refrescadas com tons cítricos e delicados de maçãs assadas, temperado com canela e baunilha cremosa.


Aberfeldy Madeira Cask 21 Anos Notas de prova:
Whisky ricamente texturizado e complexo com notas de figo maduro cozido em mel. Há um toque de óleo de noz e um pouco de chocolate amargo.

Os recém-lançados Aberfeldy Madeira Casks, engarrafados a 40% ABV, juntam-se ao portfólio existente como exclusividade de varejo de viagem global. Eles serão lançados em aeroportos em todo o mundo, ao preço de US $ 110 para o 16 anos e US $ 195 para o 21 anos, disponíveis a partir de agosto.


Fonte: whiskyintelligence.com

sábado, 25 de agosto de 2018

Desvendando Nº 84: Ardbeg Ten



A destilaria Ardbeg foi fundada em 1815 por John McDougall em um local que já foi um ponto de aportamento para contrabandistas ao longo do século 18. Fica numa angra remota na costa sudeste de Islay.

Em 1853, Alexander, o filho de John que estava no comando da destilaria, morreu, mas suas irmãs Margaret e Flora assumiram o negócio, junto com Colin Hay. Em 1886, a Ardbeg empregava 60 pessoas num vilarejo com 200 moradores. Após a morte das irmãs, Colin Hay e Alexander Buchanan tornaram-se os proprietários.

A destilaria foi comprada pela Hiram Walker e pela Distillers Company, numa parceria comercial, mas mudou de donos novamente em 1987, quando a Allied Lyons comprou a Hiram Walker. Os anos seguintes não foram mais fáceis para a empresa: fechou em 1981, mas reabriu por períodos curtos até 1996, quando fechou de vez e foi posta à venda pela Allied Distillers.


O grupo comprador, Glenmorangie, sabia que tinha adquirido uma destilaria com potencial para fazer um dos single malts defumados com turfa mais famosos do mundo, mas os prédios e os equipamentos estavam em condições precárias.

Apesar de fazer um investimento pesado para modernizar suas instalações, a falta de produção dos primeiros anos causou problemas. Entretanto, quando as lacunas do estoque desapareceram, a Ardbeg renasceu das cinzas. O lançamento do engarrafamento padrão 10 anos, que teve aceitação crescente entre os apreciadores de whisky, levou a destilaria a ser novamente aclamada pelo mundo.


O que pude perceber:
Características: cor palha claro, encorpado.
Aroma: fogueira, fumaça, alcatrão, tabaco. A turfa é bem evidente e existe algo de medicinal, um salgado, talvez pela influência marítima. Driblada a turfa, vem frutas amadurecidas, um adocicado de baunilha e um amadeirado dos barris de bourbon. Com o acréscimo de um pouco de água sobressai o frutado, o esfumaçado diminui um pouco. Maçã e pera são bem evidentes. Fica com um bouquet mais suavizado e agradável, com um pouco de baunilha.
Paladar: madeira, abacaxi, um pouco de amêndoas, capim limão com um toque cítrico, um certo adocicado também, tudo isso envolto em fumaça de turfa, finalizando de forma picante juntamente com a fumaça. Nada de álcool tanto no aroma quanto no paladar, apesar de seus 46% ABV. Lembra bastante frutas maduras brancas e suculentas. Também dá para notar no paladar que trata-se de um whisky jovem ainda, faltando um pouquinho para sua maturação ideal. A adição de um pouco de água deixa o whisky mais doce, a baunilha mais evidente, as frutas amadurecidas agora se mesclam com frutas secas e um pouco de amêndoas. Há uma certa picância, de especiarias e, englobando tudo isso, a fumaça.


A origem da água de Ardbeg, que passa pela turfa, exerce uma influência marcante nos sabores terrosos e betuminosos do whisky. Esta água, suave e sem sais, flui do Loch Uigeadail através de rochas, musgo e turfa até a destilaria. Dois grandes alambiques destilam o whisky que é maturado em tonéis de carvalho americanos previamente usados para bourbon.

Whisky divisor de águas entre quem gosta de turfa e quem não gosta. Quer perceber claramente o que é turfa, whisky esfumaçado e as características que marcaram a fama dos whiskies de Islay? Este é o exemplar a ser apreciado.


Lembro muito bem que, quando comecei a enveredar pelo mundo do whisky, foi justamente quando Jim Murray havia acabado de proclamar o Ardbeg Ten como o melhor whisky do mundo, isso acho que foi por volta de 2008. A procura por um exemplar desta garrafa cresceu enormemente e aqui no Brasil não havia onde encontrá-la. Quando finalmente tive a oportunidade de experimentar, quando participei de uma degustação, a primeira palavra que me veio à mente foi: “cinzeiro”. Não havia absolutamente nada para detectar além disso. Fumaça, fogueira, bituca de cigarro.

Hoje, com um pouco mais de rodagem, já há a possibilidade de tirar a fumaça inicial e ir um pouco além. Percebe-se então que esta bebida não se resume só a cinzas.

Não sei se comecei a acostumar com os whiskies turfados, tenho experimentado vários ultimamente, mas o fato é que comecei a pegar gosto pela fumaça, de forma que neste Ardbeg ela já não incomoda mais, embora ele seja o whisky que mais se nota a sua presença. A contrario sensu, achei bem agradável de beber.

Indico para quem quer encarar de vez a turfa pesada. Possui 55 ppm de fenóis, não usa corante e não é filtrado à frio. 




Ardbeg 10 Anos

Single Malt: Islay Teor Alc 46%

Este malte não filtrado a frio possui notas de creosoto, alcatrão e peixe defumado no nariz. Qualquer doçura na língua desaparece rapidamente, dando lugar a um final defumado.