Whisky

Whisky

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Desvendando Nº 72: Jim Beam Devil's Cut



A desvantagem de ser uma grande marca é que os aficionados podem deixar de notar a linha inteira. Ainda assim, existe tanta criatividade nas duas destilarias de Beam em Clermont e Boston quanto em qualquer outra fábrica.

Nesta versão, os fabricantes optaram por uma bebida com 45% ABV e turbinada pela adição do próprio espírito absorvido pela madeira. Seria a bebida do próprio diabo?


O que pude perceber:
Características: cor âmbar, encorpado.
Aroma: doce, caramelo, baunilha, madeira. Uma nota de chamuscado é bem proeminente. Bala toffee. Mel. Açúcar mascavo, puxando mais para rapadura. Pão de centeio. Nenhuma evidência de álcool apesar de seus 45% ABV. Com a adição de um pouco de água, evidencia o amadeirado e a baunilha. Fica um pouco mais suave. Surge um aroma terroso e esta adição de água dá uma arredondada no whiskey.
Paladar: baunilha, madeira, mel, toffee, uma certa picância, deixa um ardidinho na boca. A finalização é de açúcar mascavo. No paladar, o álcool não é evidente, assim como não foi no aroma. Melaço. Um pouco de centeio. A água adicionada ao whiskey deixa transparecer um certo frutado. A finalização continua quente, com açúcar mascavo.


Whiskey interessante e intrigante. Lançado em 2011, é composto por 77% de milho, 13% de centeio e 10% de cevada maltada, ainda assim não entrega muita evidência do milho. Também não é muito doce. E a curiosidade fica em cima de seu processo de fabricação, onde é extraída até a última gota de whiskey entranhada nos veios da madeira dos barris, onde permaneceram escondidas por cerca de 6 anos.

Este whiskey “a mais” foi batizado de Devil's Cut, ou a “parte do demônio”, em contrapartida ao Angel's Share, “parte dos anjos”. Enquanto o Angel's Share é o álcool que evapora durante o processo de envelhecimento, o Devil's Cut é o álcool que se esconde nas ranhuras da madeira.


O processo de extração do whiskey entranhado na madeira, chamado de “suar o barril”, consiste em encher os barris de água desmineralizada e ir girando por meios mecânicos. O whiskey irá se misturar à água. Depois, esta mesma água será usada para realizar o corte do destilado, ou seja, reduzir seu ABV para 45%. Este processo acaba por deixar a bebida com um sabor mais amadeirado e mais abaunilhado também, por conter líquido de extremo contato com a madeira. Segundo a Jim Beam, consegue-se extrair até 2 litros de whiskey dos veios da madeira.

Para quem está querendo fugir dos bourbons extremamente doces e convencionais, este é uma excelente pedida para experimentar. O whiskey em si entrega bastante sabor. Apesar também do marketing em cima do processo de extração do líquido entranhado na madeira, há que se reconhecer que existe sim um sabor e aromas diferenciados nesta bebida, o que é mais um apelo para ser conhecido.




Jim Beam Devil's Cut

Bourbon Teor Alc 45%

Aroma de madeira com espessa camada de caramelo, nozes tostadas, frutas cítricas maduras e uma adstringência suave. No paladar, carvalho e caramelo batalham entre si ganhando um toque de canela. A noz do nariz aparece juntamente com algumas frutas escuras e couro. No fundo, baunilha.

sábado, 14 de abril de 2018

Desvendando Nº 71: Jura Elixir 12 Anos



Há muito tempo acredita-se que a água utilizada pela destilaria Jura é mística, com propriedades medicinais e capacidade inclusive de prolongar a vida. Alguns dizem que ela foi abençoada por St. Columba por volta de 560AD. Os habitantes da ilha certamente tem alguma história de longevidade para contar e há relatos de um homem que teria vivido por cerca de 180 anos na ilha.

Se isto é um fato, rumor, mito ou lenda, uma coisa é verdade: os habitantes da ilha conseguem controlar o processo de envelhecimento. Principalmente em se tratando do whisky. A garrafa desta versão do Jura trás incrustada justamente o símbolo da água da Ilha.


