Existe um lugar neste país onde você poderá orar para o seu Deus Etílico e esse lugar é a Catedral do Whisky.
A Catedral do Whisky é atualmente a maior coleção de whiskies, não só do Brasil, mas da América Latina, e é de propriedade do empresário José Roberto Briguenti. Fica localizada no interior de São Paulo, na cidade de Itatiba, cerca de 70 quilômetros da capital.
Briguenti afirma não beber whisky. Provavelmente esse seja o grande segredo de conseguir colecionar mais de 10.000 garrafas de whisky dentro da sua catedral especialmente para o destilado construída no seu sítio de campo.
Curioso é que o próprio Zé, como é chamado, diz que no início a coleção dele era mesmo de cachaça, mas como o whisky teria mais variedades e volume de garrafas, ele logo resolveu mudar de bebida.
São tantas raridades na sua coleção que fica difícil escolher as preferidas. Desde garrafas do período da Lei Seca Americana, que eram entregues como falsas receitas médicas, passando por latas de óleo e tinta onde eram colocados os whiskies para despistar.
Itens de luxo como uma coleção de 80 garrafas de cerâmica Royal Doulton com mais de 100 anos das marcas Watson’s e Dewar's estão bem guardados lá. Também se encontra a coleção de 32 garrafas da Old Crown Kentucky Bourbon, onde cada garrafa tem o formato de uma peça do jogo de xadrez.
E não são só garrafas que ele possui na Catedral. Sabonetes, mamadeiras, perfumes e sprays de whiskies estão no meio do caminho.
Para quem estiver de passagem por Itatiba, programe o seu passeio na Catedral do Whisky.
Whisky com mais de 100 anos descoberto na Antártida
Imagine chegar num bar, apontar para uma garrafa de 100 anos de idade e pedir uma dose. Qual seria o valor dessa raridade?
O explorador Ernest Shackleton foi o responsável por “esquecer” as garrafas de um lendário whisky escocês, o Mackinlay, que hoje pertence ao grupo Whyte&Mackay. As garrafas foram descobertas dentro de uma caixa em uma antiga cabana usada pelos primeiros desbravadores da região polar. Acreditam que essas garrafas datem do ano de 1907 e que provavelmente o whisky foi destilado nos anos de 1896/1897.
As garrafas foram para a fábrica da empresa escocesa para minuciosa análise sensorial. O master blender Richard Paterson da Whyte&Mackay foi o responsável pela degustação das garrafas após seu descongelamento.
Sir Ernest Henry Shackleton foi um explorador polar que liderou três expedições britânicas à Antártida e uma das principais figuras do período conhecido como Idade Heroica da Exploração da Antártida.
A sua primeira experiência nas regiões polares foi como terceiro-oficial na Expedição Discovery, durante a qual foi enviado para casa mais cedo devido a problemas com escorbuto. Determinado a dar a volta a este insucesso pessoal, regressou à Antártida em 1907 à frente da Expedição Nimrod. Em Janeiro de 1909, ele e mais três companheiros efetuaram uma marcha para sul que estabeleceria uma nova marca Farthest South, a 180 km do Polo Sul. A sua viagem de regresso foi uma corrida contra o tempo devido à falta de alimentos – a ração diária passou a metade em quase todo o caminho. A certo ponto, Shackleton deu o seu único biscoito diário a Frank Wild, que escreveu no seu diário: "Todo o dinheiro que nunca foi cunhado, não teria sido suficiente para comprar aquele biscoito, e a recordação daquele sacrifício nunca mais me deixará". Mesmo com dificuldades, chegaram a tempo de apanhar o navio. Por esta conquista, Shackleton recebeu o título de cavaleiro pelo rei Eduardo VII quando regressou a casa.
As suas qualidades de liderança chamaram a atenção no início do século XXI. O seu caráter é resumido na última frase do livro Shackleton's Boat Journey de F A Worsley: "As suas características mais marcantes são o seu cuidado e atenção para com o bem-estar de todos os seus homens."
