Whisky

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domingo, 18 de março de 2018

Desvendando Nº 67: Macallan Amber



Forte e com uma cor marcante, Macallan é o mais conhecido de Speyside, e procura novos desafios constantemente. O nome vem da igreja de Macallan, hoje em ruínas, na área de Easter Elchies, que dá para a ponte Telford sobre o Spey, em Craigellachie. Consta que um fazendeiro já produzia whisky ali usando sua própria cevada nos anos 1700. Em 1998, a Macallan fez a fazenda voltar a produzir esta cevada, do tipo Golden Promise, embora a quantidade seja pequena para as necessidades da destilaria.

A Macallan tem tradição em envelhecer seus whiskies exclusivamente em barris de carvalho europeu de xerez. Mas, mudanças significativas no mercado afetaram a capacidade da Macallan de atender à demanda mundial, e a reação da Edrington, proprietária da marca, foi agressiva. O alto custo dos barris de xerez deram à Macallan uma oportunidade lucrativa. A empresa reagiu ao que considerou uma tendência aos whiskies em estilo mais leve, lançando a linha Fine Oak, uma série envelhecida em barris de bourbon e xerez. Esses whiskies alcançaram popularidade, ganharam muitos prêmios e atraíram uma nova geração de apreciadores para o Macallan. Para alguns, a ênfase menor no xerez permitiu que a alta qualidade do malt Macallan se manifestasse melhor. Mas a troca do xerez gerou controvérsia em mercados tradicionais.

A Macallan contribui há muito com sua fama para blends diversos, com destaque para o Famous Grouse. A riqueza cremosa e untuosa única do Macallan se manifesta melhor graças ao uso de alambiques pequenos. Quando a companhia aumentou a produção para dar conta da demanda, acrescentou outros alambiques em vez de construir destiladores maiores. O número passou de 6 para 21. A Macallan também acredita usar o corte mais estreito da indústria, com o menor aproveitamento do destilado, cerca de 16%.


Quando a Macallan resolveu comercializar um single malt, concluiu que a bebida conservada em butts de oloroso era mais saborosa. A reação entre a madeira e o xerez tem enorme importância. Os butts são primeiro enchidos com suco de uva por três meses, para a fermentação primária. Depois, passam dois anos envelhecendo xerez numa bodega. Em seguida, são embarcados para a Escócia. Aproximadamente 70-80% do Macallan é maturado em butts de primeiro uso e o restante em butts de segundo uso. As principais versões empregam whisky de barris de primeiro e segundo uso na mesma proporção.

O que pude perceber:
Características: cor dourada, corpo médio.
Aroma: floral e frutado cítrico. Picante, com canela e noz moscada, um toque terroso, adocicado e de baunilha. Por incrível que pareça, senti um leve aroma de grãos neste whisky. Uma leve maçã e ameixas pretas. Há um fundinho de álcool, que me incomodou um pouco. Eu diria até que não está tão equilibrado no nariz. Há algo nele que distoa. Provavelmente seja o álcool. Aparece um certo azedinho também, provavelmente do cítrico, algo como limão. Um pouco de água faz evidenciar os cereais, o cítrico, as frutas secas, surgindo agora de forma mais evidente a baunilha e um amadeirado. O frutado é bem presente, com maçãs e uvas passas. O álcool sumiu, o que equilibrou melhor os aromas. Aparecem também as gramíneas, chocolate ao leite e agora um mel. Agora sim ficou um whisky prazeroso de sentir os aromas, sem agressão às narinas.
Paladar: amêndoas, toffee, caramelo, frutas secas, açúcar mascavo, frutas cítricas, cereais e chocolate ao leite. Há também uma nota herbal, provavelmente gramíneas. Finalização quente e apimentada. Esquenta a boca, com bastante especiarias como canela e gengibre. No paladar, o álcool não se faz presente. Com um pouco de água, amêndoas, cereais, herbal, frutas secas, ameixas pretas. Ainda esquenta a boca, com canela e gengibre, mas de uma maneira mais leve agora. A finalização fica de curta para média, sempre com aquela sensação de picância. Mais uma vez o álcool não se faz presente.


Um whisky que faz parte da coleção 1824 composta por Gold, Amber, Siena e Ruby. A ideia nesta série é passar que as cores naturais dão o tom de amadurecimento para cada whisky, começando pelo Gold, menos amadurecido, até o Ruby, com maior maturação. À medida que cresce na escala de maturação, o whisky fica mais escuro e ganha em complexidade. Com isso, retiram a idade do whisky, incutindo na mente do consumidor que o que importa é a qualidade do destilado e não a sua idade. E acabam cobrando por isso, pois vemos preços exorbitantes, muito além das edições com idade declarada.

Maturado exclusivamente em barris de carvalho espanhol ex-xerez, tem a coloração natural, sem adição de corantes.

Na minha opinião, é um whisky que não ficou muito bem equilibrado se experimentado puro. Nada que não possa ser solucionado acrescentando algumas gotas de água, o que deixa a bebida no ponto ideal. Pelo menos para o meu paladar. Há nele uma complexidade de aromas e sabores, realçados pela adição de água. Portanto, minha dica é ser apreciado desta forma. Textura amanteigada e cremosa. No geral, um bom whisky, mas não necessariamente fácil de beber. Aos que estão começando e querem experimentar um Macallan, sugiro começar pela linha Fine Oak, depois, pula para este.




Macallan Amber

Single Malt Teor Alc 40%
Polido, com um nariz doce floral e cítrico que ganha presença, comandando um coro de notas de baunilha sobre grãos recém-colhidos. Passas, canela, maçãs e toffee no centro das atenções. No palato, maçãs verdes frescas e limões se misturam com canela. As notas de gengibre pairam enquanto a fruta toma conta, com o carvalho sutil persistente. Termina de leve a médio com frutas macias e cereais. Um pouco seco.


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