O que pude perceber:
Características: cor âmbar, encorpado.
Aroma: cítrico, abacaxi, mentolado, baunilha, ervas-finas, refrescante, laranja, frutas amarelas, amadeirado, picante, ameixas, chocolate ao leite branco, melado, gengibre. Com um pouco de água, terra molhada, cravo, baunilha, mais amadeirado e menos refrescante e picante. Suaviza mais o aroma. Frutas secas aparecem no fundo. Agora o que se destaca é o malte.
Paladar: chocolate ao leite, açúcar mascavo, baunilha, mel, amadeirado, especiarias. Possui uma finalização com uma explosão quente que logo passa, ficando depois somente um amadeirado e um gengibre. Com um pouco de água fica amanteigado, amadeirado e mantém a baunilha. Depois vem novamente a explosão quente, de especiarias, pimenta, gengibre, que logo passa e deixa um gostinho de madeira, malte e frutas secas.


Maturado num mix de 50% carvalho branco americano ex-bourbon e 50% carvalho espanhol ex-sherry amoroso. Em nenhum momento, tanto no aroma quanto no paladar, o ABV de 46% se fez presente, nenhuma evidência de álcool. No entanto, há um certo desequilíbrio, uma picância exagerada, bem apimentado. Isto às vezes é confundido com álcool, mas não é, é pimenta mesmo.

À medida que se deixa a bebida descansar no copo e respirar um pouco, a coisa vai mudando. O whisky vai melhorando e ficando um pouco mais arredondado. Não melhora de todo, uma vez que a picância permanece ainda exagerada, mas se torna mais agradável para ser apreciado.

Este review eu fiz já há algum tempo e pensei que se desse mais chances ao whisky iria perceber outras nuances que de antemão não havia percebido. Não percebi. Sou fã da destilaria Jura, mas achei que esta versão não ficou no ponto. Para o meu paladar, a picância está em exagero. Minha opinião.




Jura Elixir 12 Anos

Single Malt Teor Alc 46%

Muito frutado, ameixas, frutas cítricas, um toque de carvalho e especiarias. As frutas continuam na boca, com mais ondas de xerez, frutas secas e canela. As ameixas retornam num final doce e médio.


sábado, 7 de abril de 2018

Desvendando Nº 70: Maker's Mark



A destilaria Maker's Mark fica próxima a Loretto. Criada em 1805, é a mais antiga destilaria americana a funcionar no local de origem. A marca Maker's Mark foi desenvolvida na década de 1950 por Bill Samuels Jr e hoje é propriedade da Fortune Brands Inc. Em 1980 foi declarada Monumento Histórico Nacional.


Em 1780, Robert Samuels fixou residência no Kentucky e provavelmente começou a produzir whisky imediatamente, como tantos outros fazendeiros haviam feito na Escócia e na Irlanda antes dele. A partir de 1840, T.W. Samuels (neto de Robert) começou a destilar em quantidades maiores. No entanto, a primeira destilaria comercial só ficou pronta em 1894. O próximo passo na história da companhia mostra que, em 1943, Bill Samuels deixou a destilaria e destruiu a antiga receita da família. Ele acreditava que deveria criar uma fórmula mais suave para combater a crescente popularidade de whiskies escoceses e canadenses em relação ao bourbon.

A receita que ele criou utilizava trigo vermelho de inverno, proveniente de fazendas locais, em vez de centeio. As proporções são 70% de amido de milho, 14% de trigo e 16% de cevada maltada.


A garrafa e o nome do novo whisky foram ideia da esposa de Bill. Como colecionadora de objetos de estanho, costumava procurar “the mark of the maker”, ou seja, “a marca do autor”. Também colecionava garrafas de conhaque, muitas delas com lacre colorido de cera derretida. O design inclui um “S” de Samuels, o número “IV”, que simboliza a quarta geração da família e uma estrela, que remete à fazenda Star Hill, onde o Maker's Mark é produzido. As garrafas são rotuladas à mão e mergulhadas em cera vermelha, então nenhuma é igual a outra. E, para assegurar que todos percebam que o Maker's Mark é diferente, o rótulo opta por usar a grafia “whisky” em vez de “whiskey”, que é mais associada às marcas americanas. Uma forma também de homenagear a ascendência escocesa de Samuels. As primeiras garrafas de Maker's Mark foram vendidas em 1958.