Nesta aventura, várias caixas contendo whisky foram deixadas para trás. Em 2010, foram recuperadas e enviadas para a destilaria White&Mackay, para serem analisadas e recriadas pelo mestre destilador Richard Paterson. A fórmula antiga para estas bebidas foi colocada à venda, sendo uma parte do valor arrecadado destinada a beneficiar o New Zealand Antarctic Heritage Trust, o qual descobriu as bebidas perdidas.
A recriação do whisky foi documentada pelo canal National Geographic e segue abaixo:
Voltado para paladares - e bolsos - exclusivos, o whisky single malt Glenfiddich 21 [anos] terá 100 garrafas de sua limitada edição de luxo disponível no Brasil.
Vencedor da medalha de ouro no Scotch Whisky Masters Awards 2012, o whisky em questão é amadurecido por 21 anos em barricas de carvalho norte-americano, e em seguida decantado e maturado em barris de rum do Caribe.
"É sem dúvida uma joia para os mais prestigiados paladares", diz Brian Kinsman, mestre destilador da marca escocesa.
Entre as características do destilado estão notas de baunilha, caramelo, couro, gengibre, especiarias e banana. Um livro que conta a história por trás do rótulo acompanha a caixa e o whisky. O kit estará disponível em lojas selecionadas em novembro, por cerca de R$ 1 mil.
No Highland Park as ilhas revelam um dos melhores maltes do
país
Destilaria de malte mais setentrional da Escócia, a
Highland Park foi fundada em 1798 por Magnus Eunson: um homem que conseguia
conciliar as atividades de pregador, durante o dia, e contrabandista, à noite.
O nome da destilaria não se refere à região produtora de
whisky denominada Highlands, uma vez que a ilha de Orkney não faz parte desta
região, mas sim do fato de ela utilizar água de duas nascentes que brotavam em
High Park (“campos altos”). A fazenda de Magnus Eunson era localizada na
“estrada do whisky” que seguia de Kirkwall a Holm. Embora tenha sido detido em
1813, Eunson nunca foi processado. Por outro lado, o oficial que o prendeu,
John Robertson, prontamente comprou a propriedade de High Park, junto com a
destilaria, e começou a destilar legalmente.
A destilaria foi ampliada e, em meados do século XIX,
estava fornecendo matéria-prima para muitas das melhores casas de whisky, como
Chivas, Gilbey, Haig, Ballantine e Dewar, bem como vendendo uma pequena parte
de sua produção como single malt. Em 1895, James Grant, da Glenlivet, comprou a
Highland Park e aumentou o número de alambiques para quatro. Tornou-se parte da
carteira da Highland Distiller’s (atual Edrington Group) em 1936. Os
proprietários investiram 18 milhões de libras na marca e tem planos ambiciosos
de fazer a destilaria uma das dez maiores do mundo.
Em sua primeira encarnação, o Highland Park era produzido
de forma peculiar, própria de Orkney. A cevada bere (a linhagem arcaica
utilizada pelos primeiros destiladores) foi usada aqui por muito mais tempo do
que em outras partes da Escócia. A destilaria também tinha uma “casa de urze”.
Nela, buquês de flores secas de urze eram lançados dentro do forno, onde se
pensava que a fumaça perfumada daria ao malte um toque aromático adicional.
Esses dois fatores deram ao malte de Orkney um estilo e um sabor típicos.
Dos velhos métodos que resistem até hoje, estão os
terreiros de maltagem da destilaria, que fornecem 20% do malte. A turfa de
Orkney pode ter um grande impacto. Feita quase toda de urze decomposta, parece
ser a chave do aroma extremamente evocativo do whisky. Toda a parte turfada do
Highland Park é maltada e seca na própria destilaria (a proporção de fenóis é
de 20 p.p.m.), o restante é trazido das fábricas de malte da Highland Distiller
em Tamdhu.
Para a sua confecção, é usada levedura seca em um sistema
de fermentação longa. A destilação é lenta. O resultado é um spirit novo que
mescla teor defumado fragrante e um realce cítrico. É doce desde o início, e
esta dança entre defumado, doçura, laranja e frutas ricas continua ao longo de
todas as suas expressões. Às vezes a turfa domina, em outras a doçura
sobressai, ao passo que o envelhecimento reúne estavelmente ambos os elementos
em um volume compacto, denso, com mel. O equilíbrio é a chave.
