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sábado, 3 de novembro de 2018

Desvendando Nº 92: Jim Beam Choice



Disponível em mais de 130 países em todo o mundo, Jim Beam não é apenas o Bourbon mais vendido do mundo, é o whiskey americano mais vendido na Europa oriental, o número um de todos os tipos na Alemanha e a bebida alcoólica destilada número um na Austrália, segundo maior mercado mundial de Bourbon. Atualmente a empresa possui três destilarias localizadas nas cidades de Clermont, Boston e Frankfort, todas no estado do Kentucky.

Este Bourbon em particular, apresenta profunda cor de mel, é maduro, foi filtrado em carvão antes de ser engarrafado, o que lhe acrescenta complexidade, profundidade, suavidade e um delicioso sabor esfumaçado. Mais um ano de envelhecimento permitiu que o bourbon assumisse um gosto mais doce, mais cremoso e é ótimo para fazer parte de qualquer cocktail.


O que pude perceber:
Características: âmbar escuro, médio corpo.
Aroma: caramelo doce e baunilha. Mentolado, com um frutado de laranjas. Um pouco floral e amadeirado sutil. A adição de um pouco de água parece deixar o aroma com ainda mais caramelo. Além do amadeirado e da baunilha, agora aparecem biscoitos de maisena. Com uma pedra de gelo, predominam o mentolado, o herbal e a baunilha. O doce do caramelo persiste. Fica um whiskey com uma sensação de refrescância.
Paladar: frutado, baunilha, caramelo, confirma o mentolado sentido no aroma e aparece uma certa picância, bem leve e sutil. O amadeirado está bem presente. Não é tão doce no paladar quanto se faz parecer no aroma. Com um pouco de água, madeira e baunilha é que dão o tom, finalizando com o caramelo. Nada de picância desta vez, a não ser no retro-gosto. Fica um pouco aguado com a adição da água uma vez que não é um whiskey muito encorpado, embora tenha passado esta impressão ao analisar as lágrimas escorrerem durante a observação de suas características. A adição de uma pedra de gelo fez com que o whiskey perdesse um pouco de suas qualidades, amargando um pouco. A picância voltou, mas de forma desequilibrada. O gelo não ajudou, não agradou.

Whiskey que foi concebido e produzido com o mesmo sistema de produção do Jack Daniel's Nº 7, ou seja, com a filtragem a carvão, como os Tenessee Whiskeys.


O nome Choice é originário do que seria o whiskey preferido do Master Distiller da Jim Beam. Mandado escolher o seu preferido dentre os whiskeys do portfólio da marca, ele teria escolhido esta expressão. Daí o nome Choice, escolha em português.

É amadurecido por 5 anos em barris de carvalho americano novos e sua comparação com o Jack Daniel's Nº 7 é inevitável, uma vez que ambos são fabricados utilizando-se o mesmo processo. O Choice é um pouco mais escuro, talvez pelo tempo maior de barrica. São 5 anos, contra 4, em média, do JD. Ambos são parecidos no aroma, com uma leve vantagem para o JD, que é melhor estruturado e as notas se casam melhor. Já no sabor, há um toque de picância que destaca o JB. Colocando água ou gelo, acho que desestrutura tudo.


No final das contas, acho que o velho Jack ganha pelo know how, mas, o JB não deixa de ser interessante, tanto para experimentar um whiskey que utiliza também um processo que ficou famoso, como para fazer, justamente, esta comparação, de quem leva a melhor.




Jim Beam Choice

Tennessee Whiskey Teor Alc: 40%

O Jim Beam Choice é filtrado no estilo dos whiskeys do Tennessee após a maturação e tem uma personalidade macia e sedosa, além de mais notas carameladas que qualquer outra expressão Jim Beam.

sábado, 29 de setembro de 2018

Desvendando Nº 89: Wild Turkey Rare Breed



O bourbon Wild Turkey Rare Breed foi lançado no início da década de 1990 e desde então foram produzidos mais de 10 lotes. Rare Breed é uma mistura de bourbons de 6, 8 e 12 anos, e embora esta mistura de idades não esteja detalhada no rótulo, foi confirmado pelo Embaixador da marca Matt Gandolfo.

A destilaria Wild Turkey usa um único mashbill para todos os seus bourbons. A graduação alcoólica de entrada nos barris da Wild Turkey é relativamente baixa, entre 107 a 115 proof, resultando em uma baixa força de engarrafamento em comparação aos produtos da concorrência.

Rare Breed continua sendo um dos bourbons com a força do barril mais antigos do mercado. Curiosamente, não recebe tanta atenção quanto merece. Isto é possivelmente devido a sua força estar na extremidade inferior do espectro para um bourbon com a força do barril, muito próximo de outras marcas Wild Turkey que podem canibalizar sua própria base de consumidores.


O carro-chefe da empresa é o Wild Turkey 101, considerado com um teor alcoólico alto em relação à sua concorrência e bastante combativo no quesito preço. Tem cerca de 6 a 8 anos de idade e apenas 11 proof mais baixo do que este lote de Rare Breed. Como resultado, não é espantoso saber que o 101 é quase sempre o escolhido quando ambas as opções estão disponíveis.

O Master Distiller Jimmy Russell prefere bourbons entre 6 e 12 anos de idade, uma vez que a bebida já teve tempo suficiente para desenvolver o caráter, mas antes que se torne excessivamente amadeirado. Sendo assim, o Rare Breed oferece um meio de experimentar o bourbon Wild Turkey na sua verdadeira forma. Cada lote, porém, terá características distintas, embora seja de se esperar um início arrojado e picante com um acabamento relativamente complexo e macio.


