Leilão da bebida será feito pela internet na segunda-feira (30)
O site Superbid vai leiloar uma garrata de Johnnie Walker 1805, parte de uma edição limitada em comemoração ao bicentenário de nascimento do fundador da marca, lançada há dez anos.
Johnnie Walker 1805: lances a partir de R$ 60 mil
Apenas 200 garrafas foram produzidas e distribuídas a colecionadores selecionados pela marca.
De acordo com o Superbid, estima-se que quatro unidades foram trazidas para o Brasil. Uma delas será vendida pela internet na próxima segunda-feira (30), com lance inicial de R$ 60 mil.
O Johnnie Walker Blue Label série 1805 é composto por maltes envelhecidos entre 45 e 70 anos em barris de carvalho feitos à mão na Escócia.
A garrafa é decorada com o busto em ouro de Sir John Walker e acompanha um estojo de radica em estilo escrivaninha de viagem do século XIX, com chave e réplicas da caneta de pena e da caderneta utilizadas por ele para registrar a fórmula da bebida.
No mesmo leilão, também serão vendidos 70 lotes, de whiskies raros até os de produção corrente. Entre raridades de diferentes nacionalidades, será leiloado o J&B Ultima, um scotch dos mais complexos, com 128 tipos de malte e grãos diferenciados.
Quem tiver dinheiro sobrando e quiser participar do leilão, pode saber mais acessando o site da casa que irá realizá-lo: www.dedaloleiloes.com. E boa sorte.
Olá pessoal. Como além de whisky também sou apaixonado por futebol, não pude deixar de curtir os jogos da copa estes dias, o dia inteiro. Mas agora que diminuiu os horários de jogo, encontrei um tempinho para postar mais um review. Desta vez um blended standard com bom custo benefício.
William Lawson,
mercador de whisky escocês de Dundeecriou no fim do século XIX o “Lawson’s Liqueur Whisky” para a empresa em
que trabalhava, a E & J Burke, de Dublin. Ele mesmo registrou a marca, pois
era o gerente de exportações da companhia. Após se tornar um dos diretores, foi
demitido pela empresa em 1903, que, no entanto, continuou a divulgar o nome
Lawson. Por volta de 1923, a empresa mudou de Dublin para Liverpool, e as
exportações de suas marcas de whisky cresceram. Grande parte das vendas era
para os Estados Unidos, passando pelas Bahamas, quando da lei seca americana.
A destilaria da casa é a Macduff, construída
em 1960 por um consórcio de blenders no nordeste da Escócia e depois vendida
para a Martini. A marca foi comprada pela Martini & Rossi em 1963, que
agrupou todos os seus negócios de whisky sob o nome William Lawson
Distilleries. Foi nessa época que o nome da marca mudou de Lawson’s para
William Lawson. O grupo tornou-se parte da Bacardi em 1995.
O whisky Lawson’s é
administrado juntamente com seu grande irmão, o Dewar’s, e, embora praticamente
invisível no Reino Unido, vende mais de 1 milhão de unidades por ano na França,
na Bélgica, na Espanha e América do Sul.
O malte Glen Deveron
produzido pela destilaria Macduff é um componente de peso do blend. A Macduff emprega nele a
maior porcentagem de madeira de xerez entre os whiskies do grupo Dewar’s, e
isso contribui para um sabor completo e uma cor dourada e rica. Nos últimos
anos, a expressão padrão, William Lawson’s Finest, se equiparou a outros blends
padrão. A bebida tem um preço competitivo.
O que pude
perceber:
Aroma: logo que abri a garrafa o aroma tomou conta do ambiente. Aroma forte,
no sentido de intenso, e agradável. Bastante floral, doce e suave. Bem
prazeroso. Quando se adiciona água, não notei mudança significativa. Quando
experimentei após adicionar uma pedra de gelo, o aroma que predominou foi o de
maçã fresca.
