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segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Desvendando Nº 96: Bowmore Darkest



Continuando a falar sobre a família Bowmore, mais um excelente exemplar para ser apreciado. Como eu havia colocado no último post, para não ficar repetitivo, coloco novamente aqui os links dos outros reviews da Bowmore para quem se interessar e quiser conhecer mais a história da destilaria.


O que pude perceber:
Características: cor âmbar escuro, encorpado.
Aroma: frutado, ameixas pretas, sherry, especiarias. Fumaça sutil, sobrepujada pelo sherry. Leve salinidade, como brisa de mar. Caráter seco. Um pouco iodado, tom medicinal. Chocolate e caramelo. Traz ainda uma certa doçura. Com um pouco de água evidencia frutas secas, passas, ameixas. O frutado predomina. Assim como fora experimentado sem água, com água não deixa transparecer nada de álcool. Um pouco de madeira e chocolate ao leite.
Paladar: frutado, suculento, adocicado, uma leve especiaria, deixando um ardidinho na boca. Seco, suave, amadeirado. Finaliza de forma longa, com frutas secas, especiarias, além de uma mistura de doce com salgado, de uma forma bem equilibrada. Com um pouco de água permanece o frutado, com frutas escuras. Aparece o iodado novamente, bem medicinal, finalizando de uma forma um pouco picante, com especiarias, só que agora, com média duração.


Whisky excelente para apreciadores de sherry. Muito bem balanceado, traz um frutado característico do sherry em conjunto com dois sabores contrastantes, mas que se completam: uma doçura de caramelo e chocolate, com um salgado de brisa marítima e iodo, medicinal. Resulta num sabor bastante complexo e interessante.

Maturado em barris de sherry de segundo e terceiro uso, razão para o sabor característico de sherry e a coloração mais escura. É o mais escuro dos Bowmore.

Uma bebida para ser apreciada com calma e aproveitar todas as suas nuances. Quem tiver a oportunidade de comprar este exemplar, compre. Está cada vez mais difícil de se encontrar.




Bowmore Darkest

Single Malt Islay: Teor Alc 43%

Sherry, turfa, madeira e iodo compõe a maior parte do nariz. No palato, notas de turfa esfumaçada, uma doçura frutada escura, com caramelo, vermute vermelho doce, salmoura e iodo. No final, uma longa jornada amarga, dura e resinosa de vermute doce, sherry, turfa, madeira e cinzas.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Desvendando Nº 95: Bowmore Surf



Mais um review de um whisky da destilaria Bowmore. Como já falei bastante sobre ela, partiremos diretamente para a análise. Quem quiser saber mais, basta clicar nos links abaixo:


O que pude perceber:
Características: palha claro, médio corpo.
Aroma: fumaça, salinidade, marinho, baunilha, capim-limão, doce, mentolado, carvão vegetal, frutado, ameixas pretas. Nada de álcool é sentido. Se deixar descansar um pouco no copo, aparenta ficar mais sedoso e a fumaça aparece um pouco mais. Com a adição de um pouco de água fica ainda mais suave, diminui um pouco a fumaça, desaparece a salinidade e evidencia um pouco mais o adocicado. Chocolate branco, frutado, abacaxi, maçã, gramíneas secas e continua sem evidência de álcool.
Paladar: amanteigado, frutado, fumaça de turfa, um pouco de cereais, amêndoas, um pequeno toque de especiarias. Finaliza de uma forma longa, quente, com turfa e baunilha. É um pouco seco no palato, de forma que você saliva bastante e pede por mais uma dose. No paladar é um pouco menos salgado e um pouco mais doce do que o sentido no olfato. Com um pouco de água, chocolate, cereais, baunilha e diminui bastante a fumaça. Finaliza de forma um pouco picante, quente, com baunilha e, bem no final, aí sim, a turfa.


Me tornei um fã incondicional da Bowmore. Após experimentar alguns exemplares feitos por esta destilaria posso dizer, sem sombra de dúvidas, que se trata de uma de minhas destilarias favoritas.

A respeito da turfa em seus whiskies, ela foi a responsável por mudar a minha visão sobre este tipo de whisky. Passei a gostar mais dos turfados.

Mas a Bowmore vai além: consegue fazer um whisky turfado onde a turfa não é a protagonista. Dá para perceber claramente outros aromas e sabores que contribuem para dar caráter e complexidade ao whisky.

O Surf é uma versão muito bem feita, muito bem equilibrada, onde suas notas harmonizam muito bem. Tem uma dualidade entre salgado e doce que o deixa bastante interessante. Agradará tanto aqueles que querem partir para um whisky turfado quanto aqueles que já apreciam há tempos este tipo de whisky.

Foi o primeiro whisky que tratei logo de fazer um pequeno estoque porque considerei um excelente custo x benefício e uma bebida para ter sempre na prateleira. Sem idade definida, é encontrado em lojas de Duty Free nos aeroportos ou em lojas na fronteira. 




Bowmore Surf

Single Malt: Islay Teor Alc 43%

Cheio de fumaça quente, carvalho e mel, equilibrado com um toque de limão picante.


sábado, 24 de novembro de 2018

Desvendando Nº 94: Glen Garioch 8 Anos



Glen Garioch é uma das gemas ocultas da Escócia. Ou esquecida. Três séculos de idade e ainda firme, uma conquista e tanto para esta pequena destilaria de Aberdeenshire.

A casa foi fundada por Thomas Simpson em 1798, mas acredita-se que ele já produzisse whisky naquele mesmo lugar desde 1785. Isso a torna a destilaria mais antiga da Escócia. Mas o primeiro engarrafamento como single malt da Glen Garioch ocorreu apenas am 1972. A destilaria sobreviveu por esse longo período graças ao seu prestígio entre os blenders.

Um deles era Williams Sanderson, de Aberdeen, que em 1886 comprou metade da destilaria. Em 1921, seu filho, em parceria com outros investidores, assumiu o controle total dos negócios. Desde então, a Glen Garioch passou por diversas mudanças de proprietários e períodos extensos sem produzir.