O que pude perceber:
Características: âmbar escuro, encorpado.
Aroma: amadeirado bem evidente de barris chamuscados, baunilha, caramelo, doce, frutado, algo como laranja. Um pouco floral e cítrico, refrescante eu diria. Chocolate ao leite e um pouco de passas. Um whiskey bem estruturado no aroma. Também nada de álcool evidente, apesar do elevado teor alcoólico. Com a adição de um pouco de água surgiram notas mentoladas, de capim limão, notas herbais e um frutado diferente, desta vez aparecendo uma maçã além da laranja. Chocolate ao leite e baunilha. O aroma ficou bem equilibrado e complexo.
Paladar: chocolate ao leite, baunilha, doce, amadeirado e vai finalizando com um pouco de especiarias, de forma quente. Amanteigado, bastante cremoso. Apesar das especiarias, não deixa dormência na boca e nem há evidência de álcool. Confirmou a boa estrutura demonstrada no aroma. Na segunda vez que experimentei, senti um pouco mais das especiarias, ficando um pouco mais picante. Com um pouco de água ficou uma bebida macia, sedosa, com as notas doces dando o tom e finalizando sempre de forma condimentada, com uma certa picância. Eu diria até mais do que quando experimentado puro.


Whiskey com 56,4% de teor alcoólico, nesta versão, com a força do barril (equivalente aos cask strength dos single malts) em que em nenhum momento se percebe a sua presença. Digo nesta versão pois o teor alcoólico, por ser força do barril, pode variar de acordo com o lote. Envelhecido entre 8 e 12 anos segundo o fabricante. O teor alcoólico alto e o fato de não ser percebido desta maneira foi o que me impressionou neste whiskey.

Concebido para bater de frente com o Jack Daniel's Single Barrel. Na minha opinião bate e derruba. Todavia, bate de frente também com whiskeys de sua própria marca. Como é o caso do 101. Como já foi dito, no quesito custo x benefício, quando estão os dois lado a lado, o 101 entrega tanto quanto o Rare Breed por muito menos.




Wild Turkey Rare Breed

Bourbon (Teor Alc. Variável)

Lançado em 1991, esse rótulo inclui whiskeys envelhecidos de 6 a 12 anos. O aroma e o sabor são impressionantemente suaves para um whiskey de tão alto teor alcoólico. Olfato complexo, inicialmente incisivo, com nozes, laranjas, temperos e notas florais. Mel, laranja, baunilha, tabaco, menta e melado criam um palato igualmente complexo. Final longo, com nozes e centeio apimentado.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Desvendando Nº 88: Wild Turkey 101



Wild Turkey é uma marca de Bourbon destilado e engarrafado pela divisão Austin Nichols do Grupo Campari. A destilaria está localizada perto de Lawrenceburg, Kentucky. Oferece passeios e faz parte do American Whiskey trail e do Kentucky Bourbon Trail.

Os irmãos Ripy construíram uma destilaria em Tyrone, Kentucky perto de Lawrenceburg em 1869, consolidaram-na em 1905 e retomaram a destilação após a Lei Seca. A destilaria foi comprada em 1952 pelos irmãos Gould. Por sua vez foi comprada pela Pernod Ricard em 1980. Em 8 de abril de 2009, o Grupo Campari anunciou a aquisição da marca e da destilaria da Pernod Ricard.


A marca Wild Turkey foi criada em 1940, quando o presidente da Austin Nichol, Thomas McCarthy, escolheu alguns dos bourbons puros, com 101 proof, dos armazéns da empresa para levar em uma caçada ao peru selvagem (wild turkey). No ano seguinte, seus amigos lhe pediram "um pouco daquele whiskey peru selvagem", e uma marca nasceu.

O rótulo de Wild Turkey carrega uma ilustração vividamente impressa de seu homônimo. Nos EUA, cinco variedades de bourbon geralmente estão disponíveis: 81 proof, 101 proof, Kentucky Spirit, Russell Reserve, e Rare Breed.

O Wild Turkey usa uma porcentagem menor de milho que os outros bourbons do kentucky, com maiores quantidades de centeio e malte para chegar a um whiskey mais encorpado e, em geral, de maior sabor. A receita do mosto e a linhagem de levedura são as mesmas para toda a série Wild Turkey.


A destilação é realizada a um teor relativamente baixo (56 a 57,5%) porque Jimmy Russel compara fazer um grande whiskey a preparar uma boa sopa: se cozinhar por mais tempo a uma temperatura mais baixa, retém melhor os sabores.

Uma influência adicional ao caráter do destilado maturado resulta da colocação do white dog (o new make, destilado claro) em barris fortemente crestados. A crestação pesada contribui significativamente para o sabor assinatura do Wild Turkey.

Hoje o Wild Turkey é destilado sob os olhos atentos do lendário mestre destilador Jimmy Russell e de seu filho Eddie (o primeiro é a quarta geração dos Russell a trabalhar na destilaria e tem 25 anos de experiência).


O que pude perceber:
Características: âmbar escuro, encorpado.
Aroma: apesar de 50,5% ABV, o álcool não é perceptível, desde que o copo não seja agitado. O que predomina é madeira, caramelo, mentolado, baunilha sutil, adocicado. Não há o aroma de milho característico dos bourbons de menor qualidade, o que, a meu ver, só isso já eleva o nível deste whiskey. Maçã, rapadura, bala toffee. Um pouco de condimentos no fundo, um certo toque de especiarias. A adição de um pouco de água o deixou um pouco mais doce, evidenciando a baunilha e o caramelo. O mentolado permanece presente, assim como o frutado. Balas toffee e um certo chamuscado agora são bem evidentes.
Paladar: madeira, caramelo, baunilha, especiarias e menta. Então uma picância vai tomando conta e deixando uma ardência na boca. Nota-se também o amargo do centeio em detrimento do sabor do milho. A finalização é longa, seca e quente, deixando uma sensação frutada. A adição de um pouco de água deixa o whiskey mais macio ao paladar, baunilha e chocolate bem presentes, fica menos agressivo no que tange a picância, mas finaliza da mesma forma, seca quente e com notas de especiarias. A dormência na boca diminui, embora realce a presença do centeio.

Whiskey sem aroma nem gosto de milho e que com seus 50,5% ABV não se mostrou nem um pouco agressivo no quesito álcool. Quanto aos condimentos, é bastante apimentado. Possui uma proporção maior de centeio em sua composição, o que deixa o bourbon menos doce e com estas notas de especiarias. Segundo informações no próprio rótulo, é envelhecido entre 6 a 8 anos em barris de carvalho americano altamente tostados, o que lhe confere a sua cor mais escura e as notas amadeiradas e tostadas.