Sabor: Pude confirmar no paladar o sabor da maçã. Bem suave, gostoso. Com
água, acentua um pouco mais este sabor, porém com gelo, notei que o sabor da
maçã ficou mais para aquela maçã caramelada, crocante. Interessante esta
mudança. O final é curto.
É um whisky leve, bem cheiroso. Na minha opinião, devido à mudança no sabor, o que
deixou mais agradável e saboroso, aconselho beber com uma pedra de gelo.Whisky que
agradaria as mulheres por ser bem suave e doce e lembrar “maçã do amor”. Tem um
ótimo custo benefício, já que não é um whisky caro. Encontra-se nas lojas
virtuais a aproximadamente R$ 56,00. Comprei minha garrafa no Carrefour a R$
49,90.
William Lawson’s Finest
Blended 40% (80°)
Cor Dourado claro
Nariz Nariz complexo,
com grãos, maçãs condimentadas e baunilha. Levemente seco, com notas delicadas
de carvalho.
Paladar Os grãos suaves
do nariz aparecem na boca com notas picantes e adocicadas de mel. O palato é
bem equilibrado, com toques de um sabor crocante de balas de maçã. Um whisky de
moderado a completamente encorpado.
O malte whisky, ou
simplesmente malte, é produzido apenas com cereais maltados (na Escócia, sempre
a cevada) em alambiques tradicionais de cobre. Um single malt é um whisky
proveniente de uma única destilaria.
Os single malts são
responsáveis pelo recente interesse mundial por whiskies e estão ganhando cada
vez mais espaço entre jovens de ambos os sexos em mercados maduros como a
Grã-Bretanha, os Estados Unidos e o Japão, onde a tendência crescente é beber
menos e saborear mais. As características que fazem essa bebida ser considerada
difícil (a complexidade e a unicidade) são precisamente o que interessa a esse
novo público.
Quando as pequenas
destilarias escocesas começaram sua fabricação no século XV, o malte whisky era
o único tipo disponível, e era quase todo consumido localmente. Era o whisky
escocês original. Este whisky era muito diferente do malte que conhecemos hoje.
A bebida não era maturada em barris de carvalho e sim tomada quase quente,
diretamente do alambique. A bebida então ganhou
fama e sua produção foi ampliada. Pequenos barris eram transportados
ilegalmente no lombo de burros, por estradas secretas, para cidades vizinhas.
Porém, em meados do
século XIX, tornou-se mais comum vender os blends (ainda iremos falar sobre
eles). A invenção do destilador contínuo no século XIX gerou transformações
importantes no whisky. Tal fato levou ao desenvolvimento do blended whisky que acabou
virando sucesso internacional e quase ofuscou a categoria do whisky single
malt, do qual praticamente não se falava mais. Somente em 1963, quando a
William Grant & Sons decidiu promover separadamente o Glenfiddich, seu
single malt, o interesse em whiskies não misturados foi despertado. Desde
então, essa fatia do mercado cresceu vertiginosamente. Hoje podemos
encontrá-los feitos em diversas partes do mundo, incluindo quase cada uma das
cerca de 90 destilarias de malte em atividade na Escócia. Porém, vale ressaltar
que os single malts representam apenas 9% das vendas mundiais.
A produção do destilado
mudou pouco nos anos seguintes, e os single malts ainda são fabricados em
destilarias pequenas e com as técnicas tradicionais, aperfeiçoadas com o tempo.
O whisky não é mais consumido diretamente do alambique, agora passa por anos de
um cuidadoso processo de maturação em tonéis de carvalho, para ser curtido e
adquirir a cor e os sabores da madeira.
Por lei, um single malt
deve vir apenas de uma única destilaria e, para proteger a categoria, a
indústria do whisky escocês tornou ilegal o uso de termos que possam causar
enganos, como “Puro Malt”. Hoje em dia, qualquer “vatting” de maltes de
destilarias diferentes deve ser chamado de blended malt. Notem bem a diferença:
destilarias diferentes, “blended malt”, mesma destilaria, “single malt”. Isto
porque a mistura de maltes diferentes de uma mesma destilaria continua sendo um
single malt.