Cada lote do whisky provém de grupos de menos de 19 barris, que normalmente são maturados nos armazéns da empresa por seis anos. Há remessas de várias concentrações, principalmente de 50,5% (101) e 45% (90).

O que pude perceber:
Características: cor âmbar, encorpado.
Aroma: adocicado, caramelo, chocolate ao leite, madeira queimada, mentolado. Uma lembrança de trigo. Nenhuma evidência de álcool apesar de seus 45% ABV. Depois vem baunilha, coco, açúcar mascavo. Com um pouco de água as características de um bourbon tradicional aparecem, com bastante caramelo e baunilha. Mentolado, chocolate ao leite e açúcar mascavo. Há um certo toque floral. Continua com zero de álcool. Com uma pedra de gelo o mentolado toma conta e fica um pouco menos doce.
Paladar: um pouco picante e ardido no início, depois passa pelo chocolate e açúcar mascavo. Em seguida baunilha e um mentolado. O trigo também está presente. Finaliza de uma forma seca e de média duração. Desta vez é possível sentir um pouco do adocicado característico dos bourbons, proveniente do milho, embora ele não se sobressaia. Caramelo e madeira se fazem presentes também na finalização. Com água, fica mais suave, menos ardido no começo e mais arredondado. Baunilha, amadeirado tostado sutil. A sensação de picância continua na finalização, deixando a boca um pouco dormente. Com uma pedra de gelo destacam-se o amadeirado tostado e o mentolado, além de ficar menos doce. Continua finalizando de forma picante.


Mais um bourbon com uma proposta diferente. A intenção deste whisky foi o de ser uma bebida que não tivesse aquele impacto do centeio na composição, motivo pelo qual o grão fora substituído pelo trigo, para dar uma suavizada. Além disso, em seu processo de destilação, além de usar os alambiques de coluna tradicionais, utiliza também alambiques pot still em sua segunda destilação, o que acaba por abrandar um pouco mais a bebida.

Também não apresenta o milho como ator principal, o que para mim agradou bastante. Ficou um sabor interessante, trazendo, apesar da suavidade do trigo, um certo amargor contrastante com a doçura. Incomodou um pouco a picância do início, quando experimentado puro e também em sua finalização, que apareceu em todas as formas de degustação, deixando a boca dormente por um bom tempo. 

Driblado este ponto, é bom apreciar uma bebida que não é doce e enjoativa. Além do mais, o álcool não é evidente, o que é mais um ponto positivo. De um modo geral, um bom whisky para ter na coleção e ser apreciado de vez em quando.




Maker's Mark

Bourbon Teor Alc 45%

Um olfato sutil, complexo, limpo, com baunilha e tons picantes, uma delicada nota floral de rosas, além de limão e grãos de cacau. Medianamente encorpado, oferece um palato de frutas frescas, temperos, eucalipto e torta de gengibre. O final possui mais temperos, carvalho fresco com uma ideia de fumaça, e uma pitada final de cheesecake de pêssego.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Destilaria Glenlivet desafia os consumidores a desvendar o mistério do novo whisky



A destilaria Glenlivet lança mais recente edição limitada apresentando o The Glenlivet Code, um misterioso whisky Single Malt, lançado sem informações ou notas de degustação para levar conhecedores de whisky em uma jornada de descoberta, ao mesmo tempo em que coloca à prova seu conhecimento sobre o single malt. A edição limitada é um labirinto de sabores que testará os sentidos até do bebedor de whisky mais exigente.

Mantendo a qualidade excepcional pela qual o Glenlivet é famoso, The Glenlivet Code apresenta o estilo suave e frutado da marca com algumas reviravoltas adicionais para um momento de prazer definitivo. Seu lançamento é apoiado por uma experiência digital interativa, inspirada nos famosos codificadores britânicos e tem como objetivo testar o conhecimento e a compreensão do consumidor sobre o whisky Single Malt.