Apesar do teor alcoólico elevado, é fácil de beber e o álcool não se mostra perceptível. Para mim, precisa somente driblar um pouquinho a sua picância, que achei um pouco elevada, principalmente na finalização. Mas nada que umas gotas de água não resolvam.




Wild Turkey 101 Proof

Bourbon: Teor Alc 50,5%

Jimmy Russel insiste que 50,5% (101 proof) é o teor ideal para engarrafar o Wild Turkey. Essa expressão tem aroma macio, porém suntuoso para um whiskey com teor alcoólico tão alto. Isso se deve em parte aos seus oito anos de maturação. Caramelo, baunilha, frutas macias e um toque picante no olfato. Encorpado, robusto na boca, com baunilha, fruta fresca e tempero, além de açúcar mascavo e mel. Notas de carvalho se desenvolvem no longo final, que ainda é suave.

domingo, 2 de setembro de 2018

Desvendando Nr 85: Elijah Craig 12 Anos



A destilaria Heaven Hill nasceu em 1934, depois da Lei Seca e durante a depressão nos EUA. Um grupo de produtores de whiskey de Boston conseguiu apoio financeiro com os irmãos Shapira, e a destilaria Old Heaven Hill Springs foi construída. A família Shapira simplesmente financiaria o projeto, mas vários anos depois se tornou o único proprietário do empreendimento.

Após a Segunda Guerra Mundial, a empresa passou a criar diferentes edições do whiskey, e o negócio prosperou. Em 1986, assim como outras destilarias, a Heaven Hill passou a se interessar por bourbons de pequeno lote. O primeiro lançamento foi o Elijah Craig 12 Anos, em homenagem ao ministro da igreja Batista e agricultor que já destilava no fim do século XVIII.


O pastor batista Elijah Craig (1743-1808) ficou conhecido como o pai do bourbon. Tem a fama de ser o criador do método de usar barris queimados para guardar e maturar bebidas. De acordo com o folclore do whiskey, ele incentivava a prática de usar barris crestados na maturação. Uma descoberta casual depois de um incêndio, o que levou a um estilo característico que contribuiu para definir o bourbon.

Não existe nenhuma prova de que foi o primeiro a fazer bourbon, mas a associação entre um religioso e o whiskey foi vista como ferramenta útil na resistência aos militantes adversários do álcool. Essa edição que o homenageia é produzida com não mais que 100 barris e pode ser considerada o primeiro bourbon de pequeno lote.


O que pude perceber:
Características: cor âmbar escuro, encorpado.
Aroma: madeira, baunilha e caramelo dá para sentir de longe, sem precisar aproximar o copo do nariz. Bala de leite, adocicado, possui um certo frutado, algo como abacaxi, manteiga, pasta de amendoim. Sensação de algo bem oleoso. No fundo dá para sentir gramíneas, chocolate branco e algumas notas condimentadas trazendo uma pimenta. Com um pouco de água realçam os aromas de madeira, baunilha e caramelo, com chocolate branco presente. Fica um whiskey mais aveludado, equilibrado, redondo. Notas frutadas, mel e agora um toque sutil de cereais.
Paladar: madeira, baunilha, chocolate, mel, depois vai esquentando a boca com especiarias, apimentado, mais um pouco de baunilha e finaliza com um toque herbal. A finalização é longa, demora bastante tempo na boca. Dá para sentir um frutado de maçãs, abacaxi, pera, o adocicado do caramelo e da baunilha, sem ser enjoativo. Depois, picância. Fica um retro-gosto parecido com rapadura, paçoquita. Lembram da pasta de amendoim? Com a adição de um pouco de água, mel, madeira, caramelo, frutas, abacaxi, maçã, rapadura e depois vem a picância que desta vez foi um pouco mais pronunciada, bem forte mesmo, deixando a boca com uma sensação de dormência. Nas especiarias tem algo de gengibre, canela, noz-moscada, o que acaba dando, de certa forma, um equilíbrio em contraste com o adocicado da bebida. A finalização é longa e seca.


Eu o achei um belo bourbon, apesar de deixar a boca bastante dormente na sua finalização. A picância logo passa, mas a sensação é de que a boca fora anestesiada, da mesma forma quando vamos ao dentista. Esta, apesar de um tanto quanto absurda, é uma boa comparação.

Excelente opção para fugir dos bourbons tradicionalmente vendidos, carregados no milho e enjoativamente doces. Este exemplar possui uma proporção considerável de centeio, o que também explica a sua picância.

Os 12 anos de envelhecimento também contribuem sobremaneira para o caráter deste whiskey. Dificilmente encontraremos bourbons maturados por muito tempo, uma vez que o clima dos Estados Unidos faz com que a bebida atinja a maturação mais cedo. Este tempo a mais nos barris fez com que esta bebida atingisse outro patamar na degustação. Nem mesmo o álcool, que neste caso é de 47% ABV, é perceptível.

O tempo fez também acentuar as características do centeio, contribuindo para formar o corpo e o caráter do destilado.

Resumindo, um ótimo bourbon para ser apreciado aos poucos, talvez até acrescentando um pouco de água, para deixá-lo mais redondo, apesar da água ter acentuado sua picância. Ótima pedida também para acompanhar um charuto.




Elijah Craig 12 Anos

Bourbon Teor Alc: 47%

Um bourbon clássico, com aromas doces e maduros de caramelo, baunilha, tons picantes e mel, além de um pouco de menta. Rico, encorpado e arredondado no suave paladar, com caramelo, malte, milho, centeio e uma ponta de fumaça. Carvalho doce, anis e baunilha dominam o final.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Desvendando Nº 72: Jim Beam Devil's Cut



A desvantagem de ser uma grande marca é que os aficionados podem deixar de notar a linha inteira. Ainda assim, existe tanta criatividade nas duas destilarias de Beam em Clermont e Boston quanto em qualquer outra fábrica.

Nesta versão, os fabricantes optaram por uma bebida com 45% ABV e turbinada pela adição do próprio espírito absorvido pela madeira. Seria a bebida do próprio diabo?