Seu nome provèm do Vale do Garioch, o “Celeiro de Aberdeenshire”, onde a melhor cevada escocesa é cultivada e esta é uma das poucas destilarias que ainda faz sua própria maltagem.

Hoje, a destilaria faz parte da Morrison Bowmore, que dá preferência a Bowmore e, mais recentemente, a Auchentoshan. Ela engarrafa a maior parte da produção limitada de single malts da destilaria, com indicações de idade de 8 a 21 anos, maturados em tonéis de carvalho americano de bourbon e tonéis de carvalho europeus de xerez, em armazéns no local.

O emblema na garrafa é um veado das montanhas, visto que rebanhos selvagens habitam em torno dos seis cumes das montanhas próximas.


O que pude perceber:
Características: cor palha claro, médio corpo.
Aroma: malte, cereais, biscoito, baunilha, herbal, palha, seco, chocolate ao leite. Nada de turfa, nada de defumado, um pouco de álcool perceptível. Sem muita complexidade. Um leve frutado de peras ou maçãs maduras. A adição de um pouco de água evidencia o floral e os cereais. Fica um pouco mais maltado também.
Paladar: malte, cereais, madeira, levemente picante, baunilha e chocolate ao leite. Finaliza com mais baunilha e um fundinho floral. Conforme os sentidos vão aguçando, nota-se um leve amargor metalizado, mas nada que prejudique a degustação. Com a água, evidencia um pouco mais o metalizado, a madeira e a baunilha, agora aparecendo um pouco de mel. Continua a sensação de leve picância, algo de especiarias, finalizando de maneira curta, seca, mas novamente floral e com pera madura. Fica uma leve ardência na boca.

Minha concepção é que trata-se de um whisky simples para o dia a dia. Quando se fala em simples, não quer dizer que seja um whisky ruim. Pelo contrário, é um bom whisky. Leve, sem muita presença de álcool. Ideal para chegar do trabalho, servir uma dose e relaxar. Tem um excelente custo x benefício e capacidade de substituir muitos blends 12 anos disponíveis no mercado com certa vantagem. Além disso, é honestíssimo para a sua idade declarada, bem jovem. Presença obrigatória nas prateleiras de quem quer começar a substituir os blends por single malts.




Glen Garioch 8 Anos

Single Malt: Terras Altas Teor Alc 40%

Corpo médio e macio, aroma de folhas e grama. Malt inicial no paladar, amanteigado. Depois nozes, finalizando com gengibre, mel e urze.

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Desvendando N° 93: Aberlour 12 Anos Double Cask Matured



James Fleming, proprietário da Dailuaine, fundou a Aberlour em 1879. Em 1898 um incêndio quase a destruiu, mas Charles Doig, que projetou mais de cem destilarias na Escócia e na Irlanda, ajudou a reconstruí-la.

Após vários processos de vendas, em 1975 a Pernod Ricard finalmente adquiriu a Aberlour, que produz o single malt campeão de vendas na França e disponível mundialmente.

No centro de visitantes da Aberlour, existem dois barris, um ex-xerez e outro ex-bourbon, onde os visitantes podem encher diretamente a sua própria garrafa da forma como escolher.


O que pude perceber:
Características: cor âmbar, médio corpo.
Aroma: malte tostado, amadeirado, caramelo suave, pé-de-moleque, frutado, abacaxi. No fundo, há um frutado de frutas secas e um adocicado se mescla com um leve apimentado. Bastante suave e agradável. Chocolate ao leite. Maçã e noz moscada. Com um pouco de água, cereais, malte, mel, passas, uma certa picância, canela, chocolate ao leite, banana e maçã.
Paladar: frutado, frutas cítricas mescladas com frutas secas, apimentado sutil, caramelo, baunilha, malte tostado. Finaliza com um amadeirado, juntamente com pimenta fraca e de forma seca. Finalização média. Com a adição de um pouco de água, chocolate, madeira, malte, caramelo, baunilha, frutas vermelhas secas, canela, finalizando com um apimentado, de forma seca. Continua com uma finalização média.


Whisky bastante agradável e fácil de beber. Sem evidência de álcool. Um belo casamento de dois barris diferentes, ex-bourbon e ex-sherry. Há uma outra expressão, 100% sherry, que para a maioria que o experimenta, considera extremamente picante. Para quem não está acostumado, ou acha o sherry muito acentuado, o Double Cask traz um balanço ideal entre a picância do sherry e o adocicado do bourbon.

No post do Aberlour 10 anos eu havia mencionado que faltava algo para ele. Acho que esta expressão de 12 anos conseguiu chegar no que faltava. Ficou muito bem equilibrado e sem a evidência de álcool que a versão de 10 anos apresentava. Ficou muito bem feito e no ponto em que nenhuma nota se sobressai sobre outra.


O bourbon tirou a picãncia do sherry e o sherry tirou a doçura do bourbon, dando o ponto de equilíbrio.

Muito fácil de beber e prazeroso, irá agradar tanto iniciantes quanto apreciadores veteranos no mundo dos single malts.




Aberlour 12 Anos Double Cask Matured

Single Malt: Speyside Teor Alc 40%

Dourado intenso acobreado. Caramelo suave, malte, chocolate e erva-doce. Suculento, corpo médio, carvalho, amêndoas torradas e caramelo, cobre a boca com sabor. Quente, maduro, mel, finalização com toque de alcaçuz.

sábado, 20 de outubro de 2018

Desvendando Nº 91: Bowmore 12 Anos (old)



No post anterior analisamos o Bowmore 12 anos na versão vendida atualmente. Hoje, iremos analisar a versão mais antiga, produzida na década de 1990. E não é só a garrafa que muda.