Sua madeira está sob a observância do mestre da madeira
George Espie, e desde 2004 não foram utilizados quaisquer tonéis de Bourbon nem
feita qualquer coloração com caramelo. Esse é um whisky de tonéis de ex-xerez
feitos com carvalho seco e amadurecido europeu e americano. Essa política de
madeira dá coerência ao caráter, uma vez que esse é o maior desafio quando se
tem sete expressões variando de 12 a 50 anos, sem acabamento.
Antiga e moderna ao mesmo tempo (é controlada por
computador), a Highland Park produz um whisky que consegue combinar o melhor de
todas as outras regiões da Escócia e fundi-las em um todo coerente. Em resumo,
tem turfa, tem mel, tem laranja, uma doçura de calda de caramelo e uma
profundidade rica de uvas-passas. Acima de tudo, é bem equilibrado.
Curiosidade: Highland Park é um dos maltes que compõem o
blended The Famous Grouse.
O que pude perceber:
Aroma: turfoso, esfumaçado, forte, com um pouco de especiarias e
também lembra um pouco de couro. É um aroma que fica no ar, bem cheiroso. Com
gelo as características são mantidas, mas de uma forma abrandada, não
aconselho. Com água, o aroma é liberado em sua plenitude. Eu diria que
acrescentar algumas gotas faz toda a diferença. Dá para sentir um cheiro de
fumaça, de defumado, mas bem suave. Dá para sentir também um aroma floral,
diferente. Seriam as tais Urzes? Infelizmente não conheço uma para dizer. Para
se ter uma ideia, demorei mais tempo cheirando este whisky do que bebendo. O
aroma é viciante.
Paladar: bem encorpado, confirma a fumaça e as especiarias. Tem
também a doçura do mel e um pouco de frutado. No início, há um leve
formigamento na boca, depois seca. O final é bastante longo, seco e esfumaçado.
Com gelo fica um pouco mais fresco. Sobressai um pouco mais o frutado. O
acréscimo de água suaviza o sabor. Em minha opinião o gelo, e também a água
(apesar da água abrir bem mais os aromas) dá uma camuflada no sabor, de modo
que eu preferi apreciá-lo puro.
É um whisky maturado em barris de sherry da Espanha, possui
a coloração natural, sem adição de caramelo. Em sua caixa, há uma explicação
sucinta sobre a história do whisky e de como apreciá-lo, assim como as notas de
degustação oficiais, ou seja, o que a destilaria espera que seja sentido ao
degustar o whisky. E se prestarmos bem atenção, dá para sentir muita coisa do
que está descrito ali. Realmente é um whisky que reúne várias características
em uma só garrafa.
Comecei a gostar de whisky pelos blends e já mencionei o
caminho que os apreciadores percorrem. Atualmente estou aqui, no single malt
turfado, mas o turfado com equilíbrio, não muito forte. O Highland Park supre
com louvor esta etapa. Uma pena que ele não seja encontrado aqui no Brasil, a
não ser em lojas Duty Free nos aeroportos. Comprei o meu numa destas lojas a U$
41,00, cerca de R$ 98,00. Não tenho ideia de quanto custaria se começasse a ser
importado por alguém. O que posso dizer é que na Escócia ele é respeitado tanto
quanto um Macallan, se não mais, uma vez que os escoceses tem uma preferência
por whiskies turfados. E já sabem quanto custa um Macallan por aqui, não é? De
qualquer forma, dos whiskies que já experimentei, tornou-se o meu favorito. Até
agora.
HIGHLAND PARK 12 ANOS
Single Malt: Ilhas Teor Alc 40%
Este whisky vem sendo elogiado por sua qualidade. Há
sabores macios de mel de urze, algumas notas temperadas mais ricas e um toque
defumado de turfa que envolve toda a boca e torna o final bem seco.