Toda essa polêmica envolvendo
denominações demonstra a seriedade e o cuidado que a indústria escocesa de
whisky toma para manter a bebida na mais alta qualidade e credibilidade. E no
caso do single malt, há uma história emblemática, conhecida como “Caso Cardhu”.
Em 2002, a Diageo
percebeu que as vendas de sua marca Cardhu, single malt, em países como França,
Espanha e Grécia cresceram tanto que não haveria estoque suficiente para
atender toda a demanda e ainda, atender a contribuição do Cardhu na composição
do blended Johnnie Walker. Diante disso, a Diageo resolveu misturar Cardhu com
outros single malts e trocar as palavras no rótulo de Cardhu de “Single Malt”
para “Pure Malt”, criando com isso o que se chama de “Vatted”, porém escrito no
rótulo como “Pure Malt”.
William Grant, da
destilaria do Glenfiddich, declarou que a mudança afetaria a integridade e
autenticidade da indústria do single malt. O chefe executivo da Diageo se
recusou a mudar as decisões já tomadas.
Outras destilarias
através da SWA (Scotch Whisky Association) informaram à Diageo sobre a decepção
da decisão e foi solicitado que a Comissão Europeia investigasse o caso.
Em uma árdua reunião a
Diageo informou à SWA que mudaria a cor do rótulo do Cardhu para verde, para
ressaltar a mudança de Single Malt para Vatted Malt. A SWA aceitou, mas algumas
destilarias ainda reclamaram da aceitação. A Diageo informou que continuaria
com a mudança porque entendia que a indústria deveria inovar.
Após muita discussão,
em 2004, a Diageo retirou todas as mudanças feitas com Cardhu e reconheceu que
julgou mal todo o caso.
Agora, quando você
abrir sua garrafa de whisky, saberá que além de todo o processo criterioso da
destilaria há também toda uma legislação assegurando a qualidade do produto. E a cobrança das próprias destilarias.
Da mesma forma que Hankey Bannister Regency 12 anos, o Original é um whisky que chegou a pouco no mercado brasileiro. Depois de experimentar a
versão premium, chegou a hora de falar da versão que é o carro-chefe da Hankey & Bannister, cuja história já foi contada em outro post. Quem quiser
relembrar, basta clicar aqui.
É um whisky preparado com Scotch
whiskies destilados em algumas das melhores destilarias da Escócia, entre elas
Balblair, Knockdhu, Balmenach, Pulteney e Speyburn.
Prêmios recentes
O whisky escocês "blended" Hankey
Bannister agrada ao paladar da realeza britânica há muitas gerações e recebeu o
distinto Selo Real britânico do rei George V. Arrematou 28 medalhas e prêmios
nos últimos anos.
Hankey Bannister Original
2012 International
Wine and Spirits Competition -Prata Excelência
2012 International Spirits Challenge –Prata
2011 International Wine and Spirits Competition -Prata
2011 International Spirits Challenge –Prata
2011 San Francisco Wine and Spirits Challenge -Prata
2010 Beverage Testing Institute –Ouro e Melhor Produto
2010 International Wine and Spirits Competition –Prata
2010 International Spirits Challenge -Bronze
2009 Monde Selection -Prêmio Grand Gold de Qualidade
O que pude
perceber:
Aroma: na primeira vez que experimentei, senti um pouco de frutado, aroma doce,
suave. Bem prazeroso. Quando se adiciona água, não notei mudança significativa.
Quando experimentei após adicionar uma pedra de gelo, a primeira coisa que veio
à mente foi um leve aroma de couro, um pouco de uva passa, ficando ainda mais
agradável.
Sabor: Senti um pouco do sabor de caramelo, um pouco do cítrico das frutas
cítricas e um pouco de mel. Há uma sensação de dormência na língua, mas pouco.