O que pude perceber:
Características: cor âmbar, encorpado.
Aroma: doce, caramelo, baunilha, madeira. Uma nota de chamuscado é bem proeminente. Bala toffee. Mel. Açúcar mascavo, puxando mais para rapadura. Pão de centeio. Nenhuma evidência de álcool apesar de seus 45% ABV. Com a adição de um pouco de água, evidencia o amadeirado e a baunilha. Fica um pouco mais suave. Surge um aroma terroso e esta adição de água dá uma arredondada no whiskey.
Paladar: baunilha, madeira, mel, toffee, uma certa picância, deixa um ardidinho na boca. A finalização é de açúcar mascavo. No paladar, o álcool não é evidente, assim como não foi no aroma. Melaço. Um pouco de centeio. A água adicionada ao whiskey deixa transparecer um certo frutado. A finalização continua quente, com açúcar mascavo.


Whiskey interessante e intrigante. Lançado em 2011, é composto por 77% de milho, 13% de centeio e 10% de cevada maltada, ainda assim não entrega muita evidência do milho. Também não é muito doce. E a curiosidade fica em cima de seu processo de fabricação, onde é extraída até a última gota de whiskey entranhada nos veios da madeira dos barris, onde permaneceram escondidas por cerca de 6 anos.

Este whiskey “a mais” foi batizado de Devil's Cut, ou a “parte do demônio”, em contrapartida ao Angel's Share, “parte dos anjos”. Enquanto o Angel's Share é o álcool que evapora durante o processo de envelhecimento, o Devil's Cut é o álcool que se esconde nas ranhuras da madeira.


O processo de extração do whiskey entranhado na madeira, chamado de “suar o barril”, consiste em encher os barris de água desmineralizada e ir girando por meios mecânicos. O whiskey irá se misturar à água. Depois, esta mesma água será usada para realizar o corte do destilado, ou seja, reduzir seu ABV para 45%. Este processo acaba por deixar a bebida com um sabor mais amadeirado e mais abaunilhado também, por conter líquido de extremo contato com a madeira. Segundo a Jim Beam, consegue-se extrair até 2 litros de whiskey dos veios da madeira.

Para quem está querendo fugir dos bourbons extremamente doces e convencionais, este é uma excelente pedida para experimentar. O whiskey em si entrega bastante sabor. Apesar também do marketing em cima do processo de extração do líquido entranhado na madeira, há que se reconhecer que existe sim um sabor e aromas diferenciados nesta bebida, o que é mais um apelo para ser conhecido.




Jim Beam Devil's Cut

Bourbon Teor Alc 45%

Aroma de madeira com espessa camada de caramelo, nozes tostadas, frutas cítricas maduras e uma adstringência suave. No paladar, carvalho e caramelo batalham entre si ganhando um toque de canela. A noz do nariz aparece juntamente com algumas frutas escuras e couro. No fundo, baunilha.

sábado, 7 de abril de 2018

Desvendando Nº 70: Maker's Mark



A destilaria Maker's Mark fica próxima a Loretto. Criada em 1805, é a mais antiga destilaria americana a funcionar no local de origem. A marca Maker's Mark foi desenvolvida na década de 1950 por Bill Samuels Jr e hoje é propriedade da Fortune Brands Inc. Em 1980 foi declarada Monumento Histórico Nacional.


Em 1780, Robert Samuels fixou residência no Kentucky e provavelmente começou a produzir whisky imediatamente, como tantos outros fazendeiros haviam feito na Escócia e na Irlanda antes dele. A partir de 1840, T.W. Samuels (neto de Robert) começou a destilar em quantidades maiores. No entanto, a primeira destilaria comercial só ficou pronta em 1894. O próximo passo na história da companhia mostra que, em 1943, Bill Samuels deixou a destilaria e destruiu a antiga receita da família. Ele acreditava que deveria criar uma fórmula mais suave para combater a crescente popularidade de whiskies escoceses e canadenses em relação ao bourbon.

A receita que ele criou utilizava trigo vermelho de inverno, proveniente de fazendas locais, em vez de centeio. As proporções são 70% de amido de milho, 14% de trigo e 16% de cevada maltada.


A garrafa e o nome do novo whisky foram ideia da esposa de Bill. Como colecionadora de objetos de estanho, costumava procurar “the mark of the maker”, ou seja, “a marca do autor”. Também colecionava garrafas de conhaque, muitas delas com lacre colorido de cera derretida. O design inclui um “S” de Samuels, o número “IV”, que simboliza a quarta geração da família e uma estrela, que remete à fazenda Star Hill, onde o Maker's Mark é produzido. As garrafas são rotuladas à mão e mergulhadas em cera vermelha, então nenhuma é igual a outra. E, para assegurar que todos percebam que o Maker's Mark é diferente, o rótulo opta por usar a grafia “whisky” em vez de “whiskey”, que é mais associada às marcas americanas. Uma forma também de homenagear a ascendência escocesa de Samuels. As primeiras garrafas de Maker's Mark foram vendidas em 1958.


Cada lote do whisky provém de grupos de menos de 19 barris, que normalmente são maturados nos armazéns da empresa por seis anos. Há remessas de várias concentrações, principalmente de 50,5% (101) e 45% (90).

O que pude perceber:
Características: cor âmbar, encorpado.
Aroma: adocicado, caramelo, chocolate ao leite, madeira queimada, mentolado. Uma lembrança de trigo. Nenhuma evidência de álcool apesar de seus 45% ABV. Depois vem baunilha, coco, açúcar mascavo. Com um pouco de água as características de um bourbon tradicional aparecem, com bastante caramelo e baunilha. Mentolado, chocolate ao leite e açúcar mascavo. Há um certo toque floral. Continua com zero de álcool. Com uma pedra de gelo o mentolado toma conta e fica um pouco menos doce.
Paladar: um pouco picante e ardido no início, depois passa pelo chocolate e açúcar mascavo. Em seguida baunilha e um mentolado. O trigo também está presente. Finaliza de uma forma seca e de média duração. Desta vez é possível sentir um pouco do adocicado característico dos bourbons, proveniente do milho, embora ele não se sobressaia. Caramelo e madeira se fazem presentes também na finalização. Com água, fica mais suave, menos ardido no começo e mais arredondado. Baunilha, amadeirado tostado sutil. A sensação de picância continua na finalização, deixando a boca um pouco dormente. Com uma pedra de gelo destacam-se o amadeirado tostado e o mentolado, além de ficar menos doce. Continua finalizando de forma picante.


