Whisky

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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Desvendando Nº 9: Dalmore 12 Anos

O nome Dalmore significa “a grande terra dos prados”. É uma belíssima região da Escócia, com florestas beirando as montanhas e áreas alagadiças que atraem os mais diversos tipos de pássaros.

Fundada em 1839 por Alexander Matheson, a destilaria tem a parte de trás voltada para a Ilha Negra, onde uma das melhores cevadas da Escócia é cultivada. Com um vasto suprimento de grãos, turfas da região e a água do rio Alness, o local foi bem escolhido.

Membro da companhia comercial Jardine Matheson, de Hong Kong, Alexander Matheson construiu a Dalmore na área da fazenda Andross. A área foi escolhida pela proximidade de fontes de água e pela abundância de cevada Easter Ross.

Margaret Sutherland, que havia arrendado a produtora, era apenas uma “destiladora casual” por volta de 1850. Em 1867, a fábrica estava em mal estado de conservação e foi assumida pelos irmãos Charles, Andrew e Alexander Mackenzie, que pretendiam ampliá-la. A produção aumentou consideravelmente, passando de cerca de 74 mil litros no primeiro ano para aproximadamente 200 mil litros em 1894. Nessa época eles começaram a exportar o whisky para a Austrália e a Nova Zelândia através da Matheson & Co. Em 1891, os irmãos finalmente compraram a destilaria, com suas fazendas e seu píer.

A família passou um século envolvida com a destilaria e seu lema, “Eu brilho, não queimo” foi adotado pela marca. Há uma história de que em 1263 o clã Mackenzie impediu que o rei Alexandre III fosse chifrado por um veado. Em agradecimento, o rei concedeu ao clã o direito de colocar um chifre de veado de 12 pontas no brasão da família, símbolo de fidelidade, bravura e coragem. Esse é o símbolo oficial da Dalmore.

A fábrica teve que interromper suas operações durante a Primeira Guerra Mundial, pois a Marinha usou suas instalações para construir minas terrestres (os barris foram transferidos para armazéns vizinhos). A produção de whisky foi retomada em 1920 e foi gerenciada por três gerações da família Mackenzie até 1960, quando a empresa se fundiu com a Whyte & Mackay Ltd. O blend da White & Mackay é amplamente associado ao The Dalmore, que é o principal single malt da empresa.


A Dalmore é uma destilaria na qual o passado foi deixado para trás. Possui 8 alambiques. O alambique de cerveja é achatado no alto, e seu braço condutor escapa pelo corpo do pote; enquanto o alambique de espírito é revestido de camisas de resfriamento de cobre. Fica claro que a pessoa que projetou esses alambiques queria que o destilado condensasse o mais rapidamente possível; ele queria criar um caráter mais pesado, e é isso o que a Dalmore faz. É mais do que apenas pesado, no entanto; é doce e rico, com um aroma que lembra frutas frescas silvestres. A maior parte do destilado é amadurecido em barris europeus.


A Dalmore esta ganhando reputação. Por anos, o único engarrafamento da Dalmore feito na destilaria foi um single malt 12 anos. Mais tarde, um 21 e um 30 anos foram introduzidos, junto com o Gran Reserva (antes conhecido como Cigar Malt), em 2002. Nesse ano, também ocorreu a venda em leilão de uma expressão de 62 anos pelo preço recorde de 25.877 libras. Muitas edições limitadas passam por um processo de maturação em barris diferentes, assunto que fascina o mestre de alambiques da White & Mackay, Richard Paterson.


Premiado e reverenciado, o Master Distiller, Richard Patterson, é um capítulo a parte. Dedica mais de 40 anos de sua vida a supervisionar todo o processo desse portfólio premiado. Ele é considerado o melhor nariz da Escócia e é chamado “The Nose”. Seu trabalho é uma arte e  consiste em classificar os aromas dos whiskies, selecionando  somente os melhores.  Por conta disso, seu nariz está avaliado em 2,4 milhões de dólares pela Lloyds.


Hoje a destilaria pertence ao grupo United Spirits Limited, da UB Group, o conglomerado indiano do milionário Vijay Mallya e que atua em diversos segmentos: engenharia, aviação, fertilizantes, biotecnologia, imobiliário e bebidas. Também é proprietária da escuderia de Formula 1, Force India.

O que pude perceber:
Aroma: forte, picante, seco. Sente-se um pouco de especiarias. É um whisky bem complexo, vai mudando à medida que descansa no copo e libera seus aromas. De início, sente-se a presença marcante do álcool, mais um pouco e ele fica defumado, com um pouco de canela. Um pouco mais e sente-se chocolate amargo, açúcar mascavo, para então começar a aparecer as notas cítricas, de frutas cítricas. E então, volta o álcool e reinicia o ciclo. Com um pouco de água libera um aroma de baunilha e passas. O álcool some um pouco e as especiarias predominam. Acrescentando uma pedra de gelo predomina o aroma frutado.
Sabor: bem encorpado, sente-se uma certa dormência na língua, mas é muito saboroso, apesar de no início ser um pouco amargo. Mas depois isto vai mudando. Confirma no paladar a complexidade sentida no aroma, seu gosto vai mudando com o tempo. Seu final é longo, persistente, com um pouco do gosto de passas. Com água mantém o mesmo sabor. Com gelo fica bem suave, não agride, some a dormência na boca.

É um whisky maturado em barris de carvalho branco americano e também de sherry oloroso. No barril de carvalho americano fica descansando por 9 anos, depois disso, seu conteúdo é dividido: metade do líquido passa a maturar em barril de bourbon e a outra metade em barril de oloroso, por 3 anos, até completar os 12 anos de maturação. Esta combinação deixa o whisky simplesmente fantástico, muito saboroso. O que achei muito interessante também foi a mudança constante, em ciclos, como mencionado acima. Não tinha percebido isso nos whiskies até então. É uma bebida excelente, saborosa e muito bem recomendada. Está na casa dos R$ 200,00 em lojas especializadas e, felizmente, encontrei o meu por R$ 107,90 no Pão de Açúcar.


THE DALMORE 12 ANOS

Single Malt: Terras Altas

Teor Alc: 40%

O bem estabelecido 12 anos atingiu o mercado mais requintado com sua embalagem e com seu preço. O whisky tem um sabor suave de cascas de frutas cristalizadas e calda de baunilha.

Slàinte.








Fontes: o livro do whisky, whisky, whisky de a a y, wikipedia

4 comentários:

  1. Não sou grande entendedor mas gosto de um bom uisque e não é pelo preço mas pela qualidade.
    O Dalmore 12 anos é um dos melhores que já tomei então fico imaginando um 15 ou 18 anos.
    Logo, logo vou experimentar um.

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    1. O Dalmore é um tanto quanto controverso. Uns gostam bastante, outros torcem o nariz, um pouco pelo seu sabor acentuado de madeira e um pouco adstringente. Eu, particularmente, gosto.

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    2. Belo texto Michel! Sou um apaixonado pela Dalmore!

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    3. Obrigado Thiago J. T. Pires. Também gosto do Dalmore. Continue acompanhando. Um abraço.

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