Fontes: whisky, o livro do whisky, o atlas mundial do
whisky, wikipedia
ATÉ O MAIS TRADICIONAL DOS DESTILADOS ESTÁ SUJEITO A MUDANÇAS. CONHEÇA AS ATUAIS TENDÊNCIAS DESTE UNIVERSO
A idade não importa (tanto)
O brasileiro consumiu 38,7 milhões de litros em 2012. Em 2013, o número aumentou 42%. E esse é um crescimento global. Como seria, então, possível para as destilarias estocar seus rótulos por 12, 15, 18 ou mais anos, se elas mal acompanham a demanda? A solução encontrada por algumas empresas foi tirar a idade de seus rótulos e substituí-la por outras denominações.
É o caso do The Macallan, considerado por muitos o Rolls-Royce dos single malts. No final do ano passado, o Brasil recebeu a visita de Joy Elliot, embaixadora da marca, para o lançamento da linha 1824 Series com quatro rótulos: Gold, Amber, Sienna e Ruby, refletindo as cores reais dos whiskies da série.
A criação é obra do mestre distiller Bob Dalgarno, que levou em conta a identificação da cor natural obtida no processo de maturação em diferentes tipos de barris enquanto o tipo de madeira definiu o sabor, do mais delicado até notas mais complexas como frutas secas. Comparativamente em termos de paladar, poderíamos dizer que o Gold representa um 10 anos, o Amber é um 12, o Sienna é um 15 e o Ruby, um 18 anos. Para o mercado brasileiro a empresa resolveu apostar no Amber e no Ruby, que já estão à venda.
Outra marca muito conhecida pelos apreciadores de single malt é a Talisker 10 anos, que recentemente lançou o Talisker Storm sem definição de idade no rótulo. As propriedades do whisky praticamente são as mesmas, um toque defumado no paladar e alto teor alcoólico, de 45,8%. Com essas duas características marcantes, é possível que o novo produto tenha de 7 a 9 anos de envelhecimento.
O barril não é mais o mesmo
O whisky sempre foi uma bebida previsível com relação aos ingredientes, destilação e até mesmo envelhecimento, sempre feito em barris de carvalho. Uma das pioneiras em mudar esse conceito foi a marca de single malt Glenmorangie, que já produz – além do tradicional envelhecido em barris de carvalho – versões que passam por barris de vinho do Porto, Jerez e até mesmo do vinho de sobremesa Sauternes. A mais recente criação da marca é o projeto Glenmorangie Cask Masters, em que os apreciadores estão interagindo no site da empresa e definindo todos os passos da criação de um novo single malt.
Em relação à escolha do tipo de barril, o ganhador foi o da variedade de vinho Manzanilla, produzido na Espanha. Os consumidores escolheram também o nome, o design da garrafa e até o evento de lançamento. Um fato relevante é que o Glenmorangie Ealanta foi considerado por Jim Murray, autor da Whisky Bible, o melhor single malt de 2013.
Já o single malt Dalmore King Alexander III Highland envelhece em seis tipos diferentes de barris ao longo de sua produção: um já usado para bourbons, outro para Jerez Oloroso Matusalem. Depois, passa por pipas de Porto, Madeira, Marsala e termina em barris utilizados previamente para envelhecer vinhos Cabernet Sauvignon de Bordeaux.
Novos sabores
Nos Estados Unidos, a tendência é outra: os produtores seguiram os de vodca e estão apostando na flavorização do produto. Quem começou foi a tradicional marca Jim Beam, quando surpreendeu o mercado com o Jim Beam Red Stag Black Cherry, com cerejas pretas. Como o sucesso foi grande, a destilaria lançou outra versão com sabor de mel e, mais recentemente, o Jim Beam Red Stag Spiced with Cinnamon, com especiarias e canela (tendo 40% de teor alcoólico).
O mel também foi eleito pela Jack Daniel’s, que resolveu lançar o Tennessee Honey, que na verdade é considerado licor, devido a seus 35% de teor alcoólico e à adição de açúcar. Porém, a fórmula resume-se a puro Jack Daniel’s e mel.