O que pude perceber:
Características: âmbar, médio corpo.
Aroma: frutado, frutas vermelhas secas, ameixa, um leve adocicado, algo salgado, fumaça de turfa sutil, cereais, gramíneas, malte, um certo mentolado e uma baunilha bem sutil. Chocolate branco, algumas notas condimentadas, um tempero discreto, uvas passas, amadeirado característico do xerez e nada, absolutamente nada de álcool. A adição de um pouco de água faz com que dê uma equalizada no aroma. Predominam agora os aromas mais adocicados como baunilha, caramelo e cereais. Os condimentos desaparecem e a fumaça fica mais sutil. A característica marcante é a de um whisky adocicado.
Paladar: confirma no paladar o sentido no aroma, com notas frutadas, frutas cítricas, ameixa, malte. Doce e salgado se misturam. Caramelo, amadeirado, condimentado na medida certa e finaliza com a fumaça de turfa característica, com um pouco de especiarias, dando um toque picante suave. Mais uma vez, nada de álcool. Com um pouco de água, baunilha, cereais, surge um certo amadeirado e finaliza com turfa e especiarias. Bem menos notas que anteriormente, quando experimentado puro. A finalização, no entanto, torna-se longa, seu sabor permanece por um bom tempo em boca.

Whisky que, se continuar fazendo o exercício de ir por mais tempo só sentindo os aromas, muita coisa vai aparecendo. No paladar, não há uma explosão de sabores como há ao sentir o aroma, mas é uma bebida bem estruturada, bem balanceada. Talvez por isso as notas no paladar se mostrem bem discretas, uma não se sobressai sobre a outra, a não ser o adocicado e o salgado que se destacam, além da finalização com a turfa.


Whisky simplesmente formidável e que mudou de vez minha visão sobre whiskies turfados. Tanto que comprei mais duas garrafas deste exemplar que me surpreendeu bastante. Excelente whisky para pessoas que, assim como eu, gosta de uma fumaça no whisky mas não de forma exagerada como podemos perceber nos whiskies conhecidamente turfados.

Para quem quer adentrar no mundo da turfa, recomendo plenamente este whisky. Para quem já é acostumado, irá perceber como este whisky é bem estruturado e redondo. Agradável e fácil de beber, tem de se tomar um certo cuidado para não exagerar na dose.

Comparando a versão atual com a antiga dá para dizer que esta versão mais antiga leva uma pequena vantagem. Pode ser que venha do processo de destilação ou dos próprios barris utilizados, o que é mais provável, mas ambos são muito bons. A Bowmore se orgulha de ser uma das destilarias mais antigas da Escócia e por manter o padrão de destilação desde os tempos mais antigos, sempre primando pela qualidade de seus whiskies, de forma que, por esta razão, acredito ser mesmo a qualidade dos barris a responsável pela diferença de sabores entre as duas versões analisadas.

Nunca fui de comprar várias garrafas de um mesmo whisky, dando preferência para a aquisição de garrafas novas e diferentes. Abri uma exceção para a família Bowmore. Vale a pena.




Bowmore 12 Anos

Single Malt: Islay Teor Alc 40%

Aromático e suave, com uma mistura de frutas cítricas e algo defumado no nariz, que se prolonga até a língua, juntamente com um pouco de chocolate preto.

domingo, 7 de outubro de 2018

Desvendando Nº 90: Bowmore 12 Anos (new)




Com seus clássicos prédios caiados, a destilaria Bowmore se estende pelas margens do Loch Indaal e suas chaminés em forma de pagode se elevam acima da rua principal da cidade.

Embora sua fachada seja inconfundivelmente de Islay, com um armazém litorâneo onde se lê “Bowmore” em letras garrafais, seus maltes tem uma refinada personalidade própria.

É a mais antiga destilaria de Islay, fundada em 1779 pelo fazendeiro David Simpsom, e uma das primeiras a oferecer seu whisky single malt.


A metade da cevada ainda é maltada manualmente pelo sistema tradicional de maltagem no solo e seca em um forno alimentado com turfa, esta, porém, é primeiramente triturada para gerar mais fumaça. O Bowmore é apenas meio turfoso, com cerca de metade dos fenóis de seus vizinhos em torno da costa em Lagavulin, Laphroaig e Ardbeg, e, como tal, não é tipicamente de Islay.

O whisky é maturado em barris de carvalho espanhóis e americanos, alguns estocados nos famosos armazéns subterrâneos, abaixo do nível do mar, e cerca de um terço deles é preparado com xerez oloroso.


O que pude perceber:
Características: âmbar, médio corpo.
Aroma: turfa, picante, seco, uma certa salinidade, não aquela salinidade de água do mar e sim do ar salgado de praia, ar marítimo, algo de especiarias, frutas secas. Também apresenta um amadeirado esfumaçado juntamente com um pequeno toque de baunilha. A turfa não é muito acentuada, é leve. Além disso, apresenta ainda um leve toque herbal. A adição de um pouco de água esconde a picância e qualquer evidência que poderia ter de álcool. Permanece a turfa, aparece um cheiro de terra, que provavelmente possa ser da própria turfa, um amadeirado e malte.
Paladar: especiarias, madeira, malte, herbal, uma fumaça de fundo e baunilha. A salinidade não é muito sentida no paladar. Assim como no aroma, no paladar não aparece também nenhuma evidência de álcool. Finaliza de uma forma média com uma certa picância e uma fumaça de fundo. Com um pouco de água, turfa, passas, caramelo, finalizando ainda com especiarias e fumaça.

Whisky muito bem feito e fácil de beber. Para quem já está acostumado a beber whisky turfado, neste a turfa é bem leve. Para quem quer iniciar nos whiskies turfados, este é o indicado. É um daqueles whiskies para se manter sempre por perto. Não é muito complexo mas acompanha bem em qualquer momento.

A Bowmore possui várias edições de seus whiskies e recentemente (época quando este review foi feito) houve uma inundação de produtos da Bowmore no mercado brasileiro, proveniente de outros países, algumas edições mais antigas. Esta é a versão mais recente, mas vale a pena experimentar estes mais velhos. São, como disse, muito bem feitos e irá agradar a vários paladares de acordo com a versão escolhida. Qual das versões se sai melhor, o 12 novo ou o 12 velho? Veremos no próximo review.