Mais um bourbon com uma proposta diferente. A intenção deste whisky foi o de ser uma bebida que não tivesse aquele impacto do centeio na composição, motivo pelo qual o grão fora substituído pelo trigo, para dar uma suavizada. Além disso, em seu processo de destilação, além de usar os alambiques de coluna tradicionais, utiliza também alambiques pot still em sua segunda destilação, o que acaba por abrandar um pouco mais a bebida.

Também não apresenta o milho como ator principal, o que para mim agradou bastante. Ficou um sabor interessante, trazendo, apesar da suavidade do trigo, um certo amargor contrastante com a doçura. Incomodou um pouco a picância do início, quando experimentado puro e também em sua finalização, que apareceu em todas as formas de degustação, deixando a boca dormente por um bom tempo. 

Driblado este ponto, é bom apreciar uma bebida que não é doce e enjoativa. Além do mais, o álcool não é evidente, o que é mais um ponto positivo. De um modo geral, um bom whisky para ter na coleção e ser apreciado de vez em quando.




Maker's Mark

Bourbon Teor Alc 45%

Um olfato sutil, complexo, limpo, com baunilha e tons picantes, uma delicada nota floral de rosas, além de limão e grãos de cacau. Medianamente encorpado, oferece um palato de frutas frescas, temperos, eucalipto e torta de gengibre. O final possui mais temperos, carvalho fresco com uma ideia de fumaça, e uma pitada final de cheesecake de pêssego.

domingo, 11 de março de 2018

Desvendando Nº 66: Buffalo Trace Straight Bourbon



Conhecida anteriormente como Ancient Age, a Buffalo Trace fica num ponto onde manadas de búfalos cruzavam o rio Kentucky em suas migrações. A trilha que seguiam era conhecida como a Great Buffalo Trace.

A primeira destilaria do local foi estabelecida em 1857 pela família Blanton. Mais tarde seria dirigida pelo “aristocrata do bourbon”, Edmund Haynes Taylor, que batizou a fábrica de OFC, iniciais de Old-Fashioned Cooper Distillery. Mas foi Albert Bacon Blanton quem a fez crescer, apesar de inundações e da Lei Seca, pois foi uma das quatro destilarias que continuaram a produzir destilados para fins medicinais enquanto durou a Lei. Blanton, nos anos 1890 passou de funcionário de escritório a administrador e dono de parte da destilaria junto com George T. Stagg. Ele se aposentou em 1952, depois de 55 anos de serviço à empresa, e foi homenageado com uma estátua na destilaria e com o Blanton's Single Barrel Bourbon.

Este foi o primeiro bourbon de barril único comercializado, e foi introduzido em 1984 pelo então master distiller Elmer T. Lee, que agora também tem um whiskey batizado em sua homenagem.

A destilaria tem capacidade anual de 54 milhões de litros e o estilo da casa é notadamente doce, devido a inclusão de alta porcentagem de milho no mosto. Barris fortemente crestados são usados na maturação, e o destilado é filtrado a frio antes do engarrafamento, em vez de passar pelo método mais usual de filtragem a carvão. De acordo com a empresa, isto torna o whiskey mais saboroso.


A Buffalo Trace se orgulha de ter a maior variação de idades entre os whiskeys americanos, de 4 a 23 anos, e é a única destilaria dos Estados Unidos a usar cinco receitas, um wheat whiskey, um rye whiskey, dois straight bourbons e um barley.

Além do popular Buffalo Trace Kentucky Straight Bourbon, a destilaria também produz várias outras marcas, entre elas a Ancient Age, que era o nome da destilaria até 1999. Desde 2002, também produz destilado para a marca de whiskeys Van Winkle.

O que pude perceber:
Características: cor âmbar, médio corpo.
Aroma: adocicado, apimentado, amadeirado, herbal, amêndoas, baunilha e caramelo. O álcool, apesar dos 45% ABV, não é sentido. Nota-se uma presença de centeio que sobrepuja o milho, este quase não é sentido. A adição de um pouco de água realçou o centeio, surge um frutado, de frutas secas, algo como uvas passas. O milho, se é que tinha alguma evidência, some completamente. Terroso, mentolado, baunilha, e agora, um pouco menos amadeirado.
Paladar: chocolate amargo, picante, gengibre, um leve toque de limão, herbal, baunilha, caramelo, um pouco de açúcar mascavo e centeio. Possui uma finalização média, picante, que seca a boca. Com água o paladar fica um pouco menos picante, mais herbal, com amêndoas, chocolate ao leite e baunilha. A finalização fica com frutas secas e uma sutil picância.


Achei um bourbon fantástico. Superou minhas expectativas. Principalmente pelo fato de não ter o adocicado do milho evidente e realçar um pouco mais o sabor de centeio. É bem equilibrado neste quesito e não possui nenhuma presença de álcool, tanto no aroma quanto no paladar. Isto pode ser explicado pelo cuidado com o seu processo de produção. Cada edição do buffalo Trace é criada a partir de 35 barris, escolhidos a dedo pelo mestre destilador. A empresa se orgulha de sua exclusividade e qualidade natural de seus produtos.

Posso dizer com certeza, até aqui, que é o meu bourbon favorito. Uma pena ainda não ser comercializado no Brasil mas, quem tiver a oportunidade de encontrá-lo, pode comprar sem medo. Whiskey bem cremoso e agradável, fácil de beber. Excelente para acompanhar um charuto, os aromas e sabores se casam muito bem.




Buffalo Trace Kentucky Straight Bourbon

Bourbon Teor Alc 45%

Envelhecido um mínimo de 9 anos, tem aromas de baunilha, chiclete, menta e melado. Doce, frutado e apimentado no paladar, com carvalho e açúcar mascavo emergentes. A água libera intensas notas frutadas. O final é longo, picante e bastante seco, com baunilha se desenvolvendo.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

A garrafa infinita: misturando whisky em casa


Misturar whiskies é difícil. Para os Master Blenders, são necessários anos de treinamento para aprimorar suas habilidades, trabalhando lentamente através das fileiras incontáveis de garrafas para assumir a criação de novos whiskies. No entanto, isso não impede que se tente sozinho, em casa. Uma das maneiras mais fáceis de examinar essa faceta do mundo da criação de whisky é fazer a própria garrafa. Melhor ainda, uma garrafa infinita, que nunca se esvazia, sempre que fica com o nível baixo, completa-se com mais whisky.

