Whisky

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sábado, 10 de outubro de 2015

Desvendando Nº 29 - Jameson


John Jameson fundou sua destilaria em 1780, no coração de Dublin. Conta a história que Jameson veio da Escócia para a Irlanda junto com sua esposa, membro da família Haig. O casal teve dois filhos, John Júnior, que assumiu a destilaria anos depois, e William. Jameson foi um dos primeiros a usar barris de xerez para maturar seus whiskeys.

No fim do século XIX, os Jameson possuíam duas destilarias e eram os maiores destiladores da Irlanda. Em 1880, 300 pessoas trabalhavam na empresa, que produzia mais de 4,5 milhões de litros de whiskey anualmente. Os alambiques eram enormes: o principal, para o mosto, tinha capacidade de mais de 109 mil litros. Outros dois menores, para o destilado, tinham 63 e 59 mil litros. Eles se pareciam com os alambiques em operação nas Terras Baixas da Escócia, e as grandes fogueiras abaixo deles cozinhavam o whiskey.

A maior parte das vendas eram feitas em barris, já que o engarrafamento só começou a partir de 1968. Antes disso, os barris eram vendidos para empresas que engarrafavam seu conteúdo sob marca própria. Crested Ten e Red Seal foram as primeiras marcas criadas e engarrafadas pela Jameson's.

O Jameson não é mais produzido em Dublin, mas na destilaria Midleton, da mesma empresa. A marca compreende whiskeys de malte irlandeses, destilados de pot still e whiskeys de grão.


Atualmente o Jameson é um blend com cerca de 50% de pot still encorpado e 50% de whiskey de grão, todos maturados em madeira de bourbon ou jerez first-fill (de primeiro enchimento) por 4 a 7 anos.

O Jameson é o whiskey irlandês mais conhecido, responde por 75% de todo whiskey irlandês vendido no mundo e cerca de 1,5 milhão de copos são consumidos todos os dias. As remessas atuais de Jameson são sem idade declarada, 12 e 18 anos e deve muito de seu sucesso ao forte marketing.

O que pude perceber:
Cor palha, não encorpado.
Aroma: leve, cereais, grãos. Um pouco de álcool, não muito forte. Fresco, cítrico e frutado, depois vai ficando seco. Com um pouco de água, realçou mais o aroma de cereais. O álcool desaparece um pouco. Nota-se um fundo de baunilha e um pouco de fruta madura. Com uma pedra de gelo fica mais fresco, mais cítrico e com forte presença dos grãos.
Paladar: um pouco de ardência na boca, um pouco picante. Depois dá para sentir um pouco de baunilha, uma doçura de mel, finalizando com o gosto do carvalho. É um whiskey bem suave onde os grãos predominam. Com água, a ardência na boca continua. A baunilha está presente e sente-se a doçura do mel, só que agora um mel aguado. Os cereais continuam predominando mas a influência do carvalho não é mais percebida. Com gelo, fica bem mais suave, com a baunilha predominando e ficando mais seco. A dormência na boca some. Nitidamente fica aguado. O gelo matou a bebida, ficou sem graça.


É um whiskey que vale a pena conhecer para saber que existem meios diferentes de se fazer whisky. Quem prefere uma bebida mais leve, não encorpada, irá gostar. Já quem está acostumado com Scotch, irá deixá-lo de lado. Minha sugestão é usá-lo em misturas ou mesmo para fazer o famoso Irish Coffee. Fica perfeito.

Aqui irei fazer um parênteses para contar uma história que aconteceu comigo: em uma cafeteria, solicitei o tão aclamado Café Irlandês. Ao notar que meu pedido estava demorando, percebi que havia acabado o ingrediente principal, o whiskey. A atendente saiu da loja e, tempo depois, retornou com uma garrafa fechada de whisky: Red Label. Café Irlandês feito com whisky Escocês? Fica nítido que algumas lojas não possuem certo conhecimento no preparo das bebidas. Para eles, ficou claro que café irlandês é feito com whisky, não importa qual. Não preciso dizer que o café ficou intragável. Aí entra o segredo da coquetelaria: seja qual for a mistura, tem-se que saber o papel de cada ingrediente. Qualquer coisa diferente e o sabor vai para o espaço. Neste caso, a leveza do whiskey irlandês combina com o café, coisa que o Red Label, com sua característica defumada, não o faz.


Jameson

Blend Teor Alc 40%

Este whiskey tem um aroma maltado porém o grão se sobrepõe ao pot still, deixando algumas notas cítricas. Há uma gentil ideia do sherry, mas nada além disso.

8 comentários:

  1. Não tenho conhecimento suficiente para falar do ponto de vista técnico. Cheguei a comprar uma garrafa do Jameson tempos atrás e confesso que foi difícil conseguir enxugá-la, uma vez que eu dispunha de opções melhores. Consegui, não sem algum sacrifício. Me parece que o sucesso dele se deve mais a um marketing bem feito, contando com o charme de ser diferente, irlandês, associando à festa de St. Patrick etc. Pra mim, é um whiskey que no início agride um pouco e no final, com gelo, fica aguado demais. Mas, enfim, gosto é gosto e cada um tem o seu. Isso é o que importa. Abs.

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    1. a.v. lombardi, é exatamente isso, marketing. O Jameson é na Irlanda o que o Red Label é na Escócia.

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  2. Para ser honesto até que eu gostei. Por não ter graduação, o que faz as pessoas perder a "referência" (não que a idade seja predominante). Se a referencia for preço, então prefiro um Jamesson a Red, Jack e outros até R$ 100,00.
    Conheço pouco sobre whisky, mas o blog tem me ajudado muito nas aquisições.
    Abraço!

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    1. Fico satisfeito em saber que o blog está cumprindo o seu propósito que é o de ajudar a esclarecer um pouco mais sobre o whisky e principalmente ajudar nas escolhas. Nesta faixa de preço e entre os whiskies citados, também fico com o Jameson. Continue acompanhando. Um abraço.

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  3. Gosto muito de Whisky irlandês, tendo como meu whisky preferido o Tullamore, de Dublin. Acho o Jameson um bom whisky para momentos descontraídos, com amigos, saboroso e suave. Para desgustar em casa aconselho um mais complexo, me supreendi com o Chivas Extra, ótimo custo benefício. Quem puder experimente o Jameson Gold reserve 12 anos, este sim, diferente de qualquer whisky vendido no Brasi, muito saboroso.

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  4. Bernardo Henrique Pires, o Chivas Extra surpreende mesmo, excelente whisky. Não tive o prazer de experimentar o Jameson 12 anos ainda, mas já ouvi falar muito bem dele e você confirmou agora. Tullamore também está na minha lista. Continue acompanhando e contribuindo. Um abraço.

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  5. Comprei um Chivas Extra e tirei um momento para degustar junto do Chivas 12 (para comparar). Realmente o Chivas Extra valeu a pena, sou fã do Chivas e fiquei muito fez com o Extra.
    Da marca já conheço o 12, Extra e 18. Um dia quem sabe chego nos Royal Salute.

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    1. Está no caminho, já já chega. Um abraço.

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