É suave, delicado, mas ao mesmo tempo é quente. Quando se adiciona água, some a
sensação de dormência na língua, fica mais suave, porém não tão saboroso. Na
minha opinião já é um whisky suave e a água faz sumir seu sabor. Acrescentando
uma pedra de gelo, fica mais fresco e mais suave. Tem um final médio.
É um whisky leve, equilibrado, bem cheiroso e saboroso, para se beber
puro ou com uma pedra de gelo.Em comparação com seu irmão mais velho, o Regency
12 anos, acho que se saiu melhor, proporcionando um excelente custo benefício.
Como já mencionei, está aparecendo nos grandes supermercados e em lojas
virtuais girando na casa dos R$ 76,00. Felizmente, como um bom
garimpador, comprei este na mesma promoção do Regency, num atacadista da região,
por R$ 39,90.
Hankey Bannister Original
Aroma
Um aroma suave, com sabor acentuado, que
proporciona profundidade extra.
Cor
Caramelo leitoso com tom dourado.
Sabor
Um blend leve, sutil, limpo, doce e picante com
toques de mel e final duradouro e agradável.
Se você gosta de Jack Daniel’s e
também gosta de viajar, pode arrumar as malas e dar um pulinho ali na China, ou
então ali na Austrália e adquirir sua garrafa do mais novo lançamento da
Brown-Forman.
Trata-se do Jack Daniel’s Nº 27
Gold Tennessee Whiskey. Uma expressão rica, primorosamente refinada e
distintamente acabada do original Old Nº 7 Tennessee Wiskey.
Trabalhado com os mesmos padrões
inflexíveis do Jack Daniel’s Old Nº 7, o Nº 27 Gold ganha seu nome da dupla
filtragem em carvão de maple e do duplo amadurecimento.
Além do barril de carvalho ele é extra-amadurecido
em barricas de bordo dourado de maple e duplamente filtrado em carvão,
deixando-o luxuoso e extremamente suave. O tempo e atenção necessários para
criar este espírito ultra suave significa que o Nº 27 só será lançado em um
número limitado de lugares.
Por enquanto, só está disponível
em algumas lojas Duty Free dos aeroportos em toda a Ásia e Pacífico sul.
Philippe Boyer, CEO Nuance Austrália, disse: “Nós sabemos
que Jack Daniel Nº 27 Gold será particularmente atraente para determinados
segmentos de clientes, incluindo a nossa crescente base de clientes asiáticos e
chineses”.
"Porque ele está atualmente disponível apenas em
isenção de impostos na região, temos uma grande oportunidade de oferecer um
serviço diferenciado e especial para todo o nosso whiskey premium e clientes de
Bourbon nos aeroportos, antes do seu lançamento no mercado nacional."
Jack Daniel Nº 27 Gold é o primeiro item exclusivo de viagem
da marca desde o Sinatra Select,
lançado para comemorar o período de preparação para o centenário do nascimento
do lendário cantor Frank Sinatra.
A garrafa de 700 ml vem em uma embalagem elegante que imita
ouro. O líquido é ouro brilhante na cor e no nariz tem-se um aroma de maple,
mel e frutas. Cremoso e viscoso no paladar há uma pitada de carvalho tostado,
baunilha, notas de bordo e um pouco de tempero que leva a um acabamento suave e
um aquecimento com toque de doçura.
"Podemos ser mais experimentais porque somos novos. Presumem que é preciso ir para a Escócia para aprender a fazer uísque. Bobagem", diz David Fitt, mestre destilador da English Whisky Company, de Norfolk
Tom Jamieson/The New York Times
O mestre destilador David Fitt inspeciona fábrica da English Whisky Company, em Roudham
Feito com cevada de agricultura familiar e com água de um poço artesiano, o uísque single malt com leve sabor de nozes produzido por uma pequena destilaria pode custar mais do que produtos similares de Glenmorangie ou de Glenlivet. Envelhecido por pelo menos três anos em barris de bourbon, ele é distribuído mundo afora, para China, EUA, Rússia e Suécia. Mas o uísque não é escocês, e sim inglês.