Atualmente, possuo um barril de carvalho (mas pode ser uma garrafa como sugerido no início do texto) com combinações diferentes em movimento. Tenho um caderno listando tudo o que adicionei nos últimos dois anos. Sempre que eu gosto de um determinado whisky, adiciono uma pequena porção da minha coleção de garrafas abertas. Lentamente estas misturas se movem na direção de se tornar o meu whisky ideal.

No entanto, como em tudo, existem algumas regras a seguir:

COMEÇANDO…

Há dois métodos:

1. Começar com uma garrafa de whisky conhecida e com preço razoável. Depois, adiciona-se outros whiskies conhecidos e do gosto pessoal. Isso dará uma boa base e permitirá que se desenvolva sabores com os quais já se conhece.

2. Começar com uma mistura aleatória de possibilidades, de preferência aqueles whiskies que já estão abertos há um bom tempo e que possuem uma quantidade pequena na garrafa. Lembrando que, uma vez aberta a garrafa, o whisky não dura para sempre.

Enquanto o primeiro método cria um whisky mais confiável e decente, o segundo método proporciona uma satisfação maior com o trabalho subsequente para polir arestas e ajustar a bebida.

TER UM PLANO ANTES DE ADICIONAR QUALQUER COISA

Adicionar qualquer whisky antigo em sua garrafa infinita provavelmente não vai fazer a melhor mistura. No entanto, alguns minutos de pensamento sobre onde se quer chegar pode ajudar a fazer escolhas sensatas. O whisky está muito seco? Adicione algo doce. É muito pesado? Adicione um pouco de whisky mais leve. Precisa de alguma riqueza? Adicione um whisky sherried. Está muito esfumaçado? Adicione algo não turfado. Decisões simples que podem levar a mistura mais perto do whisky ideal.

TER CUIDADO COM A FUMAÇA

O esfumaçado é um sabor poderoso e deve ser usado com moderação. Para uma demonstração, pegue um copo do seu whisky favorito não turfado e adicione algumas gotas de um whisky pesadamente turfado. Você ficará surpreso com o quão pouco é preciso adicionar antes que ele fique bem esfumaçado.

Sempre é possível adicionar um pouco de fumaça ao whisky, mas tirar já fica mais complicado.

NÃO TER MEDO DE EXPERIMENTAR

Quer ver o que acontecerá se adicionar algum bourbon a uma mistura de whiskies escoceses? Continue! Não precisa usar um barril para experimentar, mas numa garrafa, por que não? Pode ser excelente e valer a pena testar. No meu barril não faço isso, mas tenho uma garrafa de restos de whisky. Para ela, tudo vai. Contém whiskies de todo o mundo. Não feche as fronteiras da bebida.

EXPERIMENTAR, EXPERIMENTAR E EXPERIMENTAR NOVAMENTE

O objetivo de se ter uma garrafa infinita é explorar os sabores do whisky. Certifique-se de prová-lo regularmente. Não só para ver como o whisky muda lentamente à medida que os componentes se casam (o whisky é uma mistura complexa de compostos e eles demoram para se acalmar), mas também para liberar espaço para o próximo whisky a ser adicionado.


Boa sorte e sua garrafa infinita nunca será esvaziada.


Adaptação: blog.thewhiskyexchange.com

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Desvendando Nº 58: Bulleit Bourbon


O Bulleit Bourbon tem suas origens em Nova Orleans, local de chegada da família Bulleit, que imigrara da França no século XVIII. Augustus Bulleit mudou-se para Louisville, no Kentucky, em 1830, e começou a produzir bourbon com a própria receita. É importante lembrar que naquela época o bourbon era destilado em pequenos lotes, método que tem sido resgatado nos dias atuais por muitas empresas.

Augustus chegara ao Kentucky no momento histórico certo: viajantes que seguiam rumo ao oeste do país atravessavam o estado e levavam consigo a boa fama da bebida. Infelizmente isso não duraria muito. Em 1860 Augustus estava indo do Kentucky para Nova Orleans com um carregamento de barris e morreu no caminho, fato que levou também à morte a destilaria Bulleit.

Mas, como toda boa história que se preze, esse não foi o fim da marca de whiskey. Os casos daquele whiskey único passavam de pai para filho e a família sonhava em reerguer a marca. Em 1987, mais de 100 anos após a morte de Augustus, Tom Bulleit, tataraneto de Augustus e dono da Four Roses Distillery, finalmente recomeçou a produção do destilado.


O Bulleit é criado com no mínimo 51% de milho, mas tem alto teor de centeio, cerca de 29%, o que dá a bebida o gosto e o aroma tão característicos. O whiskey é colocado em barris de carvalho branco americano e estocado num armazém tradicional de somente um andar, o que assegura que todo o whiskey mature na mesma proporção, produzindo assim um estilo bem consistente.

A garrafa do Bulleit tem forma oval, parecida com as usadas no meio do século XIX. A Seagram comprou a marca e a repassou para a Diageo.

O que pude perceber:
Características: cobre, médio corpo.
Aroma: amadeirado, doce, baunilha. Um pouco de álcool é percebido, mas nada que incomode. Picante. Canela. Aroma de bolo recém-tirado do forno. Um pouco seco. O clássico bourbon só é lembrado sutilmente. A adição de um pouco de água, além de diminuir o teor alcoólico, libera e realça alguns aromas. Agora aparece um caramelo, baunilha, mel e açúcar mascavo. O álcool desaparece no olfato. Continua doce, mas ficou mais redondo e um pouco menos picante.
Paladar: seco, especiarias, canela. Desta vez, em nada lembra os bourbons standards. O álcool não se mostra evidente. Finaliza com uma sensação de aquecimento da boca e de uma forma longa. A adição de um pouco de água deixa a bebida mais palatável, quebra um pouco a força dos 45% de álcool, deixa mais suave e sedoso, terminando com um pouco de especiarias, de forma média e com menos aquecimento da boca. Embora o amadeirado e a baunilha continuem, juntamente com o caramelo, ficou menos doce e melhor de ser apreciado.


