Whisky

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segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Desvendando Nº 8: Cardhu 12 Anos

Os apreciadores de whisky são unânimes em falar que quando adentra-se no mundo dos single malts, invariavelmente entra-se num caminho sem volta. Chamada de a “trilha do whisky”, ela começa com os blends, standard (com energético, com água, com gelo, puro, nesta ordem, conforme o paladar vai acostumando), depois premium, experimenta-se alguns bourbons, e aí descobre-se os single malts. Dificilmente quem chega até os single malts, e os aprecia, volta a olhar da mesma forma para os blends. Mas não são todos que, de primeira, adota o whisky de malte. Cada um é único, possui sua própria característica, às vezes muito forte, e quem não está acostumado, a primeira impressão pode não ser muito boa. Se não insistir, perderá a oportunidade de conhecer bebidas primorosas. Os blends foram feitos justamente para isso, para tornar mais fácil o hábito de beber whisky. Por outro lado, felizmente, há sempre aqueles produtos capazes de tornar a transição de um tipo para outro, mais suave. O single malt Cardhu é um deles.


Suas origens remontam à era do contrabando quando, em 1813, os agricultores de Cardow, John e Helen Cumming decidiram fabricar bebida ilícita e a vender pela janela da cozinha. Era bem provável que Helen fosse a destiladora do casal; tradicionalmente as mulheres assumiam a responsabilidade pela destilação nas comunidades rurais, e a história do whisky escocês é repleta de destiladoras famosas.

A fazendeira também agia como informante. Os oficiais da receita em visita à região de Knockando ficavam hospedados em sua fazenda. Helen costumava preparar as refeições, e quando eles estavam comendo, ela ia para fora e erguia uma bandeira vermelha, para avisar outros produtores da região da presença dos aduaneiros. Apesar disso, John foi preso três vezes por destilar sem licença.

Em 1824 John Cumming obteve licença para a Cardow. Em 1846, o patriarca morreu, e seu filho Lewis assumiu a gerência da fábrica. Antes da Ferrovia Strathspey ser inaugurada, o whisky era transportado em cavalos e charretes até Burghead  e, em seguida, levado de navio até Leith, ao sul do país, que tinha a fama de produzir destilados de boa qualidade. O irmão de Lewis, James, era um mercador de bebidas em Edimburgo e também um dos clientes da destilaria.


Após a morte de Lewis, em 1872, sua esposa Elizabeth, 24 anos mais nova, teve que assumir os negócios da família. Suas habilidades gerenciais lhe renderam uma ótima reputação, e ela passou a ser chamada de “A Rainha do Comércio de Whisky”. As instalações eram pequenas até Elizabeth a reconstruir na década de 1880. Foi ela quem colocou a Cardow no mapa quando expandiu as operações e vendeu seus alambiques velhos para William Grant (que naquela época estava procurando alambiques para sua nova destilaria, a Glenfiddich).

A Cardow foi comprada pela John Walker & Sons em 1893 e seu nome foi mudado para Cardhu. Um dos filhos de Elizabeth, John, foi nomeado diretor. Em 1908, o nome voltou a ser Cardow, e em 1925 a John Walker & Sons tornou-se parte da Scotish Malt Distillers. A destilaria fechou durante a Segunda Guerra Mundial, e seu nome passaria a ser novamente Cardhu. Como a maior parte da produção do Cardhu era para atender os whiskies Johnnie Walker, ela se tornou a casa do blend.


A Cardhu tem seis alambiques e é a sede da marca Johnnie Walker. Além de fornecer matéria para o grupo, produz também um renomado single malt. Seu malte tem uma nota relvada ao lado de acentos de chocolate e laranja. Porém, em um dado momento da década de 1990, a proprietária, Diageo, tentou fazer com que os consumidores espanhóis passassem a tomar o Johnnie Walker Black Label como alternativa ao Chivas Regal. Mas, como os espanhóis aparentemente queriam uma garrafa que tivesse “malte” no rótulo, as vendas do Cardhu 12 na Espanha cresceram 100 mil unidades entre 1997 e 2002.