Bowmore 12 Anos

Single Malt: Islay Teor Alc 40%

Aromático e suave, com uma mistura de frutas cítricas e algo defumado no nariz, que se prolonga até a língua, juntamente com um pouco de chocolate preto.

domingo, 16 de setembro de 2018

Desvendando Nº 87: Laphroaig 10 Anos



A destilaria Laphroaig foi fundada em 1810 por Alexander e Donald Johnston, embora a produção oficial tenha levado cinco anos para começar. A vida ao lado da igualmente famosa Lagavulin nem sempre foi fácil. Houve disputas pelo acesso à água, mas, hoje, o sentimento que prevalece é de respeito mútuo. A Laphroaig é uma das poucas destilarias que mantiveram as maltagens em piso, que suprem um quinto das necessidades da casa. E o fato de existir esse tipo de maltagem torna a visita à destilaria ainda mais interessante.

A Laphroaig sempre apreciou a característica defumada e pungente do seu malte, mistura de cânhamo, sabão carbólico e fogueira. Dizem que seu caráter medicinal intenso é uma das razões pelas quais a bebida estava entre os poucos whiskies escoceses permitidos nos EUA durante o período de proibição. Seu whisky era aceito como spirit medicinal e podia ser obtido por meio de prescrição médica. Sendo o mais medicinal dos malts, remete a gaze hospitalar, faz lembrar antisséptico bucal, fenol. È a personalidade de Islay com a intensidade de algas marinhas e iodo.

Laphroaig significa “a bela depressão junto à baía larga” em gaélico. É feito colocando-se primeiramente de molho a cevada em água sem sais, turfosa de Islay e deixando-se que germine, o que envolve remexê-la manualmente no chão de maltagem por seis dias. A cevada germinada é, então, seca num fogo circulatório de turfa, e a fumaça dessa pungente turfa de Islay é que dá ao Laphroaig sua distintiva característica. Após a destilação, o whisky é maturado em tonéis de carvalho do Kentucky, empilhados nos galpões de maturação no litoral. Aqui ele é banhado pelo vento fresco e salgado do Atlântico, e, em noites de tempestade, sabe-se que o mar entra nos galpões, bem abaixo dos barris. Não é surpresa que o sabor turfoso único do Laphroaig carregue uma forte nota de iodo e acentuado e salgado ar do Atlântico.


Ele é denominado “o definitivo whisky de malte de Islay” porque é a essência do sabor de Islay, rico, defumado, turfoso e cheio de personalidade. O Laphroaig é decididamente um gosto adquirido, partilhado por Sua Alteza Real, o príncipe de Gales, que premiou o Laphroaig com seu Certificado Real em 1994 e encomenda sua própria edição, a ”Highgrove”.

A destilaria possui sua própria reserva de turfa em Islay, floor maltings na destilaria e alambiques relativamente pequenos. Seus depósitos de maturação ficam de frente para o mar. Em 1847 o fundador faleceu ao cair dentro de um barril de whisky. No final dos anos 1950 e início dos 1960, a destilaria pertenceu a uma mulher, a srta. Bessie Williamson. O ambiente romântico das instalações tornaram a destilaria popular para casamentos, e ela serve como salão comunitário do vilarejo. Pertence atualmente à Beam Global, sendo administrada por uma equipe dedicada que deve garantir a ela um futuro brilhante.

Apesar de tudo, muitos acham que o famoso ataque do Laphroaig diminuiu nos últimos anos, revelando um pouco mais da doçura do malte. Mas continua sendo um whisky de forte personalidade, encorpado e untuoso.

Todos os Laphroaig são envelhecidos exclusivamente em barris de carvalho americano, provenientes da Maker's Mark. O resultado é o mais marítimo dos maltes de Islay, medicinal, com toques de iodo, arenque, sala de máquinas e fumaça, mas suavizado pela doçura do carvalho. É esse caráter de baunilha que abranda as notas rústicas do espírito novo e adiciona uma doçura sutil ao espírito maduro.


O que pude perceber:
Características: dourado claro, médio corpo.
Aroma: de início turfa, depois um aroma salgado, marítimo, iodado, a seguir, frutas vermelhas, cristalizadas, algo como passas. A turfa vai cedendo aos poucos e outras nuances vão aparecendo. Baunilha, ameixas, nozes, malte tostado, algas, defumado e tabaco. Dá para perceber vários aromas, bastante complexo. A adição de um pouco de água ameniza um pouco a turfa, ela se esconde um pouco. Evidencia mais o adocicado, o malte e o amadeirado. A doçura é de baunilha e caramelo, o que contrasta bastante com o tom salgado que ele continua apresentando. A fumaça, apesar de amenizada, continua.
Paladar: suave, adocicado, baunilha, bala de caramelo. Em seguida, como contraponto, vem sal, iodo, algas, especiarias e fumaça. Finaliza de uma forma longa, salgada e com bastante fumaça. Com um pouco de água, nota-se algas, iodo, uvas, fumaça e finaliza com uma mistura de malte e nozes.

Whisky bastante equilibrado para seus 10 anos de maturação. Poderia ter uma graduação alcoólica mais elevada. 43% já ajudaria bastante porque com 40% o álcool não é notado. Mais gentil que o irmão Quarter Cask. Excelente whisky.




Laphroaig 10 Anos

Single Malt: Islay Teor Alc 40%

O 10 anos é muito popular. Sob a fumaça densa de turfas e do spray salgado de água do mar está um malte jovem e refrescante, com um coração doce.

sábado, 8 de setembro de 2018

Desvendando Nº 86: Aberlour 10 Anos



Aberlour significa “boca do riacho gorgolejante” em gaélico escocês e situa-se em um local antigo e bonito.

Embora a Aberlour não seja muito conhecida em sua terra natal, tornou-se extremamente popular na França e afirma ser uma das dez destilarias que mais vendem malte no mundo. Como parte da antiga Campbell Distillers, a Aberlour pertence ao grupo francês Pernod Ricard desde 1975. Seu malte é usado em diversos blends, em especial no Clan Campbell. Porém, mais da metade da produção da destilaria é engarrafada como single malt.