Whiskey que eu tinha uma certa curiosidade em conhecê-lo, fazendo boas expectativas sobre ele. Muito aguardado e comentado quando chegou ao Brasil. Mas confesso que esperava outro nível de sabor, por conter uma proporção maior de centeio em sua composição. Esperava algo mais seco e picante, com menos doçura, menos sabor de milho e baunilha. Não encontrei exatamente isso, mas também não posso dizer que me decepcionei com a bebida, apenas não atendeu minhas expectativas. É um bourbon muito bem feito.

Por isso, posso dizer que é um excelente bourbon para quem está querendo sair do trivial, das marcas mais encontradas no mercado, porque esta bebida está um patamar bem acima. Por enquanto, dos bourbons apresentados aqui no blog, ele está no topo.




Bulleit Bourbon

Bourbon Teor Alc 45%


Aromas ricos, de carvalho, levam a um sabor adoçado, formado entre a baunilha e o mel. O final de média duração possui baunilha e uma pitada de fumaça.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Destilaria Jim Beam lança Jim Beam Vanilla


A destilaria Jim Beam anunciou oficialmente a mais recente adição ao seu portfólio de bebidas saborizadas, Jim Beam Vanilla. Jim Beam Vanilla mistura licor de baunilha de Madagascar com o bourbon clássico do Kentucky.

Continuando com uma tradição familiar de inovação e exploração de mais de 222 anos, os destiladores de Jim Beam atingiram o equilíbrio perfeito da sutil baunilha de Madagascar com notas de caramelo e o caramelo próprio do bourbon, produzindo um doce aroma de baunilha e uma cor marrom dourada. Bartenders com amostras iniciais do produto sugeriram a mistura de Jim Beam Vanilla com refrigerante de cola e um enfeite de cereja para dar cor e sabor extra.

O portfólio de whiskey aromatizado da Jim Beam continua a contribuir para um impulso positivo da marca após o lançamento do Jim Beam Apple em 2015. Segundo pesquisas, as vendas da Jim Beam registraram crescimento de 15% nos últimos 12 meses.

Produzido com 70 proof (35% ABV), o novo Jim Beam Vanilla oferece o equilíbrio perfeito de doces suaves de baunilha, notas de carvalho e notas de bourbon com um caramelo profundo. Jim Beam Vanilla junta-se ao portfólio de whiskey aromatizado existente da marca já no mercado, incluindo Jim Beam Apple, Jim Beam Kentucky Fire, Jim Beam Honey e Red Stag Jim Beam Black Cherry. Terá um preço de varejo sugerido de US$ 15,99 por 750 ml.



Fonte: whiskyintelligence.com

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Destilaria Jack Daniel lança Jack Daniel's Tennessee Rye


A Destilaria Jack Daniel usou seus 150 anos de experiência em whiskey para criar um whiskey de centeio ao estilo de Jack, sabor picante, mas com um caráter suave. O Tennessee Rye, de Jack Daniel, será lançado nacionalmente em outubro.

Toda gota de Jack Daniel feita em Lynchburg, no Tennessee, passa por um filtro de carvão e depois é amadurecido em barris novos de carvalho americano criados pela própria destilaria. O mestre destilador Jeff Arnett e sua equipe de criadores de whiskey criaram um perfil de gosto distintivo para um novo whiskey de centeio como nenhum outro.

O Tennessee Rye, de Jack Daniel, possui um mash bill de 70% de centeio, 18% de milho, 12% de cevada maltada e é cuidadosamente filtrado em carvão para dar o acabamento conhecido de Jack. Com 90 proof (45% ABV), oferece sabores ricos do início ao fim. No palato, este whiskey de centeio bem arredondado brilha com acentos de caramelo e especiarias, passas secas, seguido de um acabamento de centeio quente e picante no final. O aroma é uma mistura atraente de frutas macias em camadas com um tempero de centeio subjacente e carvalho.


Disponível nas prateleiras em outubro, o Tennessee Rye de Jack Daniel terá tamanhos de garrafas de 50ml, 750ml e 1 litro. Tennessee Rye será oferecido a um preço de varejo sugerido de US$ 26,99 para uma garrafa de 750 ml.


Fonte: whiskyintelligence.com

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Bourbon X Scotch: algumas diferenças

Para apreciadores de bebidas que não sejam whisky, Scotch e Bourbon são a mesma coisa. Um espírito escuro, feito com os mesmos ingredientes e envelhecido nos mesmos barris. Certo? Errado. As duas bebidas têm muito em comum, mas também há um mundo de diferença.

LOCALIZAÇÃO

Scotch: o whisky escocês deve ser feito na Escócia. Não só isso, para usar o termo "scotch whisky" no rótulo, o whisky também deve ser maturado e engarrafado na Escócia (com exceção do blended, que pode ser engarrafado fora).

Bourbon: contrariamente à opinião popular, bourbon não precisa ser feito no Kentucky. Pode, de fato, ser feito em qualquer estado dos EUA, mas a água calcária encontrada no Kentucky faz dela uma localização ideal. O calcário filtra impurezas como o ferro.


INGREDIENTES

Scotch: o whisky single malt deve ser feito com 100% de cevada maltada. O whisky de grãos geralmente é feito com uma combinação de cevada maltada e não maltada, bem como outros grãos.

Bourbon: deve ser elaborado com uma receita básica ("mash bill") de pelo menos 51% de milho, com o restante composto de centeio, trigo e cevada. Quanto maior a proporção de milho na receita, mais doce é o bourbon. Os bourbons com maior proporção de centeio terão um sabor mais apimentado.

DESTILAÇÃO

Scotch: o método em que o whisky escocês é destilado depende do estilo ou da categoria: os single malts são geralmente destilados duplamente (às vezes triplo destilados) em alambiques tipo pot still, enquanto os whiskies de grãos serão destilados em alambiques de coluna.

Bourbon: quase todo o bourbon é primeiro destilado em um alambique de coluna, então o espírito sofre uma segunda destilação em um pot still modificado, conhecido como "doubler".