Sediada em um campo exuberante a aproximadamente 480 quilômetros da fronteira com a Escócia, a English Whisky Company, em Norfolk, é parte do ressurgimento das destilarias locais que estão recuperando – e reinventando – a tradição que foi perdida há mais de cem anos.
Estimulado pelo surgimento de pequenos produtores de alimentos e de bebidas, o renascimento cresceu lentamente, porém, continuamente, desde que as primeiras garrafas foram à venda em 2009. Existem hoje pelo menos quatro destilarias de uísque inglês em operação, e o interesse está aumentando.
"Há rumores de que exista uma em cada município", observa Andrew Nelstrop, diretor executivo da English Whisky Company. "A cada duas semanas, alguém me liga dizendo que está pensando em abrir uma destilaria e perguntando se pode visitar a nossa." Tão grande é o interesse que cerca de 40 mil pessoas anualmente vão ao centro de visitantes da região. Esse turismo é um negócio lucrativo em si, segundo Nelstrop.
Nos padrões escoceses, a indústria do uísque inglês é pequena. No ano passado, a English Whisky Co. vendeu cerca de 60 mil garrafas de uísque. As destilarias escocesas – e existem mais de cem delas – exportaram 2,13 bilhões de garrafas e venderam mais 87,5 milhões de garrafas na Grã-Bretanha.
Mas a English Whisky Co. informa que está tendo um pequeno impulso do movimento escocês pela independência, uma questão que entrará em votação em setembro. "Existe um leve orgulho íntimo em nossa nação. Se a Escócia decidir pela independência, veremos esse orgulho crescer", explica Nelstrop.
"Quanto mais agitação de bandeiras houver, mais esse é o caso", ele acrescentou, referindo-se à campanha do plebiscito em andamento na Escócia. Segundo ele, a votação iminente só pode ajudar a fomentar a procura pelo uísque inglês.
Tom Jamieson/The New York Times
Uma garrafa do The Founders Cellar
Até hoje, existem poucos sinais de animosidade do consumidor em relação aos produtos escoceses na Inglaterra, e a indústria do uísque escocês está tão bem estabelecida globalmente que é improvável que perca sua participação significativa por causa de uma questão política. Mas o sucesso da English Whisky Co. indica que, se os escoceses votarem pela independência, pode haver potencial comercial em relação à promoção inglesa de uma série de produtos culinários para concorrer com os que vêm da Escócia.
Embora a Inglaterra nunca tenha tido a mesma tradição de produção de uísque que a Escócia, havia aqui quatro destilarias de grãos no final do século 19. Em um livro publicado em 1887, "The Whisky Distilleries of the United Kingdom" ("As Destilarias de Uísque do Reino Unido", em tradução livre, não publicado no Brasil), Alfred Barnard apontou que a Destilaria Bristol, com sua produção anual de 2,4 milhões de litros, chegava a enviar aguardente à Escócia e à Irlanda para produção de uísque.
Porém, por volta do final da década de 1880, a Escócia havia se tornado a pioneira do uísque blended – uma mistura de uísques leves de grãos e uísques com malte aromatizado que era destinado ao gosto geral, segundo Charles MacLean, especialista e historiador do uísque.
MacLean explica que isso se tornou muito popular na Inglaterra na década seguinte, ajudando a derrubar as poucas destilarias de uísque inglês. A Destilaria Lea Valley em Londres, geralmente tida como a última na Inglaterra, fechou as portas por volta de 1903.
Mais de um século depois, a destilaria de Norfolk enfatiza o caráter inglês de seu produto, embora a palavra "Scotch" permaneça sendo o nome popular para o uísque (e a ortografia mais comum é "whisky", embora "whiskey" seja a mais usada para as versões americanas e irlandesas). Adornada no rótulo de cada garrafa, temos uma imagem do santo padroeiro da Inglaterra, São Jorge, matando o dragão.