A destilaria fica a pouca distância do rio Spey. Sua fundação data de quando James Gordon e Peter Weir construíram uma destilaria na rua principal de Aberlour, em 1826. As instalações resistiram 50 anos até serem devastadas por um incêndio. Uma nova destilaria Aberlour foi construída em 1879, alguns quilômetros rio acima, por James Fleming, que já possuía a Dailuaine. A de hoje é do final do período vitoriano, projetada por Charles Doig depois de o prédio ter sofrido outro incêndio, em 1898.

James Fleming tinha como lema “Let the Deed Show”, algo como “que a proeza apareça” e este lema estampa todas as garrafas de Aberlour.


A sua água, excepcionalmente suave, é extraída de fontes no Lour Glen, tendo fluído através de turfa. O malte é fornecido sob encomenda e é levemente turfoso.

Os whiskies de malte de Aberlour se beneficiaram do uso maior de tonéis de xerez oloroso em anos recentes, o que, combinado com tonéis de bourbon, aumenta a complexidade do whisky.


O que pude perceber:
Características: cor cobre, médio corpo.
Aroma: baunilha, malte, caramelo, doce, suave, sedoso. Um pouco de álcool evidente, mas nada que o prejudique. Amadeirado suave e frutado. Um pouco de especiarias e frutas secas sutis. Condimento leve. Depois de um certo tempo percebe-se algumas notas herbais, de gramíneas. Com um pouco de água, malte, cereais, frutado, terra molhada. O álcool some, fica bem suave e agradável no nariz. Um pouco de gramíneas, desta vez, gramíneas secas.
Paladar: baunilha, caramelo, frutas secas, amadeirado, uma certa picância juntamente com uma doçura e o malte. Finaliza de uma forma média e seca. A adição de um pouco de água faz lembrar ameixas secas, malte, cereais crocantes, frutas cristalizadas. As especiarias agora desaparecem um pouco, ficando mais sutis, mas ainda são percebidas na finalização. O whisky fica melhor equilibrado.

Whisky muito bem trabalhado na junção de dois barris, ex bourbon e ex-xerez que, embora não fale exatamente a proporção, dá para perceber uma maior influência dos barris ex-bourbon.

Na minha opinião, faltou um pouquinho para este whisky ser perfeito, para ser melhor equilibrado e eliminar o pouco de álcool que ainda é perceptível. Talvez mais dois anos de envelhecimento em barris? Um melhor jogo entre as proporções dos tipos de barris? Quem sabe o review do Aberlour 12 anos possa nos dizer.




Aberlour 10 Anos

Single Malt: Speyside Teor Alc 40%

Maturado principalmente em barris que antes continham bourbon, este whisky tem a doçura do caramelo proveniente da madeira, além de um leve sabor de nozes e especiarias.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Whisky mais caro do mundo lidera venda da Bonhams em Edimburgo



Uma garrafa do extremamente raro The Macallan Valerio Adami 1926 60 anos será oferecido no Bonhams Whiskey Sale em Edimburgo em 3 de outubro. Estima-se arrecadar em torno de £ 700.000-900.000.

O whisky foi engarrafado em 1986. Macallan contratou dois artistas pop mundialmente famosos, Valerio Adami e Peter Blake, para criar rótulos para uma edição limitada de 24 garrafas, 12 da marca Adami e 12 da marca Blake. A garrafa é elegantemente apresentada em um gabinete especialmente encomendado para ela.

Outra garrafa do The Macallan Valerio Adami 1926 foi vendida na Bonhams Hong Kong em maio deste ano por um recorde mundial de £ 814.081 (HK $ 8.636.250). Este é o maior valor já pago por uma garrafa de whisky escocês em leilão público. Na mesma venda, a Bonhams também vendeu uma garrafa do The Macallan Peter Blake 1926 com 60 anos por £ 751.703 (HK $ 7.962.500).

Embora 12 garrafas de Macallan Valerio Adami 1926 tenham sido produzidas, não se sabe quantas ainda existem. Uma delas teria sido destruída em um terremoto no Japão em 2011, e acredita-se que pelo menos uma delas tenha sido aberta e consumida.

O Macallan 1926 60 anos tem sido descrito como o Santo Graal do whisky. Sua excepcional raridade e qualidade o colocam em uma linha própria, e os mais sérios colecionadores de whisky do mundo aguardarão pacientemente por muitos anos até que uma garrafa chegue ao mercado. Todo o apelo do whisky escocês, o mito, a tradição e o romance, encontram sua expressão máxima nesta garrafa.

Valerio Adami, nascido em 1935, é um artista italiano famoso por pintar negrito, formas planas delineadas em grossas linhas pretas, em um estilo que lembra a arte em quadrinhos. Ele está entre os mais aclamados artistas pop do século XX.



Fonte: whiskyintelligence.com

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Apresentando o Highland Park “The LIGHT”



A destilaria Highland Park tem o orgulho de anunciar o lançamento global de sua mais recente edição especial chamada “The LIGHT”. Este whisky escocês de 17 anos, único e vibrante, é amadurecido exclusivamente em tonéis de carvalho americano de segundo uso para uma cor natural clara e luminosa que proporciona sabores doces de turfa, de urze, noz-moscada e baunilha.

Em ambos, “The LIGHT” e “The DARK”, compartilha-se a história dos nobres guerreiros Vikings que são os ancestrais das contrastantes ilhas e do intenso equilíbrio do whisky Highland Park. Estes whiskies premiados proporcionam sabores de doçura esfumaçada que são o produto do clima e da habilidade da destilaria.

Apresentado em um vidro verde pálido sob medida, a decoração na garrafa e caixa de carvalho de “The LIGHT”, complementa perfeitamente o “ The DARK”, com o dragão serpente em relevo na frente, inspirado nas histórias Vikings. "The DARK" e " The LIGHT" são escritos em escrita rúnica na cauda do dragão serpente em relevo e na caixa de carvalho, celebrando a ancestralidade das ilhas. A parte de trás da garrafa de vidro tem a inscrição “Made with Pride on Orkney”, um genuíno tributo aos homens e mulheres que criam o malte Highland Park.