Por volta de 2003, a demanda estava crescendo tão rápido na Espanha que a Diageo percebeu que os estoques não seriam suficientes. Em vez de aumentar o preço para conter a demanda crescente, difícil de atender, sua solução foi manter o nome Cardhu, mas mudar o whisky de um single malt para um vatted, trocando o nome do whisky para Cardhu Pure Malt, o que permitia a adição de outros maltes.

Não se sabe se os espanhóis se aborreceram com isto, mas a indústria, sim. Embora isso fizesse sentido comercialmente, a decisão provocou um enorme clamor por parte das outras destilarias, que argumentavam, corretamente, que um produto vatted (caracterizado por ser uma mistura de single malts de várias destilarias) não podia usar o nome de uma única destilaria.


Depois de questionamentos até no Parlamento, a Diageo teve de interromper as vendas do produto em 2003 e voltar a comercializar o Cardhu como um genuíno single malt 12 anos. Apesar de tudo, o “Caso Cardhu” acabou por ter um efeito benéfico, pois forçou a indústria a lidar com o problema da rotulagem e das definições do whisky. Uma nova regulamentação e uma terminologia mais clara foram introduzidas em 2005 e depois em 2009.

O que pude perceber:
Aroma: suave, leve. Sente-se um pouco de mel e também é bastante frutado. Com água predominam os aromas do mel e do malte. Dá para sentir um aroma de bala de banana. Com gelo ficou mais perfumado, mais gostoso, agora com um tom de bala mentolada.
Sabor: não senti a complexidade que pude notar em outros single malts, mas é bem saboroso. É delicado, suave. Confirma o sabor de mel e das frutas. Possui um final de médio para curto, bem frutado e com uma textura sedosa. Com água a textura já fica bem menos encorpada. Fica mais doce e também confirma o sabor da banana. O final persistiu um pouco mais. Acrescentando uma pedra de gelo o sabor fica mais suave, o álcool some e deixa um retrogosto agradável na boca.

"ouro líquido"
É um whisky que possui a coloração clara, de médio para pouco encorpado. Da casa Johnnie Walker, o nome apresenta suas credenciais. Mas não se apoia só no nome. No início me pareceu ser um whisky simples, que não iria me agradar. Mas foi ficando interessante à medida que o tempo da degustação ia passando. Com uma pedra de gelo ele se apresentou em sua forma ideal, inclusive sua cor ficou maravilhosa, parecendo ouro líquido. Para quem ainda não se aventurou no mundo dos single malt, este whisky é uma boa porta de entrada. Fácil de beber. Bebida fascinante. Muito bem recomendada. Para os apreciadores de Johnnie Walker então, este single malt é a pedida certa. Quanto ao preço, situa-se na faixa dos R$ 220,00. Comprei no Pão de Açúcar por R$ 139,90. Um achado.

coloração clara
Para encerrar, e aproveitando o gancho da introdução, convém dizer também para não sermos tão puristas assim. Em minha opinião, todo caminho tem volta e, mais, podemos transitar à vontade por ele. Apreciar a diversidade de rótulos que nos são ofertados, sem preconceito. Existem ótimos blends no mercado tão bons quanto ou até de melhor qualidade que alguns single malts. O segredo está no seu gosto pessoal. Siga sempre esta dica: o melhor whisky é aquele que você gosta.

Curiosidades:
A palavra "Cardhu" deriva do gaélico escocês Creag Dubh, que significa "Black Rock", Rocha Negra.
Na Espanha é bebido misturado com Coca-Cola.
O Cardhu é o whisky de referência para as misturas do Johnnie Walker.


CARDHU 12 ANOS

Single Malt: Speyside Teor Alc 40%

Este malte com aroma de urze e pera vem do lado mais suave de Speyside, é de leve a moderadamente encorpado, com um sabor delicado de nozes e de malte bem curtos no final.








Saúde.

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Fontes: wikipedia.com, whisky, o livro do whisky, whisky de a a y

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