Pensa que é só um modismo? Pois saiba que a tradicional marca de whisky irlandesa Bushmills lançou uma versão com mel e a escocesa William Lawson, uma spiced. Sinal dos novos ventos que sopram no mundo do whisky.
Uma das cinco maiores empresas de bebidas alcoólicas do mundo, a americana Brown-Forman, dona do whiskey Jack Daniel’s e da tequila El Jimador, decide atacar no Brasil
O ícone da música Frank Sinatra dizia que não subia ao palco sem o Jack. Não se tratava de um pianista espetacular ou de um baixista que segurava o ritmo como ninguém. Mas sim da tradicional garrafa quadrada de Jack Daniel’s, o whiskey produzido no Tennessee. Com esse hábito, o crooner apelidado de Old Blue Eyes (velhos olhos azuis) se tornou o maior embaixador da bebida criada por um certo Jasper Newton Daniel, no sul dos EUA, em 1875. Com um histórico desses, a empresa americana Brown-Forman, que é dona da Jack Daniel’s desde 1956, conhece bem o poder de uma personalidade na hora de construir uma marca.
No entanto, a escolha de quem ajudará no estabelecimento de sua tequila El Jimador no Brasil chamou a atenção por ser inusitada: o ator José Valien, mais conhecido como o “baixinho da Kaiser”. Nas propagandas da marca de tequila, que é a mais vendida no México, ele interpreta El Bigodón, uma versão alternativa de seu antigo personagem. Com essa estratégia, a empresa tem conseguido sucesso. A marca já é a terceira tequila mais consumida no País, com 6% de participação. “Precisamos ser criativos, porque não temos as mesmas condições de investimentos dos concorrentes”, afirma Gustavo Zerbini, diretor de marketing e vendas da Brown-Forman Brasil, o principal executivo da operação local.
As rivais, no caso, a Diageo e a Pernod Ricard, dominam o mercado global de bebidas destiladas e já estão bem mais estabelecidas no País. A presença da Brown-Forman no Brasil é mais tímida. Até o fim de 2010, as suas bebidas eram importadas por um distribuidor. Estavam disponíveis nas prateleiras do varejo nacional apenas a família Jack Daniel’s e a vodca Finlândia. Agora são 11 marcas. Entre as novidades, está o bourbon Woodford Reserve, um whiskey de milho premium, que começa a ser divulgado neste mês de outubro. “Essa é uma categoria nova, que precisamos desenvolver no mercado brasileiro”, diz Zerbini.
Outro lançamento aconteceu em agosto, com o Jack Honey, uma versão de Jack Daniel’s com menor graduação alcoólica e com mel. O objetivo é atingir o público feminino. O resultado tem surpreendido a própria empresa. “Esperávamos que o Jack Honey fosse representar 20% das nossas vendas da linha Jack Daniel’s, mas já atingiu 40%”, afirma. Desde que a Brown-Forman assumiu a marca Jack Daniel’s no Brasil no final de 2010, o whiskey teve um crescimento anual médio em volume de vendas de 40%. Segundo a consultoria Nielsen, nesse período, o mercado cresceu em torno de 10% ao ano, e atingiu os R$ 2 bilhões de vendas em 2013.
No entanto, apesar de ter um nome bastante conhecido entre os brasileiros, as vendas da marca ainda não estouraram. A americana não aparece no ranking de maiores companhias de whisky do Brasil, segundo a empresa de pesquisas Euromonitor. A Diageo lidera com 41% do mercado, seguida pela Pernod Ricard (19%) e a Beam Suntory (14,5%). O desafio será ampliar o seu público. “A bebida era muito ligada ao rock e aos velhos consumidores de whiskey, e ficou com a fama de ser forte demais”, diz o executivo. “Agora queremos atrair os jovens.” Nisso, Frank Sinatra não terá muito como ajudar.
Quanto tempo levou para
que os aromas e os sabores do seu whisky se desenvolvessem? A idade no rótulo,
seja 8 ou 18 anos, conta apenas parte da história. A verdade é que ele passou
um bom tempo num barril de carvalho.
“A madeira faz o whisky”.