A experiência digital do The Glenlivet Code convida os conhecedores de whisky a escanear um código na parte de trás de sua caixa usando o aplicativo Shazam para entrar em uma sala virtual. Nesta sala, eles serão recebidos por um holograma do mestre destilador do The Glenlivet, Alan Winchester, que os desafiará a decodificar o sabor do líquido, selecionando quatro aromas para o nariz e quatro sabores para o paladar entre milhares de combinações possíveis.

Depois de decodificar os sabores do novo whisky, os participantes receberão uma pontuação que poderão postar nas mídias sociais para ver como se classificam em relação aos seus pares. As notas de prova oficiais não serão reveladas até o final do ano para dar aos entusiastas do single malt o tempo para descobrir e aproveitar o líquido.

A Glenlivet teve a oportunidade de criar um whisky que nunca fora elaborado antes, usando novos barris e técnicas para ultrapassar os limites do que as pessoas esperam do The Glenlivet. A edição limitada deste ano é um labirinto de sabores que testará os sentidos até do bebedor de whisky mais exigente. A experiência interativa permitirá que entusiastas do whisky em todos os níveis desenvolvam seu conhecimento da categoria e, ao mesmo tempo, uma compreensão mais profunda do Glenlivet.

The Glenlivet Code está disponível em 28 mercados com um preço sugerido de venda de US$ 120. Os consumidores podem entrar em www.theglenlivet.com para saber mais sobre a experiência digital e compartilhar seus pensamentos nas mídias sociais usando #TheGlenlivetCode.


Fonte: whiskyintelligence.com

sábado, 31 de março de 2018

Desvendando Nº 69: Aberfeldy 12 Anos



A destilaria Aberfeldy foi erguida em 1896 por dois irmãos, John e Tommy Dewar, em uma colina na margem sul do rio Tay, na periferia de Aberfeldy, cidade situada no centro da Escócia. Ela usa água da nascente Pitilie, que servira a outra fábrica, fechada em 1867. Começou seu funcionamento em 1898 com o propósito de fornecer malte para os blends da empresa. O local foi escolhido por sua fonte de água e pela ferrovia que o liga a Perth, onde ficava a sede da empresa. Foi também uma homenagem a John Dewar, que nasceu em um casebre na área e, de acordo com a lenda, foi a pé para Perth em 1828.

A demanda por cevada como alimento básico durante a Primeira Guerra Mundial forçou o fechamento da destilaria em 1917. Reabriu em 1919 e foi adquirida pela Distillers Company Ltd em 1925, mas fechou novamente durante a Segunda Guerra Mundial e assim permaneceu até 1945. Em 1972 a destilaria foi ampliada e os velhos alambiques foram substituídos por quatro novos, de vapor aquecido. Em 1998, a Bacardi comprou a John Dewar & Sons da DIAGEO (antiga DCL) em um negócio de 1 bilhão de libras, que envolveu cinco destilarias de malte e a marca de gim Bombay Sapphire.


O malte Aberfeldy está em toda a linha de blends da família Dewar. O malte é excelente por si só, mas, em razão dos volumes do Dewar’s (mais de 1 milhão de caixas por ano), não é muito visto como single malt. Os quatro alambiques de potes largos produzem um destilado ceroso que reveste a boca.

Em seu longo vínculo com o whisky Dewar’s White Label, a Aberfeldy se tornou efetivamente o mundo do whisky Dewar’s. Um dos principais temas de seu centro de visitantes é justamente Tommy Dewar (1864-1930), provavelmente o maior barão do whisky da história. Tommy foi o primeiro verdadeiro gênio do marketing no ramo do whisky, e seu legado é atualmente celebrado na destilaria.


O centro de visitantes da Aberfeldy é conhecido como Dewar´s World of Whisky (o Mundo do Whisky dos Dewar) e dezenas de milhares de visitantes ao ano vem apenas para conhecê-lo, um projeto que custou cerca de 2 milhões de libras. Este centro serve para a comercialização dos produtos e também para a educação do público sobre o processo de destilação e sobre a história da marca Dewar.