A destilaria produz dois tipos principais de uísque single malt, um turfado e o outro não. Ela também produz um single malt especificamente para o varejista britânico Marks & Spencer, descrito em notas de prova como "fresco e perfumado, doce, suave e levemente picante". Fortalecendo a sua criação da marca inglesa, lançou produtos especiais como uma edição limitada de 1.850 garrafas em comemoração aos 60 anos da coroação da Rainha Elizabeth II em 2013.
Tom Jamieson/The New York Times
David Fitt
Há tempos, a ideia de produzir uísque tinha sido um sonho do pai de Nelstrop, James, um fazendeiro. "Ele dizia que era 'era loucura a cevada ter de ir para a Escócia para voltar como algo útil'." Dado o número de nações produtoras de uísque, o estranho é que a Inglaterra não esteja entre elas, completa o diretor.
Um ingrediente principal é a cevada, que cresce nessa região e é fornecida à English Whisky Co. por uma fazenda administrada pelos primos de Nelstrop, a aproximadamente 129 quilômetros de distância. A outra principal exigência é a água, que é abastecida abundantemente através de um poço artesiano.
Como uma destilaria relativamente nova, a English Whisky Co. não está tentando bater de frente com os atores estabelecidos da Escócia, alguns dos quais vendem uísques que são envelhecidos durante décadas. Ela abriu em 2006 e começou a comercializar em 2009. Na Cornualha, a cervejaria St. Austell e a Healey's Cornish Cyder Farm produziram um uísque maltado em 2003, embora a bebida não tenha sido comercializada até 2011, quando tinha passado pelo processo de envelhecimento.
Mas David Fitt, o principal destilador da English Whisky Co., que começou a sua carreira como fabricante de cerveja, afirma que, como uma empresa pequena e particular, ela tem a liberdade de inovar com diferentes métodos. Embora a maioria do uísque seja envelhecido nos barris de bourbon, ele às vezes usa os de vinho – porto ou xerez. "Podemos ser mais experimentais porque somos novos. Não tínhamos nada a perder porque não temos 200 anos de tradição, não havia tradição por aqui. Todos presumem que é preciso ir à Escócia para aprender a fazer uísque. Bobagem."
A Associação Escocesa do Uísque, que representa o setor na Escócia, afirma receber com prazer as novas destilarias em todas as partes do mundo porque essas aumentam o interesse no produto. "Isso está atraindo novos consumidores para a categoria", explica David Williamson, o porta-voz da associação. "Se novos consumidores estão experimentando uísques diferentes independentemente de onde eles sejam produzidos, isso só pode ser algo positivo para a indústria do uísque escocês."
Williamson diz que o uísque escocês é "indubitavelmente o melhor do mundo". Porém, reconhece que ainda precisa experimentar a versão inglesa. Marks & Spencer, que vende o produto da English Whisky Co. por 35 libras esterlinas, ou cerca de R$ 133, por uma garrafa de 700 ml, afirma que ele está "atualmente vendendo mais que o uísque irlandês premium e tanto quanto o uísque maltado escocês bem estabelecido que vendemos por preço equivalente".
"A destilaria de uísque inglês de Nelstrop é um exemplo maravilhoso de um produtor moderno de bebida alcoólica artesanal", conta Emma Dawson, compradora das bebidas da Marks & Spencer. "Não é uma cópia do uísque escocês; ele fica em uma classe própria. Só colocamos um uísque inglês em nossas prateleiras se sentirmos que ele atinge os nossos altos padrões de qualidade, e isso certamente foi mais que as minhas expectativas."
Nelstrop revela que o 10º aniversário da destilaria em 2016 trará uma nova oportunidade, possibilitando que ele venda um uísque de 10 anos e crie um marco importante. Ele planeja uma reconstrução da marca, colocando menos ênfase no espírito inglês do produto e mais em sua qualidade: "É fácil vender a primeira garrafa. Mas só compram a segunda se gostarem do sabor".