Em “The LIGHT”, celebra-se a primavera e o verão, um momento para emergir da hibernação do inverno, pronto para abraçar os dias quentes e brilhantes do verão. Hora de estar com amigos e família, um tempo para novos lugares e novos rostos, para churrascos e fogueiras na praia, um tempo para celebrar a vida.

Highland Park “The LIGHT” completa a série de duas expressões e complementa Highland Park “The DARK”, ambas edições especiais com 28.000 garrafas em um ABV de 52,9% e ambas com um preço sugerido de venda de £ 190, com garrafas de 700 ml e 750 ml dependendo do país.

Notas de prova:
Cor: natural, acionada por barris, sem aditivos, dourado claro (tom 7,2)
Paladar: pera caramelizada, noz-moscada, baunilha, madeira de cedro, carvalho, fumaça de turfa leve.


Fonte: whiskyintelligence.com

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Quão jovem pode ser um whisky? O tempo de maturação em alguns países



Vamos começar com a parte fácil. Se um whisky tiver uma declaração de idade, deve referir-se à idade do whisky mais jovem usado naquela garrafa. Em outras palavras, todos os whiskies de malte e grãos usados em um whisky Blended Scotch de 12 anos devem ter pelo menos 12 anos de idade. No entanto, não há exigência de que um whisky tenha uma declaração de idade, com uma exceção notável.

Os Estados Unidos exigem que qualquer whiskey de fabricação norte-americana amadurecido por menos de quatro anos divulgue esse fato com uma declaração de idade no rótulo. Mais uma vez, a exigência estipula que a idade divulgada se refere ao whiskey mais jovem em uma garrafa específica. No entanto, as declarações de idade são completamente opcionais para qualquer whiskey com mais de quatro anos de idade. A lei também exige que o whiskey seja amadurecido em barris de carvalho, embora os específicos variem dependendo se estamos falando de Bourbons, whiskeys de centeio, whiskeys de trigo e whiskeys de malte (que devem ser envelhecidos em barris novos) ou outros tipos de whiskey, que podem ser envelhecidos em barris usados.

No entanto, essa lei não diz quanto tempo um destilador deve amadurecer o espírito em um barril para chamá-lo de whiskey nos Estados Unidos. Teoricamente, pode-se encher um tonel novo com álcool, despejá-lo cinco minutos depois, e legalmente chamá-lo Bourbon, assumindo-se que atendeu a todos os outros requisitos. No entanto, isso é muito ineficiente e caro, já que os barris de Bourbon só podem ser usados uma vez. É também uma das principais razões pelas quais os EUA têm esse requisito de divulgação de idade para menos de quatro anos, enquanto quase todos os outros países exigem que o espírito amadureça por pelo menos três anos antes que possa ser legalmente chamado de “whisky”.

De onde vieram esses requisitos, já que os primeiros destiladores não eram conhecidos por sua paciência em esperar que seu whisky amadurecesse? Na Escócia e na Irlanda, a primeira exigência mínima de envelhecimento foi imposta em 1915 com o Immature Spirits Act do Reino Unido e seu padrão mínimo de dois anos. Não demorou muito tempo para o parlamento elevar a medida, com uma mudança para três anos imposta um ano depois, de acordo com Charles MacLean em seu livro Miscellany of Whiskey.

Com relação aos whiskeys canadenses, segundo Davin de Kergommeaux em Canadian Whiskey: The Portable Expert, em 1887 a lei impunha um período de maturação mínimo de um ano para os whiskeys e foi dobrada para dois anos em 1974. No entanto, o padrão atual de três anos foi promulgado em 1980, o que significa que ainda se pode encontrar whiskey que foram feitos sob os antigos requisitos.


Fonte: whiskycast.com

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Brasil comemora 110 anos do Striding Man da Johnnie Walker



Para marcar o 110º aniversário do Striding Man, a Johnnie Walker Brasil está lançando uma coleção de embalagens históricas de edição limitada e realizando uma série de eventos em todo o país.
Poucas marcas no mundo têm um ícone tão famoso e reconhecível quanto o Johnnie Walker Striding Man. Com isso, a marca está animada em dar vida a este símbolo centenário através de uma série de ativações criativas no Brasil nos próximos meses.
John Walker estabeleceu seu negócio em 1820. Em 1908, John Walker & Sons contratou o artista e cartunista Tom Browne para criar um ícone para seu whisky. O desenho original de Browne, retratado na primeira garrafa, fez sua estréia em 2 de dezembro daquele ano.
A campanha totalmente integrada que marca o 110º aniversário do Striding Man no Brasil incluirá:
Uma edição limitada retrô de 150.000 garrafas disponíveis em 1200 pontos de venda em todo o país. A edição incluirá embalagens icônicas inspiradas nos anos de 1908, 1929, 1970, 1996 e um novo pacote para 2018.
1908 (Johnnie Walker Red Label) inspirado no art nouveau
1929 (Johnnie Walker Red Label) referenciando pintura a óleo
1970 (Johnnie Walker Black Label) inspirado na cultura pop
1996 (Johnnie Walker Black Label) relembra a era da TV e do VHS
Edição comemorativa de 2018 (Johnnie Walker Gold Label Reserve)
Uma promoção em mais de 400 bares, na qual os consumidores podem ganhar ímãs colecionáveis de aniversário de 110 anos e ter a oportunidade de ganhar as garrafas completas da coleção de edição limitada.
Intervenções urbanas nas cidades de São Paulo e Recife através de uma série de eventos surpresa.
Uma experiência de realidade aumentada trazendo à vida o Striding Man e permitindo que os consumidores interajam com ele pela primeira vez. Isso estará disponível por meio do aplicativo Keep Walking BR em smartphones ou tablets, apontando a câmera do dispositivo para o logotipo Striding Man. O aplicativo também inclui informações e mapas sobre as diferentes atividades promocionais que acontecem em São Paulo.
Em maio, uma animação mostrando toda a evolução do Striding Man com várias datas marcantes será lançada on-line e em uma gigantesca tela digital de 10 metros no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. A instalação incluirá um sensor de movimento permitindo que o Striding Man caminhe ao lado das pessoas que passam em frente ao painel. O Striding Man também será projetado na fachada dos shoppings JK de São Paulo e Recife.
Como parte de sua campanha de segurança viária responsável pelo consumo de álcool #HojeNãoDirijo, Johnnie Walker fornecerá 1.000 milhas de táxis gratuitos durante os fins de semana em abril e maio, por meio do aplicativo 99 Taxi. Nos últimos 10 anos, Johnnie Walker doou mais de 4 milhões de quilômetros de táxis gratuitos para consumidores no Brasil através da campanha #HojeNãoDirijo.