O Aberfeldy 12 anos foi introduzido no mercado em 1999 e é maturado em barris de carvalho espanhóis e americanos.


O que pude perceber:
Características: dourado claro, de pouco para médio corpo.
Aroma: suave de malte, sem evidência de álcool, frutado, com maçãs e peras, notas de baunilha e cereais e um amadeirado sutil. Herbal, adocicado e amanteigado. Chocolate ao leite. Com a adição de um pouco de água fica mais suave, aparece uma baunilha e continuam as notas herbais, como gramíneas. Surge uma nota crocante de cereal, algo como biscoito de maisena. Permanece as notas de malte mas o amadeirado some.
Paladar: levemente picante, malte, madeira, seco, não tão doce quanto sentido no aroma. Gramíneas, herbal. Nota-se nitidamente maçã, frutas secas e um condimentado. Finaliza de uma forma média e picante. Deixa uma nota terrosa, como terra molhada. Com um pouco de água fica um pouco menos picante, evidencia mais o frutado, algumas notas herbáceas. Continua seco e finaliza novamente de forma picante, de média duração, deixando uma leve sensação de dormência na boca.


Whisky intrigante. Abri a garrafa para experimentá-lo e confesso que não me agradou muito. Achei-o um tanto quanto agressivo, tanto no olfato quanto no paladar. Aí veio a ideia de deixá-lo descansando um tempo. Alguns minutos de descanso foram o suficiente para abrandá-lo e liberar os aromas. Apareceu um outro whisky, uma grata surpresa.

Intrigante também é perceber uma suavidade e doçura no olfato e no paladar ser um whisky seco e picante. Uma variação muito grande do que é sentido no olfato e o que é sentido no paladar.

Uma bebida para ser degustada devagar. Com o tempo vão aparecendo nuances de aromas e sabores que não são percebidos logo no início. Deve ser apreciada com calma para aproveitar todo o seu potencial. A garrafa é um charme à parte.




Aberfeldy 12 Anos

Single Malt Terras Altas Teor Alc 40%

A expressão padrão tem um aroma puro de maçã no nariz, além de um caráter frutado e moderadamente encorpado na boca.



domingo, 25 de março de 2018

World Whiskies Awards 2018: os Vencedores



Como de costume, março vê o anúncio dos primeiros grandes prêmios de whisky do ano, The World Whiskies Awards. Eu sou um tanto quanto cético com relação a essas premiações, acho que são muito comerciais e em função do mercado. Mas para quem gosta de rankings, é uma beleza.

E OS VENCEDORES DE 2018 SÃO…



Melhor Single Malt do Mundo: Hakushu 25 Anos
Melhor Single Cask Single Malt do Mundo: Sullivan Cove Universal Oak Single Cask HH0351
Melhor Blended do Mundo: Johnnie Walker Gold
Melhor Blended de Edição Limitada do Mundo: Ichiro's Malt and Grain Limited Edition
Melhor Blended Malt do Mundo: Nikka Taketsuru 17 Anos
Melhor Grain do Mundo: Bain's Cape Mountain Whisky
Melhor Bourbon do Mundo: 1792 Full Proof
Melhor Centeio do Mundo: Distillery 291 Colorado Rye
Melhor Trigo do Mundo: Bainbridge Battle Point
Melhor Milho do Mundo: Balcones True Blue 100 Proof
Melhor Blended Canadense: JP Wiser's Dissertation
Melhor Pot Still do Mundo: Ransom The Emerald 1865 Straight American Whiskey

Um interessante conjunto de resultados, com apenas um whisky escocês aparecendo nas categorias principais. Embora seja bom que Johnnie Walker tenha recuperado a coroa de blended whisky, o single malt e blended malt foram para o Japão.