O whisky é feito pela condensação dos vapores de álcool que
escapam mediante o aquecimento de um mosto fermentado. Como o ponto de ebulição
do álcool é menor que o da água presente no mosto, o álcool evapora, dando-se
assim a separação da água e o álcool. O vapor que escapa da mistura aquecida é
capturado por uma serpentina refrigerada que o devolve ao estado líquido. Mas,
onde tudo isto é feito?
Vamos conhecer agora onde funciona todo o processo de produção do whisky. Toda esta magia pode
ser revelada nas destilarias da Escócia, a maioria das quais é aberta à
visitação. Mas, engana-se quem acha que toda destilaria é igual. Nenhuma destilaria é igual à outra. Algumas são muito
antigas, outras, possuem uma arquitetura moderna. A construção e a disposição de
cada uma dependem muito do local escolhido, do espaço disponível e, talvez o
mais importante dos requisitos, dependem de uma fonte de água por perto.
Vejamos a composição básica de
uma destilaria:
ESTOQUE DE CEVADA MALTADA
Toneladas de cevada maltada,
trazidas diretamente dos terreiros de maltagem ou entregues pelos produtores
comerciais, são armazenadas em grandes silos. É aqui que começa a produção do
whisky.
MOENDA
O primeiro passo na produção de
whisky em todas as destilarias escocesas é a conversão da cevada, hoje em dia
fornecida por fabricantes de malte comerciais, em farelo com o auxílio de moendas
de quatro rodas.
ESTEIRAS
Na maioria das destilarias,
esteiras rolantes conduzem o farelo ao tonel de maceração.
TONEL DE MACERAÇÃO
Ao chegar ao tonel de maceração,
o farelo é misturado com água. Pequenos tanques são equipados com pás que
revolvem a mistura e ajudam a extrair os açúcares.
DORNA DE FERMENTAÇÃO
Os açúcares do mosto fermentado
são convertidos em álcool com a ajuda da levedura. As dornas de fermentação são
tradicionalmente feitas de madeira, mas hoje também podem ser encontradas em
aço inoxidável.
ALAMBIQUES
Os alambiques de cobre são o
coração de uma destilaria. Ao ser aquecido, o álcool e os aromas são separados
dos compostos indesejáveis.
CONDENSADORES
O destilado escapa do alambique
em forma de vapor. Resfriados com água, estes grandes condensadores modernos
(do tipo casco e tubo) reduzem a temperatura do vapor para que ele retorne ao
estado líquido.
TANQUES DE CONDENSAÇÃO
Tradicionalmente, os tanques de
condensação também agem como condensadores para esfriar o vapor saído dos
alambiques. Uma serpentina de cobre imersa em água fria guia o vapor, que
esfria até retornar ao estado líquido. Os tanques de condensação e os
condensadores modernos do tipo casco e tubo são usados em toda a indústria.
Debate-se frequentemente qual dos sistemas é melhor, mas as destilarias têm
usado ambos os tipos há muitos anos.
COFRE DOS ESPÍRITOS
É aqui que se faz o corte do
destilado, separando o coração da cabeça e da cauda. O cofre é trancado a
cadeado para garantir o controle do departamento de Alfândega e Impostos sobre
Bebidas.
COLETOR DE ESPÍRITO
Todo o destilado fresco é
recolhido num coletor de espírito. Feitas de madeira ou de aço, essas cubas
podem receber centenas de milhares de litros de destilado recém-produzido.
Depois de diluído em água até a concentração alcoólica requerida, o destilado é
transferido para os barris de maturação.
BARRIS
Os barris de madeira onde o
whisky amadurece são, geralmente, barricas de xerez espanhol ou tonéis de
bourbon americano. Eles são enchidos com o destilado fresco, que amadurece
então por um período mínimo legal de três anos antes de poder ser chamado de
whisky.
Mais adiante conheceremos as destilarias mais importantes da Escócia e também de outros países produtores de whisky. Aguardem e boas doses.