Fonte: whiskyintelligence.com


sábado, 5 de maio de 2018

Desvendando Nº 74: Glen Deveron 10 Anos



A destilaria Macduff foi construída durante a onda otimista dos anos 1960, quando os destiladores não davam conta de atender à procura. Tem uma aparência industrial em comparação com as destilarias mais refinadas em termos arquitetônicos, construídas na mesma época. Seu interior despojado, livre, tem sido no geral refletido em seus whiskies. Eles também eram puros, despojados, whiskies com gosto de malte. De certa maneira, continuam assim, mas o 10 anos, reformulado em 2002, e atualmente o principal produto da destilaria, apresenta também forte influência de madeira.


O single malt tem o nome de Glen Deveron, que vem de sua fonte de água, o rio Deveron, no leste de Speyside. Grande parte do malt era usada em blends, especialmente da William Lawson, cujos proprietários compraram a destilaria em 1972. Desde então, foi vendida duas vezes, aumentou o número de alambiques para cinco e agora pertence à Bacardi. Várias indicações de idade são produzidas e há ocasionais engarrafamentos com o nome Macduff.

Cevada maltada levemente turfosa é entregue sob encomenda e uma mistura própria de levedura é cultivada e utilizada na fermentação. O whisky é maturado em armazéns ao lado do Deveron em tonéis de bourbon e jerez reutilizados, alguns dos quais são crestados na própria tanoaria da destilaria para se acrescer sabores tostados e de baunilha.


O que pude perceber:
Características: dourado, médio corpo.
Aroma: frutas vermelhas com polpa, terra molhada, adocicado, figo, cereal, madeira sutil, biscoito, herbal. Um pouco de água trás um aroma de malte, um pouco de jerez e deixa um pouco mais seco.
Paladar: frutado, ameixas, herbal, seco, frutas vermelhas secas, cereal, uma leve picância já na finalização, que é média e seca. Um pouco de água evidencia agora uma baunilha, o malte, mel e um pouco de especiarias. Uma sutil fumaça dá para ser percebida, bem no fundo. O final continua médio, com especiarias, mel, malte e um pouco de jerez.


Whisky que me surpreendeu positivamente apesar de sua pouca idade. Mais ainda depois de ter experimentado seu irmão mais velho de 16 anos em uma degustação em São Paulo. A versão de 16 anos decepciona. Talvez por isso eu tenha encarado a degustação do 10 anos um pouco cético. Por esperar menos do que ele entregou é que foi o motivo da surpresa. É um bom whisky, simples, mas bem feito e equilibrado. Agradável. Não há em nenhum momento vestígios de álcool e seus aromas e sabores são bem agradáveis. Uma excelente opção para o dia a dia e um excelente custo x benefício também, principalmente se comparado com a versão de 16 anos. Um belo exemplar para conhecer e ter na coleção.

Um ótimo exemplo de que nem sempre whiskies mais velhos são melhores que whiskies mais jovens. Há que se analisar caso a caso e não generalizar.




Glen Deveron 10 Anos

Single Malt: Terras Altas Teor Alc 40%

Apesar de ser descrito no rótulo como um “Pure Highland Single Malt”, em estilo, trata-se de um whisky clássico, limpo e suave de Speyside.

sábado, 14 de abril de 2018

Desvendando Nº 71: Jura Elixir 12 Anos



Há muito tempo acredita-se que a água utilizada pela destilaria Jura é mística, com propriedades medicinais e capacidade inclusive de prolongar a vida. Alguns dizem que ela foi abençoada por St. Columba por volta de 560AD. Os habitantes da ilha certamente tem alguma história de longevidade para contar e há relatos de um homem que teria vivido por cerca de 180 anos na ilha.

Se isto é um fato, rumor, mito ou lenda, uma coisa é verdade: os habitantes da ilha conseguem controlar o processo de envelhecimento. Principalmente em se tratando do whisky. A garrafa desta versão do Jura trás incrustada justamente o símbolo da água da Ilha.


O que pude perceber:
Características: cor âmbar, encorpado.
Aroma: cítrico, abacaxi, mentolado, baunilha, ervas-finas, refrescante, laranja, frutas amarelas, amadeirado, picante, ameixas, chocolate ao leite branco, melado, gengibre. Com um pouco de água, terra molhada, cravo, baunilha, mais amadeirado e menos refrescante e picante. Suaviza mais o aroma. Frutas secas aparecem no fundo. Agora o que se destaca é o malte.
Paladar: chocolate ao leite, açúcar mascavo, baunilha, mel, amadeirado, especiarias. Possui uma finalização com uma explosão quente que logo passa, ficando depois somente um amadeirado e um gengibre. Com um pouco de água fica amanteigado, amadeirado e mantém a baunilha. Depois vem novamente a explosão quente, de especiarias, pimenta, gengibre, que logo passa e deixa um gostinho de madeira, malte e frutas secas.


Maturado num mix de 50% carvalho branco americano ex-bourbon e 50% carvalho espanhol ex-sherry amoroso. Em nenhum momento, tanto no aroma quanto no paladar, o ABV de 46% se fez presente, nenhuma evidência de álcool. No entanto, há um certo desequilíbrio, uma picância exagerada, bem apimentado. Isto às vezes é confundido com álcool, mas não é, é pimenta mesmo.