Fonte: blog,thewhiskyexchange.com

sábado, 24 de março de 2018

Desvendando Nº 68: Jura Turas Mara



Estima-se que o cervo vermelho da ilha hebridense de Jura supere a população humana na proporção de 30 para 1. De fato, o nome Jura significa “ilha do cervo” em nórdico. A atual destilaria foi estabelecida em 1810 e a população era, então, de cerca de mil habitantes. Hoje, é de cerca de um quarto disso.

Usando malte levemente turfoso, a destilaria produz um whisky leve, seco, que não é típico de outros maltes de ilha e é responsável pelo único setor produtivo de Jura depois da agricultura e da pesca. Após um período de fechamento, entre 1918 e 1960, foi reconstruída em 1960 e ampliada nos anos 1970 para 4 grandes alambiques que são mais como os de uma destilaria das Highland do que os de suas vizinhas em Islay.


Existem várias expressões do Jura e, recentemente, a destilaria anunciou a adoção de um novo portfólio para a marca. Já o Turas Mara é um whisky feito originalmente para ser exclusivo de varejo de viagem.

Turas Mara é gaélico escocês para “longa jornada” e homenageia os ilhéus que emigraram para a América do Norte durante os séculos XVIII e XIX. Para homenagear sua longa jornada, o Jura Turas-Mara foi lançado em 2013 exclusivamente em lojas duty-free selecionadas para aqueles que embarcam em sua própria jornada. A garrafa exibe uma bússola como simbologia.


Engarrafado com um ABV de 42% e amadurecido em uma mistura de barris de bourbon, barris de xerez, barris de carvalho francês e barris de Porto, este é um whisky frutado e complexo. A escolha de um grande número de barris diferentes reflete o sabor exótico e único que vem das madeiras provenientes de todo o mundo.

O que pude perceber:
Características: cor dourada, pouco corpo.
Aroma: frutado, picante, amêndoas, frutas secas, ameixas pretas em compota. Cítrico, baunilha, mel e frutas vermelhas. Além de um adocicado, há também um aroma herbal, de gramíneas. Percebe-se também que é um whisky seco. A adição de um pouco de água evidencia o herbal e a sensação de whisky seco. Baunilha, açúcar mascavo e mel. Aparece um aroma de uvas brancas e também um amadeirado. As ameixas pretas persistem.
Paladar: quente, seco, ameixas pretas, caramelo, açúcar mascavo, um pouco de baunilha, finalizando com uma sensação de frutas vermelhas suculentas. Aparece um frutado cítrico, uma mistura de abacaxi, pera e maçãs. Com um pouco de água continua quente e picante, com canela dando o tom. Frutado, com frutas suculentas presentes o tempo todo, ameixas pretas, uvas acentuadas, misturadas com um pouco de baunilha. Finaliza de forma quente e picante e, desta vez, deu para sentir uma leve fumaça, algo bem sutil. Na verdade, não há quase nada de fumaça.

É um whisky que tem uma profusão de aromas e sabores. Muito se deve à sua finalização em diferentes tipos de barril. São quatro tipos: barris de carvalho americano ex-bourbon, barris de carvalho espanhol ex-xerez, barris franceses ex-bordeaux e barris ex-porto Ruby.


O tempo todo o whisky apresenta uma sensação de frutas suculentas, doce, que preenche a boca. Com 42% ABV, o álcool não é sentido. Eu diria que não é necessário adicionar água, mas esta foi fundamental para deixar o whisky mais equilibrado. É uma versão um pouco diferente ao que se está acostumado dos Jura, mas é muito prazerosa de se apreciar.

A mistura de diversos barris ficou bem interessante, dando para perceber as notas que cada um entrega, com a curiosidade do Barril ex-bourdeaux, que não é muito visto, ao contrário dos demais. O que eu pude perceber e distinguir que era proveniente dele foram as notas de uva, que para mim eram brancas. Mas o que prevaleceu mesmo foram as notas provenientes do ex-xerez, inclusive dando um certo amargor ao whisky.

No geral, um bom whisky para conhecer e apreciar.




Jura Turas Mara

Single Malt Teor Alc 42%

No aroma, frutas frescas como ameixas, uvas pretas e cerejas com baunilha e notas de caramelo. No paladar, muita baunilha, mel e chocolate.