MATURAÇÃO

Scotch: as pessoas que fazem o whisky escocês têm muito para agradecer a indústria do bourbon. Os destiladores de Bourbon só podem envelhecer seu espírito em barris novos de carvalho. Depois de terem sido usados uma vez, os barris não servem mais para eles, então a maioria é vendida aos produtores escoceses. Os destiladores escoceses têm muito mais liberdade quando se trata de envelhecer o seu whisky e usam uma grande variedade de barris, incluindo aqueles que anteriormente continham vinho, ou até Cognac.

Bourbon: a outra grande diferença entre o whisky escocês e o bourbon é o clima. As temperaturas mais quentes do Kentucky significam que as taxas de evaporação são muito maiores, então o bourbon amadurece muito mais rápido do que o equivalente escocês, cerca de duas vezes mais rápido.


SABOR

É extremamente difícil falar sobre um estilo genérico para whisky escocês ou bourbon, mas há alguns sabores gerais que se pode esperar, dependendo do estilo.

Scotch: não existe um único estilo genérico de whisky escocês. Um Speysider leve e frutado tem pouco em comum com um robusto e turfado monstro de Islay. Além disso, devido a fatores como o tipo de barril, o nível de turfa e o tempo de maturação, os whiskies escoceses podem ser elegantes e florais, ricos e picantes, ou até mesmo ter um caráter salgado e marítimo.

Bourbon: um bourbon feito com uma alta proporção de milho será mais doce do que um com uma dose forte de centeio. Também é justo dizer que os bourbons geralmente terão um sabor mais doce do que a maioria dos whiskies escoceses e muitas vezes exibirão notas de toffee, canela e baunilha.

Ao comparar scotch whisky e bourbon, é impossível dizer se um é melhor que o outro. É mais uma questão de qual espírito você prefere. A maioria dos bourbons são feitos em um estilo acessível, mas há muitos whiskies escoceses que são suaves e sutis, também. Recomenda-se experimentar alguns de cada um e construir o próprio repertório de whisky. Felizmente há muitos whiskies para escolher.


Fonte:blog.thewhiskyexchange.com


terça-feira, 25 de outubro de 2016

Desvendando Nº 45: Woodford Reserve Distiller's Select


Woodford Reserve é uma destilaria de bourbon singular, que usa alambiques do tipo pot, como versões em miniatura dos da Glenmorangie, para fazer destilação tripla.

Declarada patrimônio histórico nacional, nascida pela segunda vez em 17 de outubro de 1996, uma reencarnação da destilaria do pioneiro Elijah Pepper, a Woodford foi concebida por sua proprietária, a Brown-Forman Company, de Louisville, para prestar homenagem à história e à tradição da destilação artesanal de bourbon em Kentucky. A destilaria renovada era chamada de Labrot & Graham até outubro de 2003.

A menor destilaria atualmente ativa em Kentucky, a Woodford cria pequenos lotes (small batch) de whiskeys do início ao fim, produzindo de 45 a 50 tonéis por dia. É a única destilaria de bourbon a empregar o raro método da tripla destilação e a utilizar exclusivamente alambiques tradicionais de cobre para tal.


A receita do Woodford Reserve leva 72% de milho, 18% de centeio e 10% de malte de cevada. Os grãos cozidos fermentam por cinco a sete dias em pequenas dornas de madeira, criando uma cerveja concentrada a 18 proof. Os alambiques com pescoços longos e estreitos atingem quase cinco metros de altura e incluem um alambique de cerveja, um de vinhos altos e um de espírito. O destilado do terceiro alambique sai a uma concentração de 158 proof, apenas dois pontos abaixo do limite legal.

Ao destilado é acrescentada água desmineralizada e é então colocado no barril medianamente chamuscado a 110 proof. O Woodford é em geral envelhecido de seis a sete anos e generosamente engarrafado a 90,4 proof.


O que pude perceber:
Características: cor âmbar escuro, encorpado.
Aroma: um pouquinho de álcool torna-se evidente no início, mas nada que chegue a incomodar. Caramelo, mel, açúcar mascavo queimado. Carvalho e baunilha. Aroma de chocolate ao leite juntamente com frutas secas. Em nenhum momento senti o cheiro característico de milho típico dos bourbons, tampouco o adocicado enjoativo. Bem equilibrado no olfato. Bastante perfumado. A adição de água realça o caramelo e o açúcar mascavo queimado. Fica um pouco mais adocicado. O álcool desta vez não é proeminente. O amadeirado perdura. Continua um whiskey bastante perfumado. Com uma pedrinha de gelo, caramelo e carvalho se sobressaem. Nada de álcool. Frutas secas. Sensação de um whiskey mais suave.
Paladar: picante, gengibre e bem quente. Não há o gosto de álcool propriamente dito, apesar de seus 45,2% ABV, mas há uma leve dormência na boca, que logo some, dando lugar ao caramelo e ao amadeirado do carvalho. Finaliza com um pouco de baunilha. Bastante complexo, com muitas variações no decorrer da degustação. Um pouco de água deixa o whiskey um pouco mais equilibrado, casando bem o caramelo, o gengibre, a baunilha e o amadeirado, finalizando com um toque picante, além das notas de chocolate ao leite. Bem interessante. O gelo deixa o paladar mais cremoso, com as notas mais doces dando o tom desta vez, porém o final continua picante, com um toque de gengibre.

Um whiskey bem equilibrado e complexo, diferente da maioria dos bourbons. Não é muito doce e o milho não se mostra evidente. Para o meu paladar, se todos os bourbons fossem como ele, eu me tornaria hoje um grande apreciador de bourbons. Possui barril e garrafa numeradas, o que demonstra um certo cuidado com sua produção. Na prática, sabem o que isso significa? Nada. Mas é sempre bom pensar que se está consumindo um produto exclusivo.




Woodford Reserve Distiller's Select
Bourbon Teor Alc 45,2%


O Distiller's Select é elegante, robusto no olfato, perfumado, com passas cobertas de chocolate, frutas secas, açúcar queimado e gengibre. Complexo no palato, é fragrante e frutado, com framboesa, camomila e gengibre. O final exibe notas de baunilha e carvalho apimentado.