É o que se diz na Escócia há muito tempo. Porém, foi apenas ao longo dos
últimos 25 anos que os cientistas descobriram por que o casco (barril, pipa,
tonel) é tão importante. O carvalho é a melhor madeira. A maioria dos cascos é
de Quercus alba (o carvalho branco americano); alguns são feitos de Quercus
robur (o carvalho europeu) e poucos de Quercus mongólica (o carvalho japonês).
O casco de carvalho desempenha três funções vitais: remove asperezas e sabores
indesejados (o chamuscamento tem papel importante nisso); adiciona sabores
desejados (baunilha e coco no caso do carvalho americano); adstringência e
notas de nozes, maçã, damasco e frutas secas no caso do europeu; e, por ser
semiporoso, permite que o spirit “respire” e interaja com o ar para oxidar, desenvolver
suavidade e complexidade e acrescentar características de frutas.
Um pouco de história
Quercus alba (carvalho branco americano)
O barril já vinha sendo usado para o armazenamento e
transporte de vinhos pelos povos
da Mesopotâmia muitos séculos antes de Cristo. Os romanos começaram a utilizar
barris de madeira por influência dos celtas.
No século II da era cristã era
comum o emprego de barris para o armazenamento de vinho, azeite e água, mas teve
seu uso realmente popularizado na idade
média, quando era usado para estocar líquidos, conservar carnes e
guardar outras coisas como moedas. Durante as grandes navegações era usado para
conservar whisky, rum e
carne em sal. Diferente da água, o whisky e o Rum não criam lodo, o que
permitia aos marinheiros manterem-se hidratados sem contrair doenças. Atualmente,
o armazenamento continua a ser feito em barril, principalmente durante o
envelhecimento da bebida.
Interação com a madeira
Quercus robur (carvalho europeu)
Grande parte do caráter
de um whisky é desenvolvida durante o envelhecimento da bebida nos barris. Por
isso, o tipo de casco é muito importante.Durante os anos de envelhecimento, sabores da própria madeira serão
capturados, junto com vestígios de seu conteúdo anterior. Os resultados também serão
influenciados pelo tipo de carvalho com o qual o tonel foi construído.
Os carvalhos são
derrubados apenas quando estão maduros. O ideal é cerca de 100 anos. Nesse
ponto, têm tipicamente de 6 a7,5 metros
de altura e cerca de um metro de diâmetro. Os troncos são serrados em tamanhos
manipuláveis, prontos para ser transportados até uma tanoaria (ou tonelaria).
Quercus mongólica (carvalho japonês)
A tanoaria é
uma arte ancestral intimamente ligada às regiões de produção de bebidas,
consistindo no fabrico de vasilhames em madeira para armazenamento. Assim, com as madeiras de carvalho fabricam-se
pipas, tonéis, canecos e outros artefatos, especialmente para o tratamento e
transporte de bebidas. Hoje em dia
é cada vez mais raro encontrar pessoas especializadas nesta
profissão. Porém, no período inicial do século XII, a tanoaria era uma
profissão com um número elevado de artífices.
tanoaria
As toras são cortadas
em quartos, como enormes fatias de queijo. Em seguida, são serradas em tábuas e
secas geralmente num forno. Se a preferência é pela secagem ao ar livre, elas
são simplesmente empilhadas no pátio. Esse processo de amadurecimento pode
levar meses ou até anos, cerca de 2
a 4 anos. A secagem ao ar livre expele a umidade da
seiva sem fechar os poros da madeira. A partir daí são feitas as aduelas.
secagem ao ar livre
A palavra inglesa para
aduela, stave, é etimologicamente relacionada a staff, ou seja, bastão ou
bengala. À primeira vista, uma aduela não parece muito diferente de uma simples
tábua. Um olhar mais atento revela uma geometria sofisticada, na qual cada uma
das superfícies é encurvada ou chanfrada. Normalmente são usadas 32 aduelas por
barril, e mais 15 peças para formar as extremidades.
aduelas
O Quercus robur
espanhol é avermelhado e mais nodoso, e produz aduelas levemente onduladas. O
carvalho branco americano, Quercus alba, produz aduelas mais retas, de
granulação mais grossa, e é mais lento para amadurecer o whisky.