À medida que se deixa a bebida descansar no copo e respirar um pouco, a coisa vai mudando. O whisky vai melhorando e ficando um pouco mais arredondado. Não melhora de todo, uma vez que a picância permanece ainda exagerada, mas se torna mais agradável para ser apreciado.

Este review eu fiz já há algum tempo e pensei que se desse mais chances ao whisky iria perceber outras nuances que de antemão não havia percebido. Não percebi. Sou fã da destilaria Jura, mas achei que esta versão não ficou no ponto. Para o meu paladar, a picância está em exagero. Minha opinião.




Jura Elixir 12 Anos

Single Malt Teor Alc 46%

Muito frutado, ameixas, frutas cítricas, um toque de carvalho e especiarias. As frutas continuam na boca, com mais ondas de xerez, frutas secas e canela. As ameixas retornam num final doce e médio.


sábado, 7 de abril de 2018

Desvendando Nº 70: Maker's Mark



A destilaria Maker's Mark fica próxima a Loretto. Criada em 1805, é a mais antiga destilaria americana a funcionar no local de origem. A marca Maker's Mark foi desenvolvida na década de 1950 por Bill Samuels Jr e hoje é propriedade da Fortune Brands Inc. Em 1980 foi declarada Monumento Histórico Nacional.


Em 1780, Robert Samuels fixou residência no Kentucky e provavelmente começou a produzir whisky imediatamente, como tantos outros fazendeiros haviam feito na Escócia e na Irlanda antes dele. A partir de 1840, T.W. Samuels (neto de Robert) começou a destilar em quantidades maiores. No entanto, a primeira destilaria comercial só ficou pronta em 1894. O próximo passo na história da companhia mostra que, em 1943, Bill Samuels deixou a destilaria e destruiu a antiga receita da família. Ele acreditava que deveria criar uma fórmula mais suave para combater a crescente popularidade de whiskies escoceses e canadenses em relação ao bourbon.

A receita que ele criou utilizava trigo vermelho de inverno, proveniente de fazendas locais, em vez de centeio. As proporções são 70% de amido de milho, 14% de trigo e 16% de cevada maltada.


A garrafa e o nome do novo whisky foram ideia da esposa de Bill. Como colecionadora de objetos de estanho, costumava procurar “the mark of the maker”, ou seja, “a marca do autor”. Também colecionava garrafas de conhaque, muitas delas com lacre colorido de cera derretida. O design inclui um “S” de Samuels, o número “IV”, que simboliza a quarta geração da família e uma estrela, que remete à fazenda Star Hill, onde o Maker's Mark é produzido. As garrafas são rotuladas à mão e mergulhadas em cera vermelha, então nenhuma é igual a outra. E, para assegurar que todos percebam que o Maker's Mark é diferente, o rótulo opta por usar a grafia “whisky” em vez de “whiskey”, que é mais associada às marcas americanas. Uma forma também de homenagear a ascendência escocesa de Samuels. As primeiras garrafas de Maker's Mark foram vendidas em 1958.


Cada lote do whisky provém de grupos de menos de 19 barris, que normalmente são maturados nos armazéns da empresa por seis anos. Há remessas de várias concentrações, principalmente de 50,5% (101) e 45% (90).

O que pude perceber:
Características: cor âmbar, encorpado.
Aroma: adocicado, caramelo, chocolate ao leite, madeira queimada, mentolado. Uma lembrança de trigo. Nenhuma evidência de álcool apesar de seus 45% ABV. Depois vem baunilha, coco, açúcar mascavo. Com um pouco de água as características de um bourbon tradicional aparecem, com bastante caramelo e baunilha. Mentolado, chocolate ao leite e açúcar mascavo. Há um certo toque floral. Continua com zero de álcool. Com uma pedra de gelo o mentolado toma conta e fica um pouco menos doce.
Paladar: um pouco picante e ardido no início, depois passa pelo chocolate e açúcar mascavo. Em seguida baunilha e um mentolado. O trigo também está presente. Finaliza de uma forma seca e de média duração. Desta vez é possível sentir um pouco do adocicado característico dos bourbons, proveniente do milho, embora ele não se sobressaia. Caramelo e madeira se fazem presentes também na finalização. Com água, fica mais suave, menos ardido no começo e mais arredondado. Baunilha, amadeirado tostado sutil. A sensação de picância continua na finalização, deixando a boca um pouco dormente. Com uma pedra de gelo destacam-se o amadeirado tostado e o mentolado, além de ficar menos doce. Continua finalizando de forma picante.


Mais um bourbon com uma proposta diferente. A intenção deste whisky foi o de ser uma bebida que não tivesse aquele impacto do centeio na composição, motivo pelo qual o grão fora substituído pelo trigo, para dar uma suavizada. Além disso, em seu processo de destilação, além de usar os alambiques de coluna tradicionais, utiliza também alambiques pot still em sua segunda destilação, o que acaba por abrandar um pouco mais a bebida.

Também não apresenta o milho como ator principal, o que para mim agradou bastante. Ficou um sabor interessante, trazendo, apesar da suavidade do trigo, um certo amargor contrastante com a doçura. Incomodou um pouco a picância do início, quando experimentado puro e também em sua finalização, que apareceu em todas as formas de degustação, deixando a boca dormente por um bom tempo. 

Driblado este ponto, é bom apreciar uma bebida que não é doce e enjoativa. Além do mais, o álcool não é evidente, o que é mais um ponto positivo. De um modo geral, um bom whisky para ter na coleção e ser apreciado de vez em quando.




Maker's Mark

Bourbon Teor Alc 45%

Um olfato sutil, complexo, limpo, com baunilha e tons picantes, uma delicada nota floral de rosas, além de limão e grãos de cacau. Medianamente encorpado, oferece um palato de frutas frescas, temperos, eucalipto e torta de gengibre. O final possui mais temperos, carvalho fresco com uma ideia de fumaça, e uma pitada final de cheesecake de pêssego.