Arcos de metal são
usados para prender as aduelas durante a montagem dos barris, e para enrijecer
o tonel no final. Não se usam parafusos, pregos ou cola, portanto, a bebida não
adquire sabor metálico. As ripas são moldadas e unidas de modo que se acomodem
bem umas às outras. As argolas seguram as ripas no lugar enquanto a madeira é
aquecida, tradicionalmente com fogo, para curvá-la na forma certa.
Mesmo com máquinas de
precisão, o toneleiro é um artesão que precisa de habilidades tradicionais para
criar versões do século XXI de uma das mais antigas formas de recipiente. Ele
deve organizar as aduelas de modo a que se ajustem sem deixar vazamentos; dar a
forma mais correta e elegante; e garantir que os barris tenham a capacidade
adequada.
Às vezes as
extremidades dos barris são pintadas com um código de cores, mas é raro.
Carvalho não pintado respira melhor, o que permite que seu conteúdo interaja
com o ar ambiente, e tem a beleza da madeira natural. Uma passada de lixa realça
essa qualidade, tornando o barril mais atraente e mais fácil de manusear. Leva-se de 45 a 60 minutos para montar um
barril, mas eles se seguem uns aos outros num ritmo de mais de 250 unidades por
turno.
Os barris de bourbon
são queimados ou chamuscados por dentro para permitir que o whiskey impregne a
madeira. A queima provoca transformações químicas essenciais, sem as quais a
bebida não seria maturada, favorecendo a interação do destilado com as
propriedades e os sabores da madeira. As tonelarias americanas costumam
oferecer três graus de chamuscamento: leve, médio e jacaré. Este último é uma
queima mais intensa que deixa a madeira marcada com um padrão que lembra pele
de jacaré. Os cascos de carvalho europeu, em geral, são levemente tostados para
ativar tais transformações.
Depois de todo esforço
para conservar o destilado no barril, é preciso criar maneiras de fazê-lo sair
mais tarde. Para isso faz-se um furinho com uma broca no meio do barril.
Curiosidade: cada
barril é feito preferencialmente com madeira de uma única árvore, garantindo
assim maior uniformidade.
Barris americanos
Por lei, para ser
chamada de Bourbon ou whisky de centeio, a bebida precisa ser maturada, por
pelo menos dois anos, em cascos virgens de carvalho branco, de 200 litros. Os
cascos são reaproveitados para maturação na Escócia e em outros países. Grande
parte dos whiskies escoceses é maturada em cascos de Bourbon. Este barril dá ao
whisky notas como grãos de malte com baunilha, toffee e sabores mais leves de
fruta.
Pipas de xerez
As pipas armazenam 500
litros e normalmente são feitas de carvalho europeu e curadas com xerez durante
um ou dois anos antes de receber o whisky. O barril de xerez confere um nariz
sulfuroso com caramelo, especiarias e frutas secas.
Finalização em cascos
Ultimamente, este
processo vem sendo bastante usado na Escócia. É o processo pelo qual o whisky é
envelhecido em um barril e depois depositado em outro para os últimos 12 ou 24
meses de sua maturação. O “último casco” costuma ser de vinho, xerez ou, como no
caso do single malt Quinta Ruban da destilaria Glenmorangie, de vinho do Porto.
A Lagavulin possui a sua versão, a de vinho Pedro Ximenez. Há outros tipos
também, como vinho madeira, marsala, oloroso, e por aí vai. Este processo imbui
o whisky com parte do caráter do tonel.
Este
post mostrou a construção de um barril e o que ele pode emprestar e
interagir com a bebida de uma maneira geral. Falaremos ainda mais detidamente sobre a contribuição
de cada um dos tipos de barril e também mostraremos uma matéria falando especificamente
sobre finalização em cascos. Abaixo, um vídeo que mostra todo o processo de construção do barril. Até a próxima.
Fontes: o livro do
whisky, whisky de a a y, wikipedia